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sexta-feira, 25 de junho de 2010

HISTÓRIA DA FILOSOFIA ANTIGA: O PENSAMENTO JUDAICO ANTIGO.


O sucesso do cristianismo tornou o pensamento judaico importante no mundo e, por sua vez também o pensamento semita primitivo, porquanto dele depende em última instância. A história inicial dos judeus apresenta o mesmo estilo heróico dos mesopotâmicos e egípcios, com seus patriarcas longevos.
A primeira figura de fisionomia histórica definida é Abraão, cerca de 1700 antes de Cristo, do tempo de Hamurabi. Procedente de Ur (Mesopotâmia), veio instalar-se em Canaan, depois denominada Palestina. O texto bíblico declara que Deus prometeu esta terra aos seus descendentes.
A tribo israelita se transfere para o Egito, onde prosperou. Ao sentir-se com força de abandoná-la, tentou rumos próprios, conquistando a partir do Sinai a terra de Canaan. Moisés comandou o povo; o narrador diz que ele recebeu de Deus, as leis. Estes sucessos datam de cerca do ano 1270 a.C., o que torna pouco fiável a narrativa datada de meio milênio após.
As doze tribos de Israel são governadas inicialmente por juízes. Instala-se o reino por volta de 1020 a. C., sucessivamente sob Saúl, David, Salomão. Divide-se em 929 a.C. em dois reinos, respectivamente chamados de Israel e de Judá.
O reino de Israel (10 tribos), chamado também de Samaria (nome da capital), foi conquistado pelos Ninivitas em 722 a.C. Desapareceu esta parte dos descendentes de Abraão, por efeito de miscigenação, o que parece significar que a suposta promessa de Deus à Abraão deixou de se cumprir para a maioria dos seus descendentes.
O reino da Judéia (tribo de Judá), com capital em Jerusalém, é tomado pelos babilônios em 587 a.C. Termina aqui a fase áurea do povo de Israel, restando praticamente uma só tribo, a qual trouxe através do tempo uma tradição que já perdura 3000 anos.
Ciro, rei da Pérsia, ao vencer Babilônia em 587 a.C., permitiu uma liberdade relativa aos judeus. Parte destes retornou a Jerusalém, onde reconstruíram um modesto templo. Os demais se difundiram por todo o vasto império persa.
É importante observar que os contatos com o mundo exterior sujeitaram os judeus a influências, que uns rejeitam, tornando-se eminentemente tradicionalistas, enquanto outros as assimilam.
As novas circunstâncias persistem com as conquistas de Alexandre Magno (334 a.C.), que anexou ao Império Helênico o já vasto mundo persa, que então incluia a Judéia e o Egito. Em 64 a.C., tudo passaria a um esquema ainda maior, o dos romanos.
Entrementes ocorria o episódio passageiro do reino dos Macabeus (164-63 a.C.), que representava uma aparente restauração do reino dos judeus.
Neste tempo o reino helênico seleucida de Antióquia da Síria havia enfraquecido, frente à política romana. Conseguiram então os Macabeus a independência da Judéia; contaram inclusive com apoio romano, enquanto isto era estratégico contra Antioquia. Depois que os mesmos romanos conquistaram o reino seleucida de Antioquia, tomaram também a Judéia (63 a.C.).
Reino submisso sob Herodes, a Judéia foi integrada na província romana da Síria em 6 d.C. Com a revolta, a cidade de Jerusalém é destruída em 70. Depois disto os judeus serão uma nação errante pelo mundo, mas sempre unida e influente.
O universalismo judaico se mantém ainda após a criação do Estado de Israel, em 1948. O nacionalismo, tanto árabe, quanto judeu, dificulta a convivência pacífica. Mas no dia em que a humanidade for por eles colocada acima da nacionalidade, os descendentes do patriarca Abraão certamente conviverão prósperos e felizes.

Os livros sagrados dos judeus são aqueles que os cristãos denominam Velho Testamento. Ainda que os primeiros livros se atribuam a Moisés (século 13a.C.); a análise interna dos mesmos os situa 500 anos depois. Daquela remota época somente poderiam ter vindo tradições, leis, lendas, poemas, crônicas de reis e de suas guerras.
Os cristãos católicos anexaram ao cânon bíblico obras escritas em grego por judeus de Alexandria. O cânon judeu foi fixado definitivamente em Jâmnia (Palestina) pelos anos 90 e 100 d.C. Mas não obsta que os demais livros sirvam para indicar o pensamento judaico daquele tempo.

A Lei e os Profetas, eis uma divisão classificatória freqüente dos livros do Antigo Testamento. A Lei (ou Torah) reunia os livros mais antigos, próximos da mentalidade mosaica. Os Profetas são os livros posteriores, indicando um pensamento mais recente. Os saduceus admitiam a Lei e não os Profetas, aceitos pelos fariseus, zelotas, essênios, cristãos. (vd 4251y032 e 4251y040).

O Talmud tem origem no segundo século de nossa era e reúne as tradições orais e leis, inclusive comentários. Complementa a Bíblia judaica.


A religião judaica não oferece um sistema dogmático fechado. Explica-se o fato pela circunstância de haver desaparecido cedo uma autoridade religiosa central, muito antes da época em que as outras religiões desenvolveram sua teologia em função àquelas autoridades. O judaísmo oscila bastante e se divide em orientações divergentes sem que estas sejam tratadas como heréticas - saduceus, fariseus, zelotas, essênios (vd 4251y125). As seitas judaicas unem-se em torno de Javé e de seus livros sagrados.



