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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O QUE É FILOSOFIA DA LINGUAGEM - William P. Alston


Parte VI

Em segundo lugar, há os que, ao contrário, sustentam que o problema decorre do fato de ser a própria linguagem vulgar inadequada para fins filosóficos, em vista de sua indefinição, ambigüidade, caráter vago e inexplícito, dependência do contexto e de sua natureza propícia a interpretações ilusórias ou equívocas. Esses filósofos, como Leibniz, Russell e Carnap, consideram ser sua tarefa a construção de uma linguagem artificial ou, pelo menos, a delineação de uma linguagem tal em que esses efeitos sejam remediados. Como acentuamos antes, esse empreendimento é, por vezes, estimulado pela convicção de que é possível, pela estrutura dessa linguagem, entender todos os fatos sobre a estrutura metafísica da realidade.

 

Para os nossos propósitos, o interesse principal por essas queixas e esquemas de reforma reside no modo como as concepções gerais da linguagem e da significação estão neles envolvidas. Até a posição mística pressupõe uma certa noção da natureza da linguagem; de outro modo, não disporíamos de base alguma para sustentar que a linguagem é intrinsecamente incapaz de servir como formulação adequada da verdade. As outras posições envolvem, necessariamente, concepções mais positivas das condições em que a linguagem é significativa e desempenha adequadamente suas funções. Assim, o critério de verificabilidade da significação, ao qual aremos a maior parte de um capítulo, promana de uma posição do gênero descrito em último lugar.



O QUE É FILOSOFIA DA LINGUAGEM - William P. Alston

Parte VII

A Filosofia como Análise

A questão final diz respeito à noção de que a tarefa primordial, senão integral, da Filosofia consiste na análise conceptual. A análise de conceitos básicos foi sempre uma preocupação dominante dos filósofos. Nos Diálogos de Platão, Sócrates é representado como se passasse a maior parte do tempo fazendo perguntas como "0 que é justiça?" e "0 que é sabedoria?"

As obras de Aristóteles foram dedicadas, em grande parte, a tentativas para chegar à definição adequada de termos como "causa", "bem", "movimento'' e "conhecimento". Tradicionalmente, tem-se considerado que, por mais importante que seja essa atividade, é ainda preliminar às tarefas básicas do filósofo - as de chegar a uma concepção adequada da estrutura fundamental do mundo e a um adequado conjunto de normas para a conduta e organização social humanas. Mas, em nosso tempo, vem-se fixando a convicção de que o método usado na Filosofia, que pode ser sucintamente definido como reflexões de gabinete, sem a suplementação de observações ou experimentações especiais, não é realmente suficiente para produzir quaisquer conclusões substantivas sobre a natureza do mundo ou as condições em que a vida é bem ou mal vivida; e de que o que está apto a produzir é a clareza no tocante aos conceitos básico em cujos termos pensamos no mundo e na vida humana. Essa transferência maciça do centro de gravidade da atividade filosófica é de particular relevância para a filosofia da linguagem, por causa de uma concomitante mudança da própria idéia da análise conceptual. Há três maneiras muito diferentes de formular um problema em filosofia analítica, quer estejamos tratando de causação, verdade, conhecimento ou obrigação moral. Tomando o problema do conhecimento para nosso modelo, podemos dizer que ; 1. estamos investigando a natureza do conhecimento; 2. estamos analisando o conceito de conhecimento; ou 3. estamos tentando tornar explícito o que uma pessoa está dizendo quando afirma saber que uma coisa é dessa ou daquela natureza. É possível que 1 e 2 sejam metodologicamente falazes. 1 sugere, falsamente, que a tarefa consiste em localizar e examinar uma certa entidade chamada "conhecimento", uma entidade que existe e é o que é independentemente do nosso pensamento e discurso. Infelizmente, ninguém descobriu até hoje uma técnica aceitável para localizar e examinar tais entidades. 2 está sujeito a nos desorientar se não for simplesmente reconhecido como uma forma alternativa de 3, pois sugere que a tarefa consiste em analisar introspectivamente algo chamado "conceito" e descobrir as partes que o compõem e o modo como estão reunidas. Também, neste caso, parece não ser possível desenvolver uma técnica objetiva para fazer tal coisa. Aumenta a convicção de que mesmo quando um filósofo, ao tratar do conhecimento, formula os seus problemas como 1 ou 2, o que ele realmente faz, à medida que os seus resultados têm qualquer valor, é refletir sobre os vários aspectos do uso de "saber" e seus cognatos.

