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terça-feira, 14 de setembro de 2010

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FACULDADE SÃO BENTO DA BAHIA
LUGAR ONDE VIVI MUITOS BONS MOMENTOS.
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TERCEIRO PERÍODO DA FILOSOFIA ANTIGA: O CETICISMO HELÊNICO-ROMANO

Introdução
Pela via de transformações diversas, também as escolas socráticas menores tiveram continuidade nas escolas cética, epicuréia e estóica. Todas continuam caracterizadas pela tendência ética de Sócrates. Mas esta maneira ética de ver se adatou contudo ao espírito do novo tempo, no qual desaparecera o Estado-Cidade, em troca do grande Império Helênico. Neste o cidadão se converteu em um indivíduo mais abstrato, com referência ao grande todo político, no qual não exerce funções.
Desligado do antigo esquema político local, em que devera ser muito ativo, ficou agora entregue a si mesmo. Em decorrência deveu criar uma ética pessoal, com base no direito natural. Também a religião se tornou para ele institucionalmente mais importante, em vista da ausência da atividade política local. E, mesmo porque ela passara à esfera dos assuntos particulares, quando anteriormente se prendia à organização do Estado-Cidade.

O ceticismo, fundado por Pirro de Elis (c.360 - 270 a.C.) é antes um movimento ideológico, do que uma escola de ensino organizada. Foi Pioro aluno dos megáricos, cujo unicismo pregava a ilusão da multiplicidade. Em Atenas conviveu com os representantes das mais variadas escolas, aprendendo deles a versatilidade da disputa e a notar a fragilidade dos argumentos.
Nada escreveu Pioro. Mas transmitiu seu pensamento através de Timon, seu discípulo.
Declama este:
"Nobre ancião, Pioro, como e por que caminho tens podido escapar a esta escravidão de doutrinas e fúteis ensinamentos dos sofistas? Como pudeste romper as ligaduras do erro e da crença servil? Tu não te extenuaste esquadrinhando a natureza do ar que rodeia a Grécia, o princípio e o fim de todas as coisas" (Frag. do Silos, conservado por Diógenes Laércio IX).
Em resumo, ensinou que não é possível conhecer as coisas: por isso devemos suspender o juízo e nos conservar imperturbáveis ( = ataraxia), como objetivo ético a atingir. Aliás, este foi o objetivo subtil da ética de Sócrates e que perdura nas escolas pós-socráticas, assumindo o acento cético na escola deploro.
Nestes termos, o pensamento pirrônico e de Timon, nos veio através de uma referência fragmentária de Eusébio de Cesaréia, em sua Preparação Evangélica, que tinha por função comparar o pensamento cristão e o pagão:

"Pirro de Elis não deixou nenhum escrito, mas seu discípulo Timon diz que aquele que quer ser feliz deve considerar estes três pontos:
em primeiro lugar, que são as coisas em si mesmas?
Depois, com que disposições devemos nos colocar em seu respeito?
Enfim, que resultará para nós dessa disposição?
As coisas não se diferenciam entre si, igualmente incertas e indiscerníveis. Também, nem as nossas sensações, nem nossos juízos nos apreendem nem o verdadeiro, nem o falso. Por conseguinte não nos devemos fiar, nem nos sentidos, nem na razão, mas conservar-nos sem opinião, sem inclinar nem de um lado, nem de outro, impassíveis. De qualquer coisa que se trata, nós diremos não é possível mais afirmar que negar, ou que é possível tão bem afirmá-la, como negá-la, ou que não é possível nem afirmá-la e nem negá-la.
Se nos encontrarmos em tais disposições, diz Timon, alcançamos primeiramente a afasia, depois a ataraxia" (Prep. Evang., XIV, 18,2).

Céticos novos.
Depois de haver influenciado os neo-acadêmicos, a escola de Pirro terá excelentes continuadores nos chamados Céticos Novos, situados geralmente em Alexandria.
Destacam-se Enesidemo, do 1-o século a.C., autor de Discursos pirronianos, de que se conservam extratos;
Agripa, do 1-o século d.C., do qual se conservam os "tropos" ou modos de argumentar pelo ceticismo;
Sexto Empírico, do 2-o século d.C., autor de Esquemas pirronianos ( = Pyrroneioi hupotypóseis) e outros livros.

Sexto Empírico.
Em vista de se haverem conservado os livros de Sexto Empírico, converteram-se estes na melhor fonte de informação sobre o ceticismo antigo, em especial dos céticos novos e dele mesmo.
Insiste Sexto Empírico no sentido exato do ceticismo de seu tempo, o qual é antes a dúvida sobre a realidade, do que sobre a aparência como simples representação.
"Aqueles, que pretendem que os céticos negam as aparências, parece que não entendem o que nós dizemos. Nós não recusamos as impressões que a representação recebe passivamente e que nos levam involuntariamente ao assentimento, como o dissemos antes, das aparências.
Toda a vez que nós indagamos se o objeto é tal como aparece, estamos de acordo com as aparência e pomos em questão, não a aparência, mas aquilo que se diz da aparência; tal coisa é diferente do que pôr em questão a mesma aparência. Assim o mal nos parece doce; nós o admitimos, porque efetivamente possuímos a sensação do doce. Nós procuramos saber se o mel é doce por essência; isto não é aparência.
Se propomos diretamente argumentos contra as aparências, nós os expomos sem querer negar as aparências, mas para mostrar a precipitação do juízo dos dogmáticos. Se com efeito a razão é assaz enganosa para nos subtrair quase aos olhos as aparências, como não tê-la por suspeita a propósito daquilo que é obscuro?" (Sexto, - Hypotyposeis I, c.10, 19-20).

Pouco adiante:
"ninguém nos contesta que o objeto aparece tal e tal, mas o que se indaga, se é tal como ele aparece" (Ibidem, I, c. 11, 22).
Aliás, cepticismo (do grego Skepsis, por sua vez de skopeuo examinar, observar), não significa literalmente duvidar.
Fonte: Enciclopedia Simpozio

ARTE ANTIGA: CERÂMICA.