O monoteísmo é uma das principais características do judaísmo. É todavia substituído o elenco dos deuses secundários pela presença de entidades intermediárias, como os anjos; estes, após o exílio em Babilônia, crescem de importância no judaísmo posterior, por influencia da religião zoroastrica dos persas.
Acresce dizer, que já houvera no Egito algumas tentativas de introdução do monoteísmo. Também os filósofos gregos insistiam numa revisão do conceito de divindade.
De outra parte, a noção de Deus, por parte do velho judaísmo, é rudimentar e antropomórfica. Sem especulação filosófica a respeito de Deus e sem cuidado em defini-lo, era vagamente concebido como um ser pessoal, quase ao modo humano, que age e fala, que tem mãos, braços, olhos, lábios, que se apresenta em certo lugar e mora nos céus.
A melhoria dos conceitos judaicos sobre a divindade ocorre ao se estabelecer contato com a cultura grega, apesar de odiada. Esta influência haveria de acontecer sobretudo em Alexandria, a grande metrópole helênica do Egito.
Na tradução da Bíblia ao grego, conhecida por Septuaginta (séc. 2 a.C.), vários antropomorfismos são substituídos por circunlóquios, o que revela uma melhoria de mentalidade filosófica. Também será em Alexandria que se desenvolverá uma exegese alegórica ou simbolista, entre judeus e cristãos, substituindo os episódios fantásticos por interpretações místicas.
Entretanto, não se deixou o judaísmo influenciar pela conceituação trinitarista platônica e neoplatônica, como aconteceria no cristianismo, cujo Deus é constituído por três pessoas
Fonte: Enciclopédia Simpozio
http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio

HISTÓRIA DA FILOSOFIA ANTIGA: O PENSAMENTO EGÍPCIO.

A importância da civilização e da religião do Egito, na história do pensamento, está em haver transmitido cedo influências sobre os judeus (de procedência mesopotâmica) e sobre os gregos (fundadores da civilização ocidental).
Os egípcios alcançam uma adiantada cultura neolítica pelo ano 5000 antes de Cristo. Por volta de 3000 se instituem as dinastias, que unificam politicamente o Egito, ao mesmo tempo que se difundem o uso dos metais e se inaugura a escrita hieroglífica.
Apesar do esplendor dos períodos chamados Antigo Império (desde 3000), Médio Império (desde 2100) e Novo Império (desde 1580), a importância do Egito na história do pensamento ocorreu, quando,(desde 1100), passou a declinar política mente e a se retalhar. É o tempo em que saem do Egito os judeus, sob o comando de Moisés (c. de 1100). Desenvolve-se a navegação, tal como entre os fenícios e os gregos. Os faraós buscam por vezes apoio no exterior, para se manter; é quando os contatos e as concessões permitem a intercomunicação das culturas.
É significativo que uma das numerosas esposas do rei Salomão, admirado até por Jesus, fora egípcia.
Numa tentativa de expansão, o faraó Nécao II é derrotado por Nabucodonosor, de Babilônia, em Karkemish, em 605 a.C.
A penetração indo-européia no Egito se aprofundou, quando os persas, que já haviam conquistado Babilônia (538 a. C.), converteram igualmente a este outro país em uma satrapia (525 a.C.).
Abriam-se amplamente as portas das cidades egípcias à curiosidade dos estrangeiros, inclusive dos gregos, porquanto uma parte de suas cidades, as da Jônia, também estavam integradas no império persa. Heródoto, pai de História, visitará o Egito cerca do ano 425 a.C., cem anos após a conquista, descrevendo para os gregos longos relatos sobre o que vira, bem como sobre o que pudera entender da religião dos curiosos adoradores de animais totêmicos.
Reconquistou a terra dos faraós uma relativa independência em 404 a.C., que é de novo perdida pela reconquista persa de 341, logo sucedida pela de Alexandre Magno em 332.
Criada a cidade de Alexandria, nela se procedeu o cadinho das culturas do Egito e da Grécia.
Também ali os judeus desenvolveram uma literatura helenística. Traduziram a Bíblia hebraica para o grego, e que veio a ser conhecida como Septuaginta.
Passaram os judeus a escrever, também, livros em grego. Dentre estes alguns foram anexados pelos cristãos católicos ao elenco dos livros do Velho Testamento. Estes livros são considerados apócrifos pelos judeus e protestantes. De qualquer maneira, eles se tornaram acessíveis, porque se encontram na Bíblia católica.
O alfabeto egípcio, em uma variante fonética do Sinai, que se transpôs para a região palestinense e depois para a Fenícia, foi ser finalmente, com algumas transformações, a escrita grega e ocidental.
No alfabeto fenício a letra R era um rosto, virado para a esquerda. O rosto foi virado para a direita, pelo alfabeto grego. Finalmente este recebeu a perna inclinada, no alfabeto romano. Acontece assim que hoje o P no grego significa a letra R, e no alfabeto Ocidental o P significa o A grego (ou Pi matemático).
A religião egípcia é inicialmente totêmica, com o culto às forças naturais, além de sua diversificação em deuses locais. A transformação através dos milênios a tornou mais profunda, com progressão do simbolismo.
As potências transcendentais da religião do Egito são menos enfáticas que as divindades desenfreadas e violentas da Mesopotâmia. Enquanto a serenidade domina nos tempos dinásticos do Egito, aumenta o caráter guerreiro dos babilônios, ninivitas e hititas, expresso em potências infernais e monstros disformes, acrescidos depois ainda, de uma fé em um fim de mundo catastrófico persa.
A divindade egípcia é concebida como tendo acima um Deus universal e onipotente, com entidades divinas menores, masculinas e femininas, além de figuras demoníacas.
Ocorrem alterações no decorrer das substituições dinásticas sobre qual seja o Deus principal. O mesmo acontece a respeito das conceituações, ora mais, ora menos politeísta. Há também alterações nos conceitos de alma e de moral.
Destaca-se Osiris, Deus do sol noturno, senhor do mundo inferior (inferno dos mortos). Assassinado por seu irmão Set, foi ressuscitado por Isis, de quem Osiris também era irmão e esposo. Osiris é Deus dos mortos e juiz supremo. Isis, esposa e irmã de Osiris, com este fazia o par mais importante dos deuses egípcios. O culto de Isis se difundirá no império romano assumindo aspectos análogos aos que depois adquirirá a Virgem Maria dos cristãos. Era protetora das mulheres e das crianças.
Quanto a Set, é Deus das trevas, havendo assassinado seu irmão Osiris, como já se disse.
O culto ao Sol é associado aos faraós. As pirâmides, enquanto apresentam sua face ao sol, se exercem como um apoio dos raios deste. Expressam não apenas um monumento funerário, mas também constituem manifestação religiosa como culto ao sol, ao qual ainda se associava o culto aos faraós.
O trabalho de sua construção não fora tão só um esforço de trabalho escravo, mas uma atividade de cunho religioso, em que participava a própria nação, inclusive com cerimoniais.