FOTOGRAFIA

O QUE É FILOSOFIA DA LINGUAGEM - William P. Alston

Parte VIII
Assim, à medida que a Filosofia consiste em análise conceptual, está sempre interessada na linguagem. E, se toda nu grande parte da tarefa do filósofo é fazer ressaltar as características do uso ou da significação de várias palavras ou formas de enunciado, então ser-lhe-á essencial proceder de acordo com alguma concepção, geral da natureza do liso e da significação lingüísticos. Isso se torna ainda mais importante quando os filósofos analíticos se envolvem em persistentes debates sobre o que uma certa palavra significa ou sobre se duas expressões ou formas de expressão têm o mesmo ou diferente significado. Há sérias divergências na filosofia analítica sobre se ``Eu sei que p" significa o mesmo que "Eu acredito que p, tenho bases adequadas para acreditar e p é o caso"; sobre se "A é a causa de B'' significa. simplesmente, que A e B estão, de fato, regularmente associados; sobre se "estar triste'' significa o mesmo que "Eu estou triste" e "Ele está triste"; e se qualquer enunciado teórico na ciência pode ter o mesmo significado de alguma combinação de relatos de observação. Quando tais discussões não são resolvidas pelo nosso senso intuitivo do que significam as expressões lingüísticas, o filósofo é forçado a desenvolver alguma teoria explícita do que significa para uma expressão lingüística ter um determinado sentido, e das condições em que duas expressões terão a mesma significação. Assim, à medida que a Filosofia é concebida, primordialmente, como análise conceptual, a filosofia da linguagem ocupa uma posição central na teoria do método filosófico.

ARTE

O QUE É FILOSOFIA DA LINGUAGEM - William P. Alston

Parte Final

Problemas da Filosofia da Linguagem

Tendo visto alguns dos pontos, nos setores mais centrais da Filosofia, em que somos, naturalmente levados para uma análise explícita dos problemas respeitantes à linguagem, podemos agora passar a um breve exame preliminar desses problemas. Como acentuei antes, não seria realista esperar uma unidade compacta nesse assunto. Mas se podemos concordar em considerar a análise conceptual como o âmago da filosofia, então podemos também conceder um lugar de destaque, entre esses problemas, à tarefa de uma análise adequada dos conceitos básicos que usamos ao pensar em linguagem. Embora não haja razão para que um filósofo não ponha suas ferramentas analíticas em ação para trabalhar qualquer dos conceitos básicos relacionados com a linguagem, a tendência tem sido, entretanto, para se concentrar nos conceitos semânticos, por exemplo, o conceito da significação linguística e seus cognatos, identidade de significações etc. Isso se deve, em parte, ao fato de muitas das preocupações filosóficas enumeradas na primeira parte desta introdução levarem, naturalmente, a que se levantem interrogações sobre a natureza da significação e, também em parte, porque o fato de uma certa palavra ter uma determinada significação talvez pareça misterioso, no sentido de que freqüentemente dá origem ã reflexão filosófica. Grande parte deste livro será dedicada á análise de conceitos semânticos.