Foto retirada dos arquivos do Blog Graecia Antiqua.

domingo, 12 de setembro de 2010

TERCEIRO PERÍODO DA FILOSOFIA ANTIGA: O PLATONISMO PÓS-SOCRÁTICO.

Neoplatonismo

Desenvolveu-se o neoplatonismo a partir da cidade de Alexandria, sobretudo com Amônio Saccas (c.175-242). Será levado para Roma por Plotino (204-269), onde leciona também Porfirio, o Fenício (233-c.300), este autor da famosa Eisagogé, novos desenvolvimentos dados à doutrina das categorias de Aristóteles.
A importância do neoplatonismo está em haver dado apoio intelectual às religiões orientais e finalmente ao próprio cristianismo, sobretudo na forma concebida pelo neoplatonismo de Agostinho de Hipona.

Amônio Saccas (c.175-242).
Filósofo de língua grega, com atuação em Alexandria. Seu nome Saccas, que geralmente se interpreta como carregador de sacas, pode entretanto ser um toponímio egípcio; neste caso nos informaria seu país de origem, como sendo o Egito. Inicialmente cristão, aderiu depois ao helenismo. Foi mestre de Plotino entre os anos 232 a 243. Dado como fundador da Escola Neoplatônica de Alexandria.
Muito genericamente terá ensinado o que de maneira geral significa o neoplatonismo: a interpretação trinitária da divindade e por via de processão, isto é, colocando em sequência gerativa os princípios eternos já estabelecidos por Platão.
Considerando que os neoplatônicos variaram muito entre si, não podemos atribuir a Amônio Saccas nenhuma doutrina particular deles. Atribuiu-se, entretanto, a Ammônio a declaração de que Platão e Aristóteles coincidem no essencial. Nada deixou escrito.

O neoplatonismo judaico (a que se associará depois o neoplatonismo cristão) resultou da fusão do platonismo e do judaísmo formulada em Alexandria, onde os intelectuais judeus tinham contato com a cultura helênica. Entre o 2-o e 3-o séculos traduziram do hebraico para o grego a Bíblia, e que se fez conhecida como a Septuaginta. Escrevem os judeus livros religiosos em grego. São de Alexandria alguns livros em grego do Velho Testamento, como o Livro da Sabedoria, acolhidos pelos cânon católico. Neles é evidente a melhoria dos conceitos teológicos mais depurados dos grosseiros antropomorfismos bíblicos dos textos bíblicos mais antigos.

Aristóbulo, que uns põe a nascer pelo ano 200 a.C. e outros pelo ano 100 a.C., é o mais antigo filósofo judeu, conhecido todavia apenas através de fragmentos deixados pelos cristãos Clemente de Alexandria e Eusébio de Cesaréia.
Ensinou Aristóbulo a transcendência da divindade, o que é platônico. Admitiu seres intermediários, o que também é neoplatônico, mas sobretudo neopitagórico e oriental. A revelação divina é peculiar sobretudo dos mais purificados. Imaginou que Platão houvesse recebido de Moisés, mais antigo, a filosofia, tese que o judeu Filon repetirá, e que os cristãos Taciano, Justino e Clemente de Alexandria também difundirão. Aceita, como os pitagóricos, a revelação à personalidades mais purificadas e santas.

Filo de Alexandria (c. 20 a.C. - c. 40 d.C.), viveu exatamente no tempo em que atuava Jesus (c.6 a.C. - 30 d.C.). O cristão Eusébio de Cesaréia escreveu:
"Nos tempos deste Imperador (Tibério) floresceu Filo, varão tido em máxima estima, não somente por muitos dos nossos, senão também dos gentios..." (História eclesiástica, II, 5).

A atuação de Deus, não podendo ser direta, como dizia o neoplatonismo, se faz através de um Logos, que é o termo com que Filo denomina as forças intermediárias entre Deus e a matéria. Estas forças se afiguram, ora como propriedades de Deus, como idéias e pensamentos, ora como mensageiros e demônios (=anjos), executores das ordens de Deus.

O Logos é concebido por Filo como algo um tanto separado dele, quase como segundo Deus. Filo compara o Logos à palavra (ou verbo); tem esta num só tempo fisionomia sensível e significação inteligível, de onde ter contato simultâneo com Deus e a matéria.

Ocorre assim que, ao mesmo tempo que nascia na Judéia o cristianismo, como um movimento de crenças singelas, já se formava em Alexandria o embasamento racional de sua teologia trinitária. De ecletismo em ecletismo, haveria de encontrar três séculos depois uma formulação mais coerente para a concepção de Deus com pluralidade de pessoas.

Plotino (c. 205- c. 270).
Filósofo de expressão grega, n. em Licópolis, Egito. Estudou em Alexandria, com Amônio Saccas, de 233 a 244, a cujas doutrinas neoplatônicas aderiu e cultivou, fazendo-se o principal filósofo do neoplatonismo, ao mesmo tempo que asceta e celibatário.
Plotino se integrou, em 244, na expedição romana do imperador Gordiano na guerra de conquista da Pérsia. Mas Gordiano foi assassinado na Mesopotâmia e Plotino se refugiou em Antioquia, transladando-se em 245 para Roma, e ali fundou uma escola. Celibatário, por último se retirou para uma localidade próxima, na Província de Campânia, onde faleceu.

O sistema neoplatônico de Plotino abandonou as idéias reais de Platão, situando estes exemplares arquétipos na mente do Logos divino. Desdobrou o ser em sucessões, que emanam na forma de uma trindade divina, - o Uno, o Logos, a Alma do mundo. Esta última, finalmente, faz emanar as almas humanas e a matéria.

O tom gnosiológico de Plotino é o do racionalismo platônico, segundo o qual o pensamento opera independizado da experiência. Nesta forma racionalista o neoplatonismo se retransmitiu aos primeiros cristãos em geral, notadamente a Agostinho e ao agostinianismo medieval. Na oposição está o racionalismo moderado de Aristóteles, com a experiência como ponto de partida da inteligência, que a partir dela, mediante abstração, sobe aos universais. A peculiaridade do sistema de Plotino é, pois, o seu monismo panteísta por emanação. O pleno existe antes dos graus menores de perfeição. O nosso conhecimento percorre o caminho inverso; vai dos graus menores de perfeição, subindo de retorno ao conhecimento do pleno.