Um estranho associamento havia entre os deuses e os animais sagrados. No primeiro instante este culto surpreendia aos gregos e romanos, porque eram adorados num sentido totêmico e simbólico que não era óbvio aos estranhos. Como tótens, eram intimamente associados, pelas suas qualidades, aos homens.
Dali era apenas mais um passo para se chegar à simbolização dos deuses com as imagens dos animais. A deusa Hator, em figura de novilha, e Anúbis, um cão de guarda, bem associavam a vivência de um povo agrícola. E assim, por razões peculiares, se tornavam símbolos, o touro, a serpente, o leão, o escaravelho, a rã, o gato, o falcão. Nesta coesão universal das coisas, até os astros do firmamento passavam a expressar a divindade.
O fetichismo, com suas práticas, encontrava nesta maneira de ver, o caminho aberto. Que seria a serpente de Moisés, no deserto, senão um animal sagrado egípcio, associado a virtudes divinas? E por que teriam os israelitas adorado um bezerro de outro, no deserto? De novo reflexos do pensamento egípcio.
As rãs servem de amuleto, porque expressam a ressurreição. Supunha-se antigamente, não somente no Egito, que elas nasciam diretamente do limo, sem pai e sem mãe. O simbolismo da rã passou aos cristãos, para indicar a ressurreição, conforme se induz das lâmpadas da necrópole de Edfu.
Os judeus poderiam ter recebido as idéias da ressurreição, tanto do Egito, como depois, na Pérsia, ao terem contato com o zoroastrismo; todavia, mais facilmente deste último.
As doutrinas sobre a alma, da religião egípcia, a distinguiam claramente do corpo, ao mesmo tempo que a relacionavam intimamente com ele.
Não era a alma um espírito vindo de fora, como castigo, para se purificar no corpo material; esta outra maneira de ver, que Heródoto narra haver encontrado no Egito, ao modo dos pitagóricos, deviam ser doutrinas posteriores. No pensamento pré-pitagórico, alma e corpo faziam um todo natural, ao modo quase da maneira de ver homérica. A morte era considerada uma desgraça, e não uma retomada da transmigração.
A felicidade da alma, a subsistir após a morte, ficava associada à conservação do corpo. Em decorrência desta afinidade entre corpo e alma, desenvolveram os egípcios a prática do embalsamento e a construção de monumentos funerários, como as pirâmides e as câmaras funerárias. Estas serão ainda no futuro praticadas pelo judeus, e logo também pelos cristãos, em vista da idéia da permanência da alma. Muito mais que dos babilônios, a idéia da permanência da alma em função a um corpo era um conceito egípcio.
O julgamento dos mortos, com destino determinado pelo bem ou o mal praticados em vida, são convicções egípcias, que depois também permanecerão entre algumas seitas judias, das quais finalmente derivarão para o cristianismo. Eis, pois, o julgamento dos mortos uma particularidade que por primeiro se desenvolveu na religião do Egito.
O Livro dos mortos, que remonta ao Novo Império (1580 a.C.) é um significativo documentário da crença do julgamento dos mortos. As representações pictóricas, encontradas nos monumentos, visualizam o seu conteúdo. Osiris, como senhor da eternidade, senta-se em seu trono, com o cetro na mão. Por trás, suas irmãs Isis e Nefthys. O morto é introduzido por Maat, deusa da justiça. Há 42 juízes, representando as 42 províncias do Egito.
A crença do julgamento dos mortos persistiu entre os judeus e se transferiu aos cristãos, com alguns arranjos imaginativos. Note-se que os judeus substituem os 42 juízes pelos 12 juízes representando as 12 tribos; os cristãos, ao somarem aos 12 patriarcas os 12 apóstolos, imaginaram um tribunal de 24 juízes, e com Jesus em lugar de Osíris.
No julgamento egípcio se encontra em destaque uma grande balança, na qual o peso do coração é equiparado ao da pluma de avestruz (símbolo da verdade). A pesagem cabe a Horus (Deus da Luz, filho de Osiris e Isis) e a Anúbis, com sua cabeça de chacal, e guardião das múmias. O resultado é anotado sobre um papiro, por Tot, caracterizado pela cabeça de Íbis, e Senhor da Sabedoria e da Escrita.
Fonte: Enciclopedia Simpozio
http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio

ARTE INFANTIL : VIOLINO.

HISTÓRIA DA FILOSOFIA ANTIGA: RELIGIÕES MESOPOTÂMICAS; DE SUMER E BABILÔNIA.

As mais remotas raízes da tradição cultural e religiosa do Ocidente se situam na Mesopotâmia, às margens do rio Eufrates e rio Tigre, onde floresceram inicialmente os sumeros, os babilônios e os ninivitas. Praticamente ao mesmo tempo se desenvolveu a civilização egípcia, no vale do rio Nilo.
Inventaram estes povos a escrita, através da qual deixaram, em documentos, a expressão de sua cultura e ideologia. Alguns reflexos se transmitiram até os primeiros escritos bíblicos, os quais, além de não serem de conteúdo original, servem de texto comparativo no estudo do que ainda resta de notícias sobre o segundo e terceiro milênios antes da era cristã.
Sumeros é o nome que se deu ao povo pré-semítico que viveu ao sul da Mesopotâmica, com uma história que vem dos remotos 5000 anos antes de Cristo e perdura até 2000. Vivem em cidades que têm os nomes de Sumer (de onde foi tomado o nome Sumeros), Akad, Uruk, Shurupak, Lagash e outras, de cujos reis restaram estátuas e inscrições.
Por volta do ano 2800 a.C. entram os sumeros a exercer a escrita. Superam então também a fase neolítica e passam a utilizar os metais.
Superados, cerca do ano 2000, pelos semitas, em especial pelos babilônios, permanece a cultura sumeriana, porquanto algumas de suas narrativas foram traduzidas ao semítico. Também a língua permaneceu na liturgia. Praticaram o calendário lunar e a semana de 7 dias.
Os templos sumeros têm a forma de torres volumosas, com acessos externos, com altar no topo, criando a imagem da aproximação com o céu.
Esta forma se transmitiu aos babilônios, cuja capital Babilônia se fez famosa pela chamada Torre de Babel. Significa Babel portão do céu.
A Bíblia Judaica transcreveu um episódio referente à construção da referida torre, interpretando ao nome Babel como significando confusão (- de línguas) (cf. Gênesis 9, 1-9).
Os dez reis fundadores dos sumeros teriam reinado milhares de anos e sua história apresenta feições míticas e sobrenaturalistas.
Estes episódios lembram mais uma vez as narrativas bíblicas sobre os patriarcas de alta longevidade e relacionados de perto com a divindade. Entre estes um é o fabuloso Noé, herói do dilúvio e que tem o seu correspondente sumero em Ut-Napishtim.
O poema de Guilgamesh, que narra sobre o dilúvio, cerca de 200 linhas, remonta aos séculos 17 e 18 nas versões babilônicas; fragmentos sumeros conduzem a narrativa até cerca dos séculos 15 e 16.
O texto bíblico mais recente, é de cerca do século 8.
A narrativa do dilúvio, dos sumeros, coloca em cena o herói Guilgamesh, um rei de Uruk. Este, em busca da imortalidade, procurou Ut-Napishtim, ao qual ela havia sido concedia. Encontrando-o, este lhe conta a respeito do dilúvio, do qual se evadira pela construção de uma arca, em que também colocou os animais. Não falta o episódio do pombo, que parte no sétimo dia.
Quanto ao dilúvio, as escavações revelaram que ele ocorrera na forma de grande inundação pela volta do terceiro milênio; poderia efetivamente ter dado motivo para as narrativas heróicas, do tipo Ut-Napishtim e Noé.
Babilônia, cidade principal da Mesopotâmia e fundada por volta de 2350 pelos habitantes de Akad, foi herdeira e retransmissora da cultura suméra. Destacou-se o rei Hammurabi (c. 1728-1686 a. C.), que unificou amplamente o mundo mesopotâmico.
Vem ainda de Hammurabi um antigo código de leis. Seu texto de 282 preceitos foi reencontrado em Susa (1901-1902), numa estela cilíndrica em diorito, conservada no Louvre. Codifica a jurisprudência de seu tempo, já que resultou de um reino de cidades unificadas.
No alto da estela se apresenta o deus Shamash transmitindo ao rei as leis, figuração esta indicativa do conceito de que o poder político vem do alto.
Ainda que existam fragmentos pouco mais antigos que o código de Hammurabi, eles expressam apenas uma legislação local. É, pois, o código redescoberto em Susa a mais antiga importante fonte do direito, inclusive com influências sobre os judeus, como se observa na legislação mosaica.
Enuma-Elisch, poema babilônico denominado pelas suas primeiras palavras e encontrado em 1875 na biblioteca do rei Assurbanipal, é o mais importante documentário sobre a origem do mundo, ao modo como o entendiam os babilônios. Poderá expressar as idéias mais antigas dos sumeros, dos quais teriam sido herdadas pelos semitas.
Nas origens existia um caos aquoso, de duas entidades, masculina e feminina - o velho Apsu, como um oceano primordial; e Tiamat, personificação do mar.
Criados os primeiros deuses, opõem-se ao velho Apsu. Tiamat resiste aos deuses, criando onze monstros horríveis. Marduk, o mais inteligente dos deuses, vence Tiamat, e constrói o mundo com o corpo desta, separando a terra e o firmamento do céu.