Seria ilusório sugerir que a filosofia da linguagem. mesmo como é praticada pelos filósofos analíticos, esteja limitada à análise conceptual, ao esclarecimento dos conceitos básicos referentes à linguagem. Há várias outras tarefas que os filósofos tipicamente se impõem. Ë a classificação de atos lingüísticos, "usos" ou "funções" da linguagem, tipos de indefinição, tipos de termos, várias espécies de metáforas. Existem estudos sobre o papel da metáfora na ampliação da linguagem; sobre as inter-relações entre linguagem, pensamento e cultura; e sobre as peculiaridades do discurso poético, religioso e moral. A criação de linguagens artificiais tem sido sugerida para vários propósitos. Há meticulosas investigações sobre as peculiaridades de determinados tipos de expressões, como os nomes próprios e as expressões referentes de plural; e de determinadas formas gramaticais, como a forma sujeito-predicado. Alguns desses problemas se situam na fronteira entre a Filosofia e disciplinas mais especiais e todos eles poderiam ser tratados em uma ou outra dessas disciplinas. Assim, a Psicologia poderia assumir a tarefa de distinguir entre diferentes tipos de comportamento lingüístico e poder-se-ia esperar que a lingüística descritiva fornecesse classificações de tipos de expressões. Mas, se esses problemas pertencem, em princípio, às disciplinas mais especiais, eles pertencem aos seus fundamentos; e a Filosofia tem tido, tradicionalmente, muitas relações com os problemas de elevado nível nas ciências, especialmente quando essas ciências estão nas fases iniciais de construção. Terei alguma coisa a dizer sobre alguns desses problemas. Este livro foi escrito partindo de uma certa orientação filosófica - aquela que é designada, em suas linhas mais gerais, pela expressão "filosofia analítica". Há muita especulação em torno da linguagem, partindo-se de pontos de vista muito diferentes e, nesse caso, os problemas assumem configurações bem diversas. Não é possível nem conveniente que num volume desta dimensão se examinem todos os tópicos filosóficos da linguagem. A título de compensação, incluí na bibliografia algumas sugestões de leituras sobre esses outros tópicos.

Nota: 1 Logic and Knowledge, ediçâo organizada por R. C. Marsh (Londres; George Allen & Unwin, Ltd., 195b).

Fonte:
http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/alston.htm

domingo, 30 de janeiro de 2011

MICHEL FOUCAULT

Quem foi ele?
 
Nascido na França, em 1926, Michel Foucault teve de habituar-se desde cedo a uma certa sensação de deslocamento. Mesmo integrando uma tradicional família de médicos, contrariou as expectativas e enveredou pelas ciências humanas, dando início a uma vasta e profunda produção filosófica. Atuou como professor do Collège de France entre 1970 e 1984, ano em que faleceu.
Vale a pena conhecê-lo por que...
 
“Ele é um crítico da contemporaneidade. Seu trabalho se divide em diversas etapas, nas quais discute temas como a linguagem, a ciência, as repressões sociais e também a subjetividade humana. Ao longo de todos esses períodos, Foucault se debruça sobre questões que envolvem tanto a história da filosofia como os conflitos do homem contemporâneo”, afirma o professor Carlos Matheus.

 

FOUCAULT E O PODER


Foucault entende o poder não como um objeto natural, mas uma prática social expressa por um conjunto de relações. Temos que pensar o poder não como uma "coisa" que uns tem e outros não, como, por exemplo, o pai e o filho, o rei e seus súditos, o presidente e seus governados, etc., mas como uma relação que se exerce, que opera entre os pares: o filho que negocia com o pai, os súditos que reivindicam ao rei, os governados que usam dispositivos legais para fiscalizar o presidente, etc.

Deste ponto de vista, poder não se restringe ao governo, mas espalha-se pela sociedade em um conjunto de práticas, a maioria delas essencial à manutenção do Estado. O poder é uma espécie de rede formada por mecanismos e dispositivos que se espraiam por todo cotidiano - uma rede da qual ninguém pode escapar. Ele molda nossos comportamentos, atitudes e discursos.
Para descobrir como o poder funciona, Foucault vai usar o método genealógico, empregado por Nietzsche para contar a "história secreta" dos valores (ver o texto "Filosofia pós-moderna - Nietzsche"). Vamos ver alguns exemplos disso.