Por acréscimo, o neoplatonismo de Plotino inseriu a doutrina da emanação mediante processões entre os seres eternos. Enquanto Platão havia estabelecido 3 categorias de seres eternos não interdependentes (Ideías reais, Demiurgo, matéria eterna), os neoplatônicos os colocam num processo de sucessão.

O neoplatonismo de Plotino se reduz à escola neoplatônica de Alexandria, porque obedece ao esquema trinitário ali desenvolvido anteriormente por Filo e Numênio. O situamento de Plotino em Roma difundiu amplamente no Ocidente romano, inclusive na África latina, a filosofia neoplatônica.

Na ordem das processões desenvolvidas por Plotino, no início está o Uno (tò Hén) . Entre as características do Uno se destacam a bondade e a total transcendência em relação à matéria. Esta, no extremo oposto, não é nem una, nem boa.

Do Uno emana o Lógos, com caráter de pensamento hipostasiado, substancializado. Nesta primeira processão eterna ocorrem as idéias, já contendo a dualidade, peculiar ao conhecimento.

A Alma do Mundo procede do Logos, o que também acontece desde sempre. Até aqui temos o modelo neoplatônico aproveitado pelos cristão para montar uma doutrina racionalizada da Trindade das pessoas divinas. Na continuação do processo emanativo proposto por Plotino, a Alma do Mundo gera as almas individuais e respectivamente a matéria.

Consiste a moral e a ascese no esforço de retorno desde esta última irradiação material do ser. A degradação se inverte em reunificação.

A doutrina da transcendência radical não permitiu a criação direta do mundo material, porque o Uno não poderia tocar a extremidade inferior. A idéia da intermediação é também visível na doutrina cristã, segundo a qual o Lógos (como João denomina a Jesus) é o intermediário entre a humanidade e a pessoa do Pai Eterno. É também ao Lógos que se atribui a sabedoria que governa o mundo. É ainda ao Espírito Santo que se incumbe a santificação. Numerosos temas particulares são tratados por Plotino. A alma existe antes da vida presente e se conserva depois. O belo, já definido por Platão, pelos estóicos e tantos outros, recebe especial tratamento de Plotino, cujo texto se tornou por isso apreciável, a Enéada I,6. Situa o belo na proporção das partes. Encontra-se mais nos objetos vistos, mas também está nos objetos dos demais sentidos, bem como na ciência e na virtude.

Proclo (Proklos) (410-485).
Filósofo de expressão grega, nascido em Constantinopla. Filho de um advogado da Lícia, foi por isso denominado também o Lício. Pelos 20 anos veio para Atenas, estudando sob Plutarco, da Academia, e logo pelo seu sucessor Siriano, a quem se referiu com admiração (Teologia platônica I,1). Em 437 o mesmo Proclo assumiu a direção da Academia. Esta aliás não demoraria de ser fechada repressivamente em 529 pelo imperador Cristão, Justiniano, de Constantinopla.
Foi Proclo o último grande representante do neoplatonismo pagão, que então acabava de se substituir pelo neoplatonismo cristão, dos patrísticos.
Inspirado embora em Plotino, desenvolveu uma nova forma triádica de processão emanativa. O primeiro momento é o repouso, o permanecer (moné). O segundo produz o sair (próodos). O terceiro é o retorno (Epistrofé).
Em cada nível da processão, mesmo no primeiro, se dão derivações dos deuses da mitologia clássica.
Com referência à matéria, que em Plotino deriva da alma, em Proclo já deriva do uno inicial e infinito.
Notadamente sistemático, Proclo se tornou o escolástico do helenismo e um precursor da escolástica medieval, como comentador que foi principalmente dos livros de Platão, e ainda de Aristóteles, do qual foi o editor .
Obras:
Comentários aos diálogos platônicos República, Parmênides, Timeu, Alcibíades I (os quais se conservam ainda hoje), Fedon, Górgias (desaparecidos); Comentários aos Oráculos caldaicos (desaparecidos); Teologia platônica (didaticamente similar a um comentário); Elementos de teologia (Stoicheíoosis theologiké), sistemático, impresso 1-a vez 1618; Elementos de física (sistemático).
Ensaios menores e de circunstância, dos quais alguns subsistem apenas em traduções medievais de Guilherme de Moerbeke:
Sobre dez dúvidas a respeito da providência (De decem dubitationibus circa providentiam); Sobre a providência e a sorte (De providentia et fato); Sobre a permanência do mal (De malorum subsistentia).
Ainda entre as obras perdidas: Dos símbolos míticos; Da teurgia; Contra os cristãos; Teologia órfica; harmonia de Orfeo; Pitágoras; Platão, etc. As edições modernas completas atingem cerca de 6 volumes.

ORQUÍDEA


sábado, 4 de setembro de 2010

TERCEIRO PERÍODO DA FILOSOFIA ANTIGA: O PLATONISMO PÓS-SOCRÁTICO.