Texto inicial do Enuma-Elisch;
"Quando no alto não se nomeava o céu,
e em baixo a terra não tinha nome;
do oceano primordial (Apsu), seu pai,
e da tumultuosa Tiamat, a mãe de todos,
as águas se fundiam,
e os campos não estavam unidos uns com os outros,
nem se viam os canaviais;
quando nenhum dos deuses tinha aparecido,
nem eram chamados pelo seu nome,
nem tinham qualquer destino fixo,
foram criados os deuses no seio das águas".

Texto sobre a formação do mundo por Marduk com o corpo de Tiamat vencida:
"Divide a carne monstruosa, concebe idéias artísticas.
Despedaça-a como um peixe nas suas duas partes.
Instalou uma das suas metades, cobrindo com ela o céu.
Colocou o ferrolho; pôs um porteiro e
ordenou-lhe que não deixasse sair as águas".

Segue a criação dos luzeiros do céu, formação dos dias e finalmente do homem, como servidor dos deuses.
O modelo criacionista babilônico se refletirá sobre as cosmogonias posteriores, com as adaptações e melhorias peculiares aos tempos em curso. O paralelismo com o Gênesis bíblico é evidente.
Fonte: Enciclopédia Simpozio
http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio

ARTE ANTIGA. ESCULTURA.

Laocoonte e seus filhos
Escultura em mármore. Provaveis autores: Agesandro, Atenodoro e Polidoro, escultores da Ilha de Rodes, segunda metade século século I a.C.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

HISTÓRIA DA FILOSOFIA ANTIGA: O PENSAMENTO PRÉ-HELÊNICO.

O espaço geográfico do pensamento ocidental inclui o norte da África, sobretudo Egito, e a Ásia Menor, até a Mesopotâmia e o Iran.
Nesta região, antes dos povos helênicos, a filosofia não conseguiu alcançar sistematizações rigorosas. Não se desprendeu, senão em casos raros, das religiões sobrenaturalistas e ritualistas, as quais geralmente foram obra coletiva, ao passo que uma filosofia bem estabelecida teria o cunho pessoal de um autor mais genial ou esforçado. Não há como examinar as filosofias mencionadas senão juntamente com as religiões de cujo contexto fazem parte.
Do ponto de vista da filosofia da religião, devem-se distinguir três perspectivas:
a religião materialmente é o conjunto de doutrinas em que se apoia, tais como as noções de Deus, alma, natureza e mundo sobrenatural;
a religião objetivamente (ou essencialmente, ou formalmente) é o culto;
a religião subjetivamente é a prática deste culto.
Do ponto de vista filosófico e da história das idéias filosóficas, é claro que o aspecto material da religião é o que agora mais importa. Aquele conjunto de doutrinas em que se apoia é, em grande parte, filosófico, mesmo quando tais doutrinas sejam muito primárias.
Sem Deus e sem conceituar o mundo como criatura não há um sentido verdadeiramente religioso. Além disto, as variações dos conceitos a este respeito podem dirigir para horizontes mui diversos as religiões.
Aspecto freqüente nas religiões, sobretudo as populares e tradicionais, é o seu sobrenaturalismo. Este caráter pode, de outra parte, diminuir a ênfase filosófica, mais peculiar às religiões naturalistas. Nas religiões sobrenaturalistas, os fatos relacionados às revelações criam um elenco episódico notavelmente grande.
Enfim, a moral, sobretudo das religiões primárias, tem grande impacto na conduta dos seus seguidores. Trata-se de um elemento de fundo filosófico. Nas religiões primárias a mundivisão, em decorrência do antropomorfismo, se concentra na justiça e na recompensa, porquanto Deus é visto como um régio senhor a administrar seus servos. Ou ainda na idéia de purificação pelo sofrimento, sobretudo no caso da metempsicose.
Mais distantes do Ocidente estão as religiões e filosofias da Índia, - Bramanismo e Budismo, - e da China, - Taoismo e Confucionismo, - sem ação pré-helênica sobre o Ocidente. As comunicações modernas, a partir da Renascença, abriram suas influências sobre os países ocidentais e destes sobre os orientais.
Já na antiguidade ocorrem as influências sobre o ocidente helênico-romano das religiões mesopotâmicas, egípcias e persas. É especial o fenômeno judaico e cristão.
Suplantando a mitologia grega e romana, as religiões do Oriente Próximo assumiram em determinado momento da história uma função importante na mentalidade popular do mundo helênico-romano, com marcas que a história da filosofia adverte no orfismo, pitagorismo, platonismo.
O fenômeno cresce a partir do período helênico-romano inaugurado por Alexandre Magno; este em seu curto reinado de 336 - 323 a.C., alterou a fisionomia política da antiguidade e produziu as condições de um processo mais vasto de sincretismo substancial.
Fonte: Enciclopedia Simpozio
http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y013.htm#BM2216y018

FOTOGRAFIA.