Corpos dóceis
Uma manifestação externa desses poderes que Foucault analisa diz respeito aos seus efeitos sobre nossos corpos, que ele chama de poder disciplinar e que caracterizou determinadas sociedades no século 20.
Foucault argumenta que nenhum poder que fosse somente repressor poderia se sustentar por muito tempo, porque uma hora as pessoas iriam se rebelar. Portanto, seu segredo é que, ao mesmo tempo em que reprime, gera conhecimento e corpos produtivos para o trabalho.
Era comum, e ainda é nos dias atuais, encontrarmos pátios escolares em que se formam filas com crianças para entrar nas salas de aula. Depois, na sala de aula, era preciso que as crianças controlassem suas vontades corporais (fome, vontade de fazer xixi, etc.) até que tocasse o sinal. Este é um exemplo da domesticação de corpos de que fala o filósofo.
Mais tarde, na Igreja, no Exército e nas fábricas, esse indivíduo viveria a mesma rotina de adestramento corporal. O objetivo? Segundo Foucault, maximizar a utilidade econômica de nossos corpos, para o trabalho, e diminuir a força política e criativa, de contestação, que temos também, criaturas cheias de desejos que somos.
Afinal de contas, imagine o que seria de uma sociedade, livre de mecanismos de poder, em que quiséssemos trabalhar ou estudar na hora em que desse na telha e resolvêssemos passar a maior parte do nosso tempo namorando, jogando futebol ou simplesmente não fazendo nada? E, para dar o exemplo para aqueles que são considerados corpos improdutivos para a sociedade, diz Foucault, foram criados asilos para os loucos e prisões para os ladrões. Desse encarceramento surgem áreas de conhecimento como a psiquiatria e a criminologia.
Resistências locais
O ponto em que a teoria de poder de Foucault converge com o pós-modernismo é que, da mesma maneira que lidamos com o fim das visões totalizantes de mundo, o poder também se pulveriza em micropoderes. E, consequentemente, a resistência aos poderes passa a ser local, em ações cada vez mais regionalizadas.
Não adianta investir contra o Estado, achando que ele é a causa de todos os males. Ele é apenas uma das representações desse poder que se exerce em uma série de mecanismos, que reproduzimos todos os dias sem ao menos nos darmos conta disso. Por exemplo, quando tratamos com autoritarismo nossos filhos, namoradas ou pais.
E onde Foucault identifica estes focos de resistências locais aos poderes? Nos movimentos ativistas pelos direitos humanos, além de gays, negros, feministas, ecologistas e outras minorias que se organizaram como pólos de contra-poder, principalmente a partir da década de 1960, quando emerge o pós-modernismo.
Neste nosso mundo pós-moderno, fica cada dia mais difícil saber quem é o vilão e quem é o mocinho. Os super-heróis estão cada vez mais humanos. Ou, como diria Nietzsche, demasiadamente humanos.



sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Continua atual ...

Uma política da cultura
Por Renato Janine Ribeiro

Os artistas se queixam da pouca importância que os candidatos dão à cultura, em seus programas de governo. E infelizmente o próprio fato de que a reclamação venha deles já atesta o caráter secundário do tema. Porque não são eles quem deveria defender a cultura – mas nós, o público. Se essa defesa cabe aos artistas, sua demanda acaba se tornando corporativa – o que não significa que seja ilegítima, mas apenas que falta, ainda, no Brasil a percepção de que a cultura é gênero de primeira necessidade.

É o público que deve pedir, nos programas de governo, por cultura. A idéia-chave é que ela aumenta a democracia e amplia a liberdade. Por isso mesmo, vai além do mero entretenimento. Nada contra nos distrairmos, nos divertirmos, mas o importante mesmo é podermos sair, de uma experiência cultural, diferentes de como éramos antes.



Isso, aliás, vale mesmo para os meios de comunicação mais populares. Não fossem as novelas das últimas duas ou três décadas, a condição feminina no Brasil seria pior do que é. A TV foi criticando o machismo, valorizando a mulher que trabalha, que defende seus direitos, que escolhe o amor contra a conveniência.

Seria bom um ministro, ou um secretário, de Cultura promover uma espécie de censo cultural, mesmo que por amostragem. A hipótese é que haja, digamos, quatro faixas de trabalho com a cultura em nosso país. Primeira, e numericamente a menor: a dos criadores culturais, aquelas pessoas, talvez dezenas ou centenas de milhares, que criam ou ajudam a criar. Eles vivem da cultura, talvez vivam para a cultura.

Segunda, e a mais importante: a de quem precisa da cultura para viver, isto é, para sua qualidade de vida. Talvez esses se meçam em apenas alguns milhões de brasileiros. Mas são quem tem experiências culturais: aqueles que saem de um concerto, de um filme, da leitura de um livro, modificados. Para eles, a cultura é vital. Faz parte de sua identidade. Amplia o sentimento de sua dignidade. Sofrem, sim, abalos (quem sai alegre de um filme como Abril despedaçado?), mas a longo prazo suas vivências culturais os fortalecem.

É por isso que a cultura, qualquer cultura, dá algum poder a quem a freqüenta. Um projeto de cidadania, isto é, de constituição dos brasileiros enquanto reais detentores de direitos, deve ter um lugar importante para a pintura, a música, o cinema, o teatro.