Neopitagorismo
O neopitagorismo e o neoplatonismo se desenvolvem com alguma autonomia em relação à Academia; no fundo, entretanto, se trata de um só grande contexto, tendente a um saber racionalista independente da razão fundada na experiência e de tendência para uma fonte mística, em que também participam as religiões de então, o gnosticismo, o judaísmo e o cristianismo. Há ainda uma série de pseudo-escritos atribuídos ao pré-socrático Pitágoras, que, entretanto, são desta época pós-socrática. Entre outros destes escritos pós-socráticos, se citam os Versos de Ouro, ditos de Pitágoras, repertório de moral sentenciosa.
Pela volta do século 1-o a.C. as idéias trinitárias penetram a filosofia. Dali resulta o neopitagorismo e o neoplatonismo, além da atividade da Academia . Tais idéias trinitárias, existentes nos mitos das religiões orientais, ganham agora um embasamento filosófico. O cristianismo também apresenta a doutrina da Trindade, sobretudo a começar do século 3-o, vindo logo a declará-lo um dogma.
O ser é apresentado como polivalente e emanando, de tal maneira que no alto se encontra o Uno, a seguir o Logos (que se traduz ao latim por Inteligentia ou Verbum), em terceiro lugar a Alma do mundo. Finalmente derivam as almas individuais e a matéria. Por espécie de retorno mental, ou místico, se processa a marcha inversa, pela qual a alma humana finalmente se extasiava em união com o Uno. Variações secundárias ocorriam entre os filósofos, mas que não retiram a mentalidade geral do movimento.
Criava-se, assim, uma filosofia de embasamento para as teologias trinitárias. Por isso mesmo adquiriu importância histórica a filosofia místico-platônica dos primeiros séculos cristãos, notadamente o neopitagorismo, o neoplatonismo judaico e finalmente o neoplatonismo de Plotino. Reage entretanto o judaísmo que se conserva unitariano, o mesmo acontecendo depois com o arianismo cristão e o islamismo.
Não há uma data precisa do início do neopitagorismo, como também seus representantes nem sempre se distinguem claramente dos neoplatônico. Talvez sua tradição seja linear, desde às ligas pitagóricas da velha Magna Grécia. Entretanto, alguma diferença acontece.

Nigidio Fígulo (+ 45 a.C.), fez-se conhecer como primeiro neopitagórico. Foi amigo de Cícero e autor de uma obra sobre os deuses.
Numênio de Apaméia, também do fim do 2-o século e já sob a influência do neoplatônico judeu Filo, apresenta uma doutrina de três deuses: o Supremo supra-sensível, o Demiurgo que põe forma na matéria, o universo que ele formou.
A concepção trinitarista de Numênio é uma etapa no desenvolvimento de uma estrutura de pensamento, que terá depois um tratamento mais desenvolto na metafísica de Plotino e finalmente dos pensadores cristãos, particularmente Agostinho. Dos escritos de Numênio restam ainda fragmentos.
Ocorrem reflexos neopitagóricos sobre os essênios e através destes sobre os primeiros cristãos, como sobre Eusébio de Cesaréia (séc. 4-o). Acredita-se que as práticas purificatórias e outros ritos, chamados mistérios ou sacramentos, tenham influenciado aos cristãos. De futuro serão os neopitagóricos bastante aguerridos contra os cristãos. Celso, em 179, escreverá contra os cristãos, tendo estes seu defensor em Orígenes.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

TERCEIRO PERÍODO DA FILOSOFIA ANTIGA:FILOSOFIA HELÊNICO-ROMANAO PLATONISMO PÓS-SOCRÁTICO.

Acadêmicos e neo-acadêmicos

Foi a academia muito atuante em quase todo o período pós-socrático, prosseguindo na mesma linha de Platão, todavia com alguma tendência ao pitagorismo.
Para os historiadores, fez-se conhecida como Academia antiga nesta fase imediata ao mestre fundador.
Fizeram-se conhecidos como seus primeiros chefes, ao mesmo tempo que contemporâneos de Aristóteles:
Espeusipo (348-339 a.C.),
sobrinho do mesmo Platão e sobre cujas obras perdidas sabemos pelas críticas que Aristóteles lhes fez;
Xenócrates (339-315 a.C.), que acompanhara a Aristóteles a Ásia Menor, de onde voltou mais cedo para dirigir a Academia, e sobre cujos escritos também informa o mesmo Aristóteles, bem como sobre sua tendência pitagórica.

Não demora a Academia Antiga a passar para o probabilismo, quando então entrou a ser denominada pelos historiadores Academia nova, ou seja dos neo-acadêmicos.
A Nova Academia subdivide-se em Academia média, que é o tempo de Arcesilao (c. 315-240 a.C.) e Terceira Academia, sob Carnéades (215-129 a.C.).
Numerosos se fizeram os neo-acadêmicos, ao longo de todo o período helênico romano.

Arcesilao de Pitane (Arkesilaos) (315-240 a.C.).
Filósofo de língua grega, nascido em Pitane, Eólia (Ásia Menor). Um dos principais neo-acadêmicos, superado apenas por Carnêades. Em Atenas estudou inicialmente com o aristotélico Teofrasto, passando depois à Academia, onde escutou Crantor, Polemon, Crates.
Destes recebeu a diretriz platônica. Mas também influem sobre ele os megáricos. Dada ainda sua adesão ao ceticismo moderado de Pioro, passou a ser interpretado como probabilista; de acordo com o probabilismo, propôs, como Pioro, a suspensão do juízo ante o impasse de alcançar a certeza, por falta de suficiente evidência.
Assumindo, como sucessor de Crates, a direção da Academia, Arcesilao imprimiu-lhe novo desenvolvimento, ao mesmo tempo que lhe dando sua diretriz ceticista. Em consequência foi chamado fundador da Nova Academia. Dali porque seus seguidores se denominaram neo-acadêmicos.
Mas, subdividida a história da Nova Academia, esta sua primeira fase, a de Arcesilao, se denominou Academia Média já na antiguidade.
Das doutrinas de Arcesilao restam textos fragmentários, todavia acrescidas de várias referências transmitidas por Diógenes Laércio (IV, 28-45), Filodemo de Gadara, Cícero (Acad. Post., I, 12, 45), Sexto Empírico (Hyp. Pyrr., I, 234; Adv. Mth., VII, 153; Suidas).

Carnéades (c.214-129 a.C.).
Filósofo de expressão grega, nascido na então colônia grega de Cirene (Líbia). Vindo para Atenas, aprendeu com Diógenes o Babilônio a lógica estóica. Estudou também os escritos do estóico Crísipo. Mas opôs aos estóicos o ceticismo.
Foi o 4-o sucessor de Arcesilao na Academia, tendo sido o seu representante mais significativo na fase conhecida por Academia Média. Em 156 a.C. chefiou a embaixada ateniense enviada à cidade de Roma, quando ali despertou a admiração pela retórica e conteúdo do seu discurso.
Conduziu Carnêades a Academia e o platonismo para o ceticismo. Propôs a suspensão do juízo definitivo, alegando a impossibilidade de decidir, porque toda a prova supõe uma prova seguinte.
Não consta houvesse escrito algo, sabendo-se de suas doutrinas apenas o que foi referido em obras de seus discípulos, das quais sobram também só fragmentos. Mesmo assim são importantes para a história da teoria do conhecimento.