Na França, vesti o verde do meu Brasil.

HISTÓRIA DA FILOSOFIA ANTIGA: INTRODUÇÃO.

A filosofia, como saber sistêmico, nasceu na antiguidade, conforme constata a ciência da história. Há, pois, uma história da filosofia antiga, que o historiador procura elaborar adequadamente, indagando pelos seus monumentos, geralmente notícias escritas. Racionalizando este estudo, importa, sobretudo determinar a seqüência temporal dos acontecimentos, de que resulta principalmente a redivisão da época, em períodos e fases. Neste quadro se determinam também as causas, as mais diversas, como os mesmos filósofos, as escolas, as influências de uns fatores sobre os outros.
Redivide-se a filosofia antiga, conforme tradicionalmente se tem acedido, em função a Sócrates, em: - Pré-socrática (de quando só restam fragmentos); - Socrática, - Pós-socrática. No período pré-socrático se desenvolveram escolas filosóficas em diferentes regiões do mundo grego bordado em todo o contorno do Mediterrâneo. Antes destas escolas houve um pensamento, ao qual se pode tratar, como pré-helênico, havendo efetivamente deixado alguns traços no Ocidente.
Escola Jônica antiga, - de que o primeiro filósofo foi Tales de Mileto (c. 624 - 548 a.C.);
Escola Jônica nova, - com seu principal representante em Heráclito:
Escola Eleática, - na qual se destaca Parmênides;
Escola Itálica (ou Pitagórica), - marcada pela figura de Pitágoras;
Escola Atomista, do norte da Grécia, - com o erudito Demócrito;
Sofistas, - grupo de transição. Enquanto os primeiros pré-socráticos se concentram nos estudos da natureza, os sofistas, como Demócrito e Górgias, encaminham os estudos humanos, peculiares ao período seguinte.
No período socrático a filosofia alcança o esplendor com as figuras imortais de Sócrates (469 - 399 a.C.), Platão (427-347 a.C.), Aristóteles (384-322 a.C.).
No período pós-socrático se desenvolve a filosofia em todo o mundo helênico-romano. Com mais propriedade, há um período pós-socrático helênico, seguido do helênico-romano conjunto. Inicialmente têm destaque as escolas Epicurista (de Epicuro), Estóica (de Zenão), Cética (de Pirro), além das remanescentes conhecidas por Acadêmica (dos discípulos de Platão) e Estagirita (dos de Aristóteles). No período helênico-romano ocorrem, além das precedentes, as escolas Neopitagórica e Neoplatônica (esta de Plotino), com profundas conotações religiosas. Manifestam-se já uns primeiros filósofos cristãos, de que o mais expressivo é Santo Agostinho (354-430).
Caracteriza-se também a divisão em períodos denominados, sobretudo pelo valor, dizendo-se o primeiro, como de formação, o segundo como de apogeu, o terceiro, como de decadência. Não se deve, todavia, exagerar a fisionomia decadente do terceiro período da filosofia antiga, porquanto sob muitos aspectos ele foi progressivo e especializante. Foi gerador mesmo de novas formas de judaísmo, das quais uma foi dos Fariseus, outra, a mais expressiva, o Cristianismo.
Finalmente, os períodos podem ser denominados por uma tendência filosófica, inclusive por uma preferência temática. Então, no período Pre-socrático, chamado de formação, dominaram os problemas cosmológicos; no segundo os Metafísicos; no terceiro os de ,Etica, acentuando progressivamente também os de os de Religião. Não obstante, em todos os momentos os demais temas surgem. E assim, desde o período pré-socrático já se discutem também as questões metafísicas, éticas e religiosas
.
Fonte: Enciclopédia Simpozio
http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y013.htm#BM2216y018

terça-feira, 22 de junho de 2010

MÚSICA



O último show do grande Tim Maia.

ARTE - FOTOGRAFIA.


O MAR POR FRONTEIRA.

ARTE- POESIA.

CONVIDO-TE
Charles Fonseca

Convido-te, amiga, às doces paragens
Campestres, ao silêncio dos prados,
Aos ternos murmúrios dos nossos regatos,
Aos roucos sussurros aquém das miragens.

Convido-te comigo a outros olhares,
A outros dizeres dos nossos silêncios,
A outros perfumes a nós como prêmios,
Tocar nossas harpas, frementes, vibrares.

Convido-te, amiga, pra caminhada
A dois pela praia, o mar por fronteira,
As nossas dores escrever na areia,
Do nosso amor gozar, madrugada.

ENTRETENIMENTO.




Cianeto & Felicidade - Trad. Gabriel.

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO.