Terceira faixa, talvez a mais numerosa: a de quem vê na cultura apenas o entretenimento. Isso não é errado. É bom que as pessoas relaxem, se distraiam, sintam prazer com a cultura. Ninguém cultiva a cultura só pelo soco no estômago que de vez em quando ela lhe dá. Mas é pena que dezenas de milhões de brasileiros não retirem, de seu contato com as artes, mais que um passatempo. Passar, preencher e matar o tempo não são as melhores coisas a fazer com o tempo livre. O preço desse tipo de experiência rala é que as pessoas nessa faixa não consigam tanta dignidade, tanto poder em suas vidas, quanto poderiam e deveriam ter.

Finalmente, quarta faixa: a das pessoas que mal têm contato com a cultura, nem mesmo como passatempo. São os excluídos, reduzidos a um analfabetismo em termos de seu imaginário.

O que deve ser uma política governamental de cultura? É claro que ela deve apoiar os criadores culturais, nossa primeira faixa. E deve também suprimir a quarta faixa, dando a todos os brasileiros pelo menos o direito ao entretenimento. Mas sua legitimidade democrática não virá de dar dinheiro aos criadores, e sim de tornar estas obras acessíveis – e mais que isso, enriquecedoras – para nós, o público. A meta deve consistir, então, em fortalecer o que eu chamei de segunda faixa, isto é, a das pessoas que crescem pelo contato com a cultura.

No planejamento da área de Cultura essa ação deve ser definida como prioridade, fixando-se até mesmo metas quantitativas. O objetivo é levar quem se distrai com as obras de arte a, também, se enriquecer humanamente com elas – isto é, a "subir" da terceira faixa para a segunda, da cultura-passatempo para a cultura-vida.

Pode se exigir, dos programas apoiados com dinheiro público, incluindo a renúncia fiscal, que tornem públicos seus resultados e benefícios. Um exemplo: cansei de ver igrejas barrocas, nas cidades históricas de Minas Gerais, fechadas à visitação. Foram construídas com o que era dinheiro público, no século XVIII, e restauradas, nos últimos anos, também com nosso dinheiro. Não podem abrir ou fechar ao arbítrio de seus vigários, ou só quando há missa. São de todos nós, inclusive dos brasileiros não católicos.

E cada programa que for apoiado, dentro ou fora da estrutura de governo, deve ter explicitado seu benefício para a sociedade. Mais um exemplo: museus que fecham no final de semana (que hoje são poucos) ou de noite (quase todos) talvez respeitem mais os seus funcionários do que os seus freqüentadores. Quem trabalha no horário comercial dificilmente tem tempo, durante a semana, para ver uma exposição.

Mas o importante é a idéia: que fique cada vez mais claro que a cultura não se faz para o bem de quem a faz, por exemplo, os artistas, mas para o bem de quem a vê, consome ou vivencia. É só isso o que lhe dá força social. E que fique claro qual é esse bem: a cultura fortalece. Dá dignidade.
Fonte: O Globo - Setembro de 2002

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A ARTE DE CAREL FABRITIUS.

Carel Fabritius, pintor holandês, nascido em Midden-Beemster no ano de 1622 e falecido em Delft no ano de 1654.


Filho de Pieter Carelsz. Fabritius, irmão de Barent Fabritius e Johannes Fabritius. Discípulo de Rembrandt e mestre de Vermeer. Trabalhou em Delft e Amesterdão, desenvolvendo uma pintura luminosa de contrastados efeitos cromáticos.


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

GEORG WILHELM FRIEDRICH HEGEL.

Durante sua juventude, quando estudou no seminário de Tübingen e foi colega de classe de Hölderlin, Georg Wilhelm Friedrich Hegel adquiriu conhecimento perfeito da filologia clássica, sobretudo da língua grega. Depois de alguns anos trabalhando como preceptor em famílias ricas, habilitou-se como docente livre em Jena (1801).
Durante seu período em Tübingen, Hegel preparou-se para a carreira eclesiástica e seus primeiros escritos trataram de assuntos teológicos. Ao deixar o seminário, porém, afasta-se da religião e os trabalhos que produz refletem                                                                                                               bamberg hegel  haus Pfahlplatzc
a influência de Kant. Nunca deixará, no entanto, de se preocupar com as questões religiosas.