Plutarco (c.46 - c.120).
Escritor grego, nascido em Queronea (hoje Kaprena), Beócia. Estudou em Atenas, quando se ligou à Nova Academia. Foi sacerdote em Delfos. Transitou por Alexandria, Egito. Esteve na Itália de 75 a 95, talvez com uma escola em Roma. Foi Procurador Romano em Acáia. Escreveu em Queronea grande parte de suas obras.
Assistemático, não chegou a ser um filósofo definido, mas apenas no sentido de um pensador, e nesta forma logrou ser muito lido, exercendo ainda vasta influência no Renascimento, e depois ainda até o século 19. O estilo é o de um clássico.
Praticou um ecletismo dominantemente platônico, assumindo também idéias e explicações científicas de Aristóteles. Mas se opõe aos epicuristas e estóicos, ainda que em alguns pontos deles se aproxime. Destaca-se como humanista sereno e equilibrado, atuando com civismo e fé na cultura de seu tempo. Monoteísta, mas com divindades intermédias, o que permitia aceitar os muitos deuses da antiga religião. Plutarco assume as vezes o aspecto de neopitagórico eclético.
Obras:
Vidas paralelas (Bioi paralelois), 64 biografias de homens notáveis gregos e romanos, tratados aos pares, a fim de estabelecer comparações;
Obras morais (Ethikà), título posterior conjunto de 65 escritos os mais diversos de filosofia, moral, literatura, história. Sabe-se que muitas obras se perderam, pois lhe eram atribuídos 227 títulos.
Destacam-se alguns títulos mais especificamente filosóficos, citados geralmente pelo título latino. Obras exegéticas - Questões platônicas (Quaestiones platonicae); Da criação da alma no Timeo (De animae procreatione in Timaeo). Obras polêmicas, contra os estóicos e epicureus - Contestações aos estóicos (De repugantiis stoicis); Das noções comuns contra os estóicos); Não se pode todavia viver suavemente segundo Epicuro (Ne suaviter quidem vivi posse secundum Epicurum); Contra Colotes (Contra Colotes); Do viver oculto (De latenter vivendo).
Escritos vários: Da face no orbe da lua (De facie in orbe lunae); Tratado da alma (De anima); Sobre se os afetos são parte da alma, ou faculdade dela (Quod in animo humano affectibus subjectum pars ne sit eius an facultas); Se a libido e a doença são do corpo ou da alma (Utrum animae an corporis sit libido et aegritudo).
Tratados éticos: Se a virtude é ensinável (Virtutem doceri posse); Da virtude moral (De virtute morali); Da virtude e do vício (De virtute et vitio); Sobre a tranquilidade da alma (De tranquilitate animae); Se basta o vício para a infelicidade (An vitiositas ad infelicitatem sufficit); Se as afecções da alma ou do corpo são piores (Animae an corporis affectiones sint peijores); .... (De profectibus in virtute); Sobre a sorte (De fortuna); Da repressão da ira (De cohibendi ira); Da tagarelice (De garrulitate); Da curiosiodade (De curiositate); Da ganância pela riqueza (De cupiditate divitiarum); Do falso pudor (De vitiose pudore); Da inveja e ódio (De invidia et odio); .... (De se ipso citra invidiam laudando); Sobre o número de amigos (De amicorum multitudine).
Tratados religiosos: Da vingaça tardia dos deuses (De sera numinis vindicta); Sobre Iside e Osiris (De Iside et Osiris); Sobre a superstição (De superstitione); Do gênio de Sócrates (De genio Socratis).

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ACOLHIMENTO
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domingo, 29 de agosto de 2010

TERCEIRO PERÍODO DA FILOSOFIA ANTIGA:FILOSOFIA HELÊNICO-ROMANA.

PERIPATÉTICOS PÓS-SOCRÁTICOS
A escola peripatética é continuadora do pensamento de Aristóteles, com centro no Liceu, situado a nordeste de Atenas. Há sinais de que já Aristóteles houvera dado inicio a uma biblioteca e coleções de materiais para estudo de animais, plantas, minerais, de onde resultou o sucesso da escola, e mesmo a sugestão para criações semelhantes em outras escolas, inclusive para a fundação da biblioteca de Alexandria.
Continuou o Liceu atuante pelo menos um século, até cerca de 225 a. C., a partir de quando diminuem as informações. Os primeiros escolarcas do Liceu se mantêm mais próximos do mestre; os posteriores serão mais ecléticos, anexando elementos platônicos e estóicos, estes aliás sempre próximos do aristotelismo. Na série dos escolarcas se destacaram sobretudo Teofrasto (375-288 a.C.), com uma atuação similar ao mesmo Aristóteles, e Andrônico de Rodes (c. 60 a.C.), o editor ou reordenador da obra de Aristóteles. Outros muitos peripatéticos houve, como Aristoxeno de Tarento (4-o século), e toda uma plêiade de comentadores.
Os comentadores de Aristóteles exerceram, bem como ainda exercem hoje, importante papel didático no estudo do aristotelismo.
Importa notar, todavia, que alguns não se reduziram a serem apenas comentadores, porquanto também emitiram pensamento próprio; este é o caso de Alexandre de Afrodísio, comentarista e ao mesmo tempo um filósofo aristotélico.
Outros comentadores sequer foram aristotélicos.
Themístio (317-390), de Constantinopla, um neoplatônico independente, um quase peripatético tardio, foi um comentador eloquente de Aristóteles.
Símplicio (entre 500 e 600 em Atenas) foi outro neoplatônico comentarista de Aristóteles, buscando conciliá-lo com Platão.
Cita-se também com destaque João Filopono (6-o séc.) (vd...), do círculo neoplatônico de Alexandria, ao mesmo tempo que cristão monofisita, erudito comentador de Aristóteles, com influência sobretudo futura.