O tempo passa e ficamos com a sensação de que não o aproveitamos como poderíamos. Existe uma maneira de conciliar a vida com o tempo, que a consome?
Os gregos, que encontravam explicação para tudo pelas forças emanadas pelo monte Olimpo, não se contentavam em ter um deus do tempo, tinham logo dois: Cronos e Kairós. Um só deus grego não seria suficiente para explicar a relação do homem com o tempo, tamanha a tensão que existe entre ambos. A única proeza em que o homem teve sucesso, a respeito do tempo, foi conseguir medi-lo. Para isso, analisou ciclos, como os movimentos da Lua e do Sol, observou seu efeito sobre a natureza e, então, padronizou os tempos do ano, das estações e dos dias, posteriormente divididos em frações, chamadas horas, minutos, segundos. Em sua arrogância, o humano acreditou que, ao medir o tempo, o controlaria. Doce ilusão. As medidas só serviram para aumentar a sensação da passagem veloz do tempo, que escorre pelas mãos, como a água. Mas nem tudo está perdido.

Nós, humanos, podemos ser apenas pobres mortais, mas temos uma ferramenta que nos permite controlar, se não o tempo, nossa própria existência. Essa ferramenta se chama consciência.

E ela nos permite conviver com o tempo com base em três visões: da física, da metafísica e da ética. Do ponto de vista físico, o tempo pode ser medido. No âmbito da metafísica, o tempo pode ser sentido. E, de acordo com a ética, o tempo deve ser vivido. A física é a relação mais óbvia, e é com um instrumento físico que nós passamos a medir o tempo: o relógio. Contudo, ele apenas nos avisa que o tempo passa – o que faremos com essa informação é problema nosso. Do ponto de vista do que está além da física, o tempo é um sentimento, portanto ele tem duração variável, contrariando os relógios. Veja só: dois minutos de broca do dentista são mais longos do que 16 minutos escutando o Bolero de Ravel ao lado da pessoa amada. E, quanto à ética, ela nos alerta para um fato óbvio só para os mais conscientes: o tempo é um recurso escasso que não pode ser reposto, e sua qualidade dependerá do que fizermos com ele.

Como disse Marcel Proust: “O amor é o espaço e o tempo tornados sensíveis ao coração”. E ele entendia do assunto, pois dedicou mais de uma década para escrever cerca de 4 mil páginas, que foram publicadas em sete volumes dedicados à relação humana com seus valores, entre eles o tempo. A essa obra completa, o escritor francês chamou Em Busca do Tempo Perdido. No último volume, O Tempo Reencontrado, o autor faz várias voltas ao passado e descobre que só a memória poderá se defrontar com o tempo e nossa paz interior será proporcional ao que a memória encontrar na volta ao passado, ou seja, a qualidade que demos ao tempo que nos foi dado viver.
Podemos sentir o tempo e medi-lo. Então ele está à nossa disposição?
O tempo está à nossa disposição, mas é ele que dispõe de nós, por isso, estabelecer com ele uma relação de paz é um ato de sabedoria. Sentir e medir o tempo são aparentados, pois ambos nos permitem perceber seu andar ininterrupto. Como? Bem, sentir e medir o passar das horas são iniciativas úteis, pois nos ajudam a decidir o que faremos com o tempo de que dispomos. Assim, nossa paz com o tempo será diretamente proporcional à paz que estabelecemos com nossas escolhas e nossas decisões. E essas são pessoais, relativas aos valores de cada um.

O cientista inglês Stephen Hawking, que ocupa na Universidade de Cambridge a mesma cadeira que já foi de Newton, escreveu um livro chamado Uma Breve História do Tempo. Em dado momento, em meio a intrincados conceitos científicos, ele pondera que o tempo tem que ser analisado com base em três setas: a seta cosmológica, que explica a expansão do Universo, a seta termodinâmica, que explica a modificação constante das coisas, e a seta psicológica.

Sim, o físico mais importante da atualidade não consegue analisar os fatos do tempo sem recorrer à psicologia. Os enigmas intrincados da matéria se relacionam com os mistérios do tempo desde sempre, mas, quando o homem passou a protagonizar essa peça no palco do Universo, seus pensamentos e sentimentos acrescentaram novos ingredientes ao roteiro, às vezes de comédia, às vezes de tragédia.

A maior contribuição da física, nesse assunto, é a ideia da relatividade. As sofisticadas descobertas de Einstein sobre a velocidade da luz nos levaram a abandonar a ideia de tempo único e absoluto. Então: “O tempo se tornou um conceito mais pessoal, relativo ao observador que o está medindo”, diz Hawking. Nossa relação com o tempo se faz baseada em nossos valores, opções, decisões e culpas. É o tempo psicológico. Eu dedico mais tempo àquilo que tem mais valor para mim.(ótimo!, ótimo! Ótimo!) O problema é conhecer seus valores.

Voltando aos gregos, Cronos é o deus do tempo medido, por isso usamos expressões como cronograma, cronologia, cronômetro. Nos livros de mitologia, ele é representado como um deus malvado, que come seus próprios filhos, simbolizando o que o tempo faz conosco atualmente – parece que ele nos devora. Já Kairós é o deus do tempo vivido, das escolhas que fazemos, da maneira como nós aproveitamos a vida. Cronos é quantitativo, e Kairós é qualitativo.