Teofrasto de Eresos (372-285 a.C.).
Filósofo e naturalista grego, nascido em Eresos, Ilha de Lesbos, 12 anos mais novo que Aristóteles e brilhante como este. Foi não somente o companheiro de trabalho de Aristóteles, como também seu eficaz sucessor no Liceu de Atenas, 322 a.C., dirigindo-o por 37 anos. Como estudante, poderá ter sido colega de Aristóteles já desde o tempo em que teria sido aluno da Academia de Platão. Ampliou Teofrasto as atividades do Liceu, consolidando a diretriz já adotada pelo fundador, que organizara os estudos por especializações. Ele mesmo abriu um leque de pesquisas, quer no campo da filosofia, quer no das ciências naturais, sobretudo da botânica.
Doutrinariamente, seguindo embora ao sistema de Aristóteles, fez-lhe contudo alguns reparos.
Quando o mestre dizia que a inteligência (nous) entrava no corpo como que por uma janela e com isso mantinha elementos do dualismo platônico, adotou uma consideração mais próxima do materialismo. Neste particular seguiu Teofrasto o naturalismo de Stratão.
Colocou também em dúvida a doutrina aristotélica do Primeiro Motor. O movimento poderia, no seu entender, ser inerente à essência mesma da coisa.
Retocou também a lógica aristotélica, especialmente na parte referente aos silogismos hipotéticos e disjuntivos.
Em psicologia sistematizou o estudo dos caracteres, que diferenciam as pessoas.
No plano das ciências naturais figura Teofrasto na história do desenvolvimento das mesmas; distinguiu sistemas, como os seres vivos em animais e plantas, estas em fanerógamas e criptógamas.
Ainda no campo das ciências positivas Teofrastro fez a história das ciências, em particular da filosofia. Seu livro Opinião dos físicos, com informações retomadas por outros historiadores, deram início a uma corrente de informações, de que muito se vale hoje a história da filosofia.
Das 240 obras escritas por Teofrasto e mencionadas por Diógenes Laércio, conservaram-se: Ciência das plantas (Perì phuton historías, 9 livros); Sobre as causas das plantas (Perì phyton aitíon, 6 livros); Sobre as pedras (Perì liton); Sobre o fogo (Perì purós), opúsculo; Opiniões dos físicos (Perì Physikôn doxôn), 18 livros, de que restam fragmentos; Caracteres (Charaktéres), sobre tipos de pessoas; Metafísica (Tà metà fusiká), título dado posteriormente. Dos demais livros restam fragmentos de tamanho diverso.
Aristoxeno de Tarento (4-o século a.C.).
Filósofo e músico grego, discípulo direto de Aristóteles e professor no Liceu, de Atenas. Nascido em Tarento, na então Magna Grécia (Sul da Itália), trouxe consigo conhecimentos e influências pitagóricas, em música, psicologia e ética.
Atuou dentro do esquema das especialidades introduzidas por Aristóteles no Liceu, na qual, por exemplo, Teofrasto pesquisou a botânica, Dicearco a história, Aristoxeno a música.
Suídas informa que havia escrito 453 livros. Dos livros sobre música restam dois: Elementos de harmonia (Harmonika stoicheia); Elementos de rítmica (Rytmika stoicheia), alguns fragmentos. Escreveu ainda: Vida pitagórica; Proposições pitagóricas.

Andrônico de Rodes (sec. 1-o a.C.).
Filósofo de expressão grega. Atuou em Roma (vd Logos). Foi 10-o escolarca do Liceu, em Atenas.
Reordenou as obras de Aristóteles, reencaminhando desta sorte seus estudos, com o consequente aumento de seus comentadores, mesmo na área fora do aristotelismo.
Havendo situado os livros da Filosofia Primeira após aos livros da Física, deu oportunidade a que passassem a ser denominados Metafísica (literalmente Metà tà Physiká = após a Física). O peripatetismo que volta a ser renovar permanece de novo significativo, até o comentador Alexandre de Afrodísio (entre 2-o e 3-o séculos), quando depois deriva para formas neoplatônicas.
Obras: Comentários aos livros de Aristóteles Categorias; Física; Ética.

Alexandre de Afrodísio (entre 2-o e 3-o séculos), chamado também o Segundo Aristóteles.
Filósofo de expressão grega, nascido em Afrodísias, Cária (região da Ásia Menor), onde então se desenvolvia grande atividade inteletual. Alexandre foi discípulo de Sosígenes, ambos representantes finais da Escola Peripatética, visto que depois se seguirão os comentadores neoplatônicos de Aristóteles.
O local principal de seu magistério foi Atenas, onde lecionou de 198 a 211, com nomeação do Imperador Septímio Severo. Possivelmente tenha estado também na cidade de Roma, o que se pensa poder deduzir do fato de haver dedicado um seu livro aos imperadores Severo e Antonino (= Caracala).
Fez-se conhecer Alexandre como o mais notável comentador clássico de Aristóteles e por isso denominado o Exegeta. Criou o modelo do grande comentário, em que é apresentado o texto por partes e cada parte seguida do respectivo esclarecimento. Traduzidos os comentários para o sírio e o latim, influenciou amplamente a um só tempo aos bizantinos (pelo seu texto original em grego), ao mundo islâmico (através do sírio) e ao Ocidente cristão (através do latim).

Também criou pensamento próprio. Mesmo quando quis comentar objetivamente ao sistema de Aristóteles, situou-se naquela corrente de intérpretes, que desvestiu ao mestre de elementos platônicos remanescentes. Somente haveria forças naturais.
A alma, como forma do corpo, segundo Afrodísio, não seria imortal, desvanecendo-se com a desintegração da matéria. Também não haveria um motor transcendente, separado do mundo; um elemento exterior, ou o fado, impediria a liberdade. De outra parte, o inteleto agente seria apenas um, situado no círculo exterior, atuando sobre as inteligências individuais e de inteleto passivo.
Em decorrência dos pontos de vista próprios de Alexandre, criaram-se aristotelismos chamados alexandrinistas. Foi o caso no curso da Idade Média e sobretudo na Renascença, quando os aristotélicos alexandrinistas (dominantes em Bolonha, representados por Pedro Pomponazzi e Júlio César de la Scala), se opunham aos aristotélicos averroistas (predominantes em Pádua), e aos aristotélicos escolásticos (caracterizados sobretudo pelos tomistas).
Nega, também, Alexandre a Providência. Contestou aos estóicos a concepção de um Deus imanente ao mundo e com isto afastando a respectiva doutrina da Providência. Também contestou a mescla por interpenetração dos corpos. Tais doutrinas influenciariam a filosofia árabe e medieval, representando o peripatetismo-alexandrinista do Renascimento.

Obras.
Perdeu-se uma parte dos comentários de Alexandre a Aristóteles. Mas os textos perdidos persistiram em fragmentos e referências ocorridas em outros autores. Havendo comentado todos os livros lógicos, ou seja do Órganon, conservam-se os comentários aos Primeiros analíticos, liv. l, e aos Tópicos. Estão perdidos, pois, os comentários aos Primeiros analíticos, liv. II; aos Segundos analíticos, às Categorias, à Interpretação, à Refutações sofísticas.
Conservam-se os comentários à Metafísica, mas sendo de Alexandre os comentário dos livros l a V, pois os restantes são de Miguel de Éfeso.
Também se conservam os comentários à Meteorologia e à Da sensação. Perderam-se os comentários à Física, à Do céu, à Da geração e corrupção, à Da alma.
Enfim, das obras de pensamento próprio, restam: Sobre a alma (A , D Â R L P ­ H ); Sobre o destino (A , D Â , Æ : " D : X <>
Fonte:
Enciclopédia Simpozio

sábado, 28 de agosto de 2010

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

TERCEIRO PERÍODO DA FILOSOFIA ANTIGA:FILOSOFIA HELÊNICO-ROMANA.

Escolas Socráticas remanescentes e novas escolas.

Introdução.
No fim do 4-o século a. C. alteraram-se profundamente as condições políticas e culturais de todo o Ocidente e Ásia Menor. O novo contexto político veio a ser denominado mundo helênico-romano, em função a dois povos que o dominaram, com uma perduração de cerca de mil anos.
A mudança se processou em tais dimensões, mesmo na filosofia, que ficou inadequado usar-se para o novo tempo desta simplesmente o nome de período pós-socrático; contudo, faz-se o uso por mera comodidade. O nome plenamente adequado é o de filosofia helênico-romana.
A transformação política iniciara em 334 a.C., quando Alexandre Magno se lançou à conquista do Império Persa, avançando até a Índia no Oriente. Falecido prematuramente em 323 a.C., seus generais dividiram o grande espaço em vários novos reinos, mantendo todavia o novo espírito. Destacaram-se dois, - o reino dos Seleucidas, com a capital em Antioquia da Síria, e o reino dos Ptolomeus, com capital em Alexandria, no Egito.
Ficaram também alteradas as condições do desenvolvimento cultural. Sobretudo em Alexandria a cultura alcançará notória prosperidade, com suas escolas e grande biblioteca; chegou a ser considerada uma segunda Atenas.
Mais no Ocidente crescerá o poderio de Roma. Esta conquistou as cidades gregas do sul da península itálica, sem todavia destruir a anterior cultura grega. Aos poucos também conquistou o Norte da África Ocidental, vencendo ali sua próspera concorrente, Cartago.
Enquanto durava este processo de conquista do Norte da África Ocidental, - que passaria a ser conhecida como África Latina, - Roma sutilmente fará a política de equilibrio com Alexandria; por sua vez Cartago se havia apoiado em Macedônia e em Antióquia da Síria.
Apoderaram-se os romanos primeiramente da Grécia e Macedônia, de 200 a 197 a.C., a pretexto do apoio ali encontrado por Anibal, de Cartago.
Antióquia da Síria, que houvera apoiado Macedônia, continua combatida por Roma e se enfraqueceu. Dali porque readquiriram os judeus, súditos de Antioquia, a sua independência, estabelecendo-se então o reino dos Macabeus (150-62 a.C.). Mas, em 64 a.C., os romanos integram no seu vasto domínio também a Síria e o reino dos Macabeus.
Agora o maquiavelismo romano já não mais vê sentido apoiar o Egito; derrotando a rainha Cleópatra, anexaram o Egito ao Império Romano em 31 a.C. Estava refeita a unidade do Império de Alexandre Magno, ainda que de um novo modo e em dimensões ainda maiores.
A cultura helênica, já bastante vasta, se expandiu primeiramente por todo o Oriente, no espaço maior criado por Alexandre Magno e seus sucessores seleucidas e ptolomeus. Nesta primeira fase verifica-se a atuação das assim chamadas escolas pós-socráticas, - dos peripatéticos, acadêmicos, epicuristas, estóicos, céticos.
Criado o mundo romano, a cultura helênica, que já cedo existia em várias regiões do Ocidente, expandiu-se ainda mais. Nesta outra fase, a cultura também se processa na língua latina, ao mesmo tempo que prosperando na grega. Institui-se, portanto, uma fase dúplice: helênico-romana. Além disto as formas escolares anteriores assumem formulações renovadas, como quem diz neopitagóricos, neoplatônicos, neo-acadêmicos, novo pórtico (novo estoicismo), céticos novos. No Ocidente o latim se tornará língua exclusiva em relação à grega somente na Idade Média.
No período helênico-romano também se darão profundas transformações sociais; dali o direito romano.
Dão-se mudanças religiosas, pela penetração das formas orientais, igualmente em transformação, de que o cristianismo é o principal exemplo. Com referência ao islamismo é também um exemplo de transformação, todavia mais tardio.
No decorrer do período helênico romano circulava-se do Oriente ao Ocidente. Nesta circulação difundiu-se por toda a parte a filosofia, o mesmo ocorrendo com as religiões, os costumes e as artes.