A primeira sensação é a de que Cronos é inimigo e Kairós amigo. O primeiro quer subjugar, e o segundo libertar. Mera sensação, pois, na prática, nós precisamos de ambos, uma vez que não podemos escolher a felicidade sem nos organizarmos para alcançá-la. Kairós nos estende a mão, Cronos nos empurra. Mas é necessário que saibamos o que queremos e que consigamos nos organizar.
A sabedoria consiste em estabelecer uma conexão entre os valores pessoais e a gestão do tempo disponível?
A mitologia ilustra bem essa angústia humana. Zeus, o mais poderoso deus do Olimpo grego, era filho de Cronos, mas nenhum dos dois conhecia esse parentesco, mantido em segredo por Réa, mãe dos filhos de Cronos. Mas Zeus só assume a posição de poder quando enfrenta Cronos e o vence em uma batalha. Ele havia sido sabiamente aconselhado a não matar seu oponente, pois assim ele estaria matando o próprio tempo e ficaria, então, aprisionado no instante, sem futuro nem memória.

A estratégia de Zeus foi vencer Cronos, cortando seus tendões e amarrando sua cabeça aos pés, criando um círculo com seu corpo. A partir de então, o deus do tempo passou a ser também o deus das ações repetitivas, como o dia e a noite e as estações do ano, eventos cíclicos.Na prática, Zeus conquistou Cronos e o dominou, administrou. Nossa vida moderna não difere disso. Todos temos 24 horas por dia à nossa disposição, mas estou certo de que você conhece pessoas que aproveitam bem essas horas, produzem, trabalham, estudam, se cuidam, se divertem, cultivam as relações. E também conhece outros, que se queixam da falta de tempo, da velocidade dos acontecimentos, da sensação de impermanência e da falta de controle. Na prática, o que acontece mesmo é exatamente a falta de controle, de ação da lógica na organização de suas prioridades. A agenda não escraviza – ao contrário, liberta, confere autonomia, possibilidades, alcances.
Mas gestão é a segunda palavra -chave. A primeira é escolha. Fazemos nossas escolhas com base em nossos valores e criamos uma estratégia para atingir nossos propósitos. Estratégias dependem de recursos, entre eles, o mais caro e raro: o tempo.
O ideal (sic!???Como assim?) seria estabelecer uma relação lógica entre presente, passado e futuro? (Que coisa!, a aspiração?pelo ideal parece ser uma aspiração humana de negação da própria humanidade o que torna ainda mais difícil articular, com a aceitação, possível, necessária, do tempo presente-passado-futuro!)
Muito se fala que a única coisa real é o presente, pois o passado não existe mais e o futuro ainda está por vir. Há uma lógica nessa observação, mas é uma lógica primitiva, pois esses tempos são totalmente interligados e interdependentes.

É verdade que o presente é a única realidade prática, mas também é verdade que é nesse instante que se inserem o passado e o futuro. Na dimensão temporal atual, o passado recebe o nome de memória e o futuro tem vários pseudônimos, como sonho, desejo, medo e esperança.

O futuro não é algo que vai existir. O futuro existe agora. Aliás, o futuro só existe no presente, pois, quando no futuro, o futuro virar presente, ele deixará de ser futuro. Parece óbvio, mas escapa da percepção cotidiana da maioria das pessoas. E escapa também o fato de que o futuro virará presente e, quando isso acontecer, ele será melhor ou pior, a depender das providências tomadas no presente, neste exato momento.

Em outras palavras, só vivemos no presente, mas estamos fortemente conectados ao passado, que nos ensina, e ao futuro, que nos motiva. Viver é estar atado a essa tríade temporal, doce ou amarga, dependendo da consciência de cada um. Fazer as pazes com o tempo é a verdadeira sabedoria (não é fácil, é difícil, mas possível e vantajoso). Só que “a sabedoria não se transmite, é preciso que nós a descubramos fazendo uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar e que ninguém nos pode evitar, porque a sabedoria é uma maneira de ver as coisas”, também disse Proust. Sim, a sabedoria é uma maneira de ver as coisas, mas isso exige intenção, disposição e coragem. O problema é que desenvolvemos essas três qualidades em épocas diferentes de nossa vida, por isso a maturidade às vezes tarda, depende do tempo.
O mesmo tempo que exige maturidade para ser bem escolhido e controlado, em outras palavras, para ser muito bem vivido.
Revista Vida Simples, jan/2010, citada em :

domingo, 20 de junho de 2010

PINTURA: PAUL GAUGUIN.


DUAS TAITIANAS COM FLORES DE MANGA - GAUGUIN - 1899.
Eugène-Henri-Paul Gauguin (Paris, 7 de Junho de 1848 - Ilhas Marquesas, 8 de Maio de 1903) foi um pintor francês do pós-impressionismo.
Gauguin desenvolveu as técnicas do "sintetismo" e "cloisonnisme" (alveolismo), estilos de representação simbólica da natureza onde são utilizadas formas simplificadas e grandes campos de cores vivas chapadas, que ele fechava com uma linha negra, e que mostravam uma forte influência das gravuras japonesas.
A sua pintura é caracterizada por:
Natureza alegórica, decorativa e sugestiva;
Formas dimensionais, estilizadas, sintéticas e estáticas.
Fonte: Wikipedia - Enciclopedia livre.

HISTORIA: HINO RIOGRANDENSE.

OBRA DE ARTE

OBRA DE ARTE
Amores na bela Capital Catarinense.