Subdivisão do período pós-socrático.
É possível determinar vagamente duas fases na filosofia helênico romana.
Uma primeira fase acontece desde o período socrático até o 2-o século d.C. Esta primeira fase é mais tipicamente pós-socrática. Citam-se então as escolas remanescentes, que dão continuidade linear ao pensamento dos grandes mestres Platão e Aristóteles, bem como às escolas socráticas menores.
Na segunda fase do período helênico-romano acontece uma tendência ecleticista, com a penetração do pensamento de umas escolas no das outras. O platonismo penetra no aristotelismo. O pensamento cético em crescimento invade por sua vez o platonismo, de onde resulta a expressão neo-acadêmicos. Cresce também o ativismo religioso, com o domínio final das religiões orientais, sobretudo do cristianismo, num processo todavia bastante ecleticista. Nesta segunda fase acentua-se a importância do neoplatonismo, quer helênico, com Plotino, quer judaico e cristão. O quadro temático da segunda fase do período helênico-romano é o de que se concentrou no ético e religioso.
A distinção entre as duas fases da filosofia helênico-romana não impõe contudo uma divisão didática na exposição de sua história. É possível examinar cada escola mais ou menos linearmente ao longo de todo o período pós-socrático.
O mesmo se pode dizer da distinção entre escolas socráticas remanescentes e as que surgiram com denominações inteiramente novas. Não existe esta inteira novidade, senão de grau. Mas se houvermos de procurar alguma diferenciação maior, elas se encontram no estoicismo, neoplatonismo, e sobretudo na filosofia patrística.
Foi a patrística uma simbiose de estoicismo e neoplatonismo, que, sob inspiração religiosa cristã, se desenvolveu, embora muito de vagar, o suficiente para conseguir atravessar o tempo e finalmente se transpor às novas nações da Idade Média.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

FOTOGRAFIA.


MEUS DOIS GATOS

SEGUNDO PERÍODO DA FILOSOFIA ANTIGA: AS DOUTRINAS DE ARISTÓTELES.

Política
Foi Aristóteles mais realista que Platão em seus conceitos sobre a sociedade política. Apoiou-se no estudo direto das constituições então existentes nas cidades-estados da Grécia.
A sociedade é de origem natural, como em Platão contra os sofistas. É famosa a expressão de Aristóteles:
"O homem é por natureza um animal político" (Política 1253, a 3).
O fim da sociedade é o bem geral. Todavia não inclui nas atribuições do estado todas as tarefas. Exclui, por exemplo, a comunidade socialista dos bens. Impugna a comunidade platônica de mulheres e filhos.
"É melhor ser o último dos primos do que o filho na República de Platão" (Política, 2,c.1, §10-11).
Quanto aos componentes da comunidade, - os cidadãos, - admite Aristóteles a diversidade social. Tolera a situação então vigente, dos servos ou escravos.
"Há uma espécie humana de indivíduos tão inferiores a outros como o corpo o é em relação à alma, ou a fera ao homem; são os homens nos quais o emprego da força física é o melhor que deles se obtém. Partindo dos nossos princípios, tais indivíduos são destinados, por natureza, à escravidão" (Política, I,c.2, § 13).
Não se definiu, pois, claramente contra a escravidão, porque lhe parecia que alguns não têm condição funcional senão a de serem servos. Até seu tempo, sequer as religiões tinham um conceito claro contra a escravidão; somente mais tarde os estóicos desenvolverão as ideias sobre uma sociedade sem a servidão.
A sociedade resulta da união de todos. Mas a extensão desta união ainda não pode ir muito além de uma cidade. Aristóteles não previu o grande Estado, como Alexandre já o estava formando e que passaria a ser o modelo político do mundo helênico e romano.
As formas de governo não são naturais, devendo ser definidas pelas circunstâncias. As formas fundamentais de governo são três: monarquia, aristocracia, república ou democracia. As degenerações respectivas são a tirania, a oligarquia, a demagogia.
Aristóteles admite a todas as formas como possíveis, desde que o monarca e os cidadãos, respectivamente, se dediquem seriamente aos negócios públicos. Prefere a aristocracia no sentido de governo dos ótimos, não no sentido péssimo de oligarquia dos ricos, ou dos poderosos. O melhor estado é o aristocrático, porquanto é concebido como sendo o dos melhores.
Família e Educação
O Estado deve promover a família e a educação, legislando sobre as mesmas.
"Convém fixar o casamento das mulheres nos dezoito anos, e o dos homens nos trinta e sete, ou pouco menos. Assim a união será feita no momento do máximo vigor e os dois esposos terão um tempo pouco mais ou menos igual para educar a família, até que cessem a ser próprios à procriação" (Política, 4,c.14, § 6).
Com vistas à depuração social defende ainda:
"Quanto a saber quais os filhos que se devem abandonar ou educar, deve haver uma lei que proíba alimentar toda a criança disforme. Sobre o número dos filhos (porque o número dos nascimentos deve sempre ser limitado), se os costumes não permitem que os abandonem e se alguns casamentos são tão fecundos que ultrapassem o limite fixado de nascimentos, é preciso provocar o aborto, antes que o feto receba animação e a vida; com efeito, só pela animação e vida se poderá determinar se existe crime" (Política, 4,c.14, § 10).
Só modernamente se veio a saber melhor sobre a vida. Enquanto isto demorou, até moralistas cristãos admitiram o aborto antes da referida animação de que fala Aristóteles, como acontecida apenas em um estágio adiantado da gestação.
O grande Aristóteles, apesar de sua vida relativamente curta (62 anos) e da perda de seus livros mais literários e brilhantes, continua sempre grande.
Não se sabendo dizer se foi mesmo o maior filósofo dentre os até agora nascidos, certamente é Aristóteles ainda uma das cordilheiras mestras do pensamento humano.

Fonte: Enciclopédia Simpozio
http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y098.htm#TopOfPage

ARTE: ESCULTURA.

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Uma homenagem ao meu amor.
Camille Claudel (1864-1943) que amou até a loucura, retratou no mármore, as belas imagens de Pomana e Vertumno.

OBRA DE ARTE

OBRA DE ARTE
Amores na bela Capital Catarinense.