Além do interesse pelo problema religioso, Hegel sempre se preocupou com as questões políticas. Ele dizia que "a leitura dos jornais é uma espécie de oração da manhã realista". Em 1802, escreveu um trabalho sobre a constituição da Alemanha. A última obra que publicou em vida, Princípios da filosofia do direito, sistematiza suas idéias a respeito da sociedade e do Estado.

De 1807 a 1808, Hegel foi diretor de um jornal em Bamberg, e de 1808 a 1816, diretor do ginásio em Nuremberg. Tornou-se, então, professor da universidade de Heidelberg e, em 1818, foi chamado para Berlim, ocupando a cátedra de filosofia, vaga desde a morte de Fichte.
Hegel tinha grande talento pedagógico, mas era mau orador e pior estilista. Tampouco tinha qualquer atração pessoal, parecendo um pequeno-burguês tranqüilo e às vezes sonolento, "o espírito do mundo em robe-de-chambre", segundo alguns de seus contemporâneos. Mas exerceu influência enorme e seus discípulos dominaram todas as universidades da Alemanha.
No que se refere aos fatos históricos, a Revolução Francesa e o advento de Napoleão são os acontecimentos capitais na vida de Hegel, para quem a Revolução é a tentativa de restauração da cidade antiga - o triunfo da razão e da liberdade, a construção do real de acordo com o pensamento - e Napoleão é "a alma do mundo", a individualidade superior que, perseguindo apaixonadamente seu objetivo, é agente "de um fim que constitui uma etapa na marcha progressiva do Espírito Universal".

Hegelianismo

O sistema filosófico criado por Hegel, o hegelianismo, é tributário, de modo especial, da filosofia grega, do racionalismo cartesiano e do idealismo alemão, do qual representa o desfecho e a realização mais complexa.
De Heráclito de Éfeso, Hegel herda a idéia de dialética, entendida como estrutura da realidade e do pensamento. De Aristóteles, aceita três noções capitais: a do universal, imanente e não transcendente ao individual (antiplatonismo); a do movimento, ou de vir-a-ser, como passagem da potência para o ato; e, finalmente, a das relações entre a razão e a experiência, cuja necessidade interna deve ser revelada pelo pensamento.
Do racionalismo cartesiano, Hegel aceita a idéia da racionalidade do real, ou da consciência das res cogitans (coisa pensante) com a res extensa (coisa material); e do spinozismo, em particular, a intuição de que qualquer afirmação é uma negação, proposição de "importância capital", segundo Hegel.
Do criticismo kantiano, base e ponto de partida da moderna filosofia alemã, Hegel herda, de modo especial, a distinção entre o entendimento e a razão e a idéia de uma lógica transcendental que, remontando às origens do conhecimento, considera os conceitos a priori, em relação aos objetos, formula as regras do pensamento puro e vincula as categorias à consciência de si, ao eu subjetivo.
De Fichte, Hegel aceita a noção de dialética como processo de afirmação, negação e negação da negação, na síntese; e de Schelling, a noção do idealismo objetivo e da identidade do sujeito e do objeto, na consciência do absoluto.
O hegelianismo é um sistema, uma construção lógica, racional, coerente, que pretende apreender o real em sua totalidade. Antes de construir seu sistema, porém, Hegel escreveu a Fenomenologia do espírito. Essa obra, embora seja um resumo fenomenológico do hegelianismo, é também uma propedêutica ou introdução ao sistema criado por Hegel.
O hegelianismo é o último dos grandes sistemas filosóficos do Ocidente. Ele exerceu decisiva influência na formação da teoria da práxis e do existencialismo.
Fonte:                                                                                                              
http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u385.jhtm

SUPERAÇÃO


Podemos passar inúmeras dificuldades, e ter de batalhar muito para alcançar certos objetivos e, ainda assim, morrermos na praia.
Podemos deixarmo-nos consumir pelo trabalho, e perder noites de sono ou deixar de passar finais de semana com a família apenas por que temos extrema necessidade de conseguir recursos para mantermos uma vida digna, ou amargarmos um período obscuro de desemprego.
Podemos assistir a injustiça bater à nossa porta e perceber, infelizmente, que em algumas ocasiões não há absolutamente nada a fazer.
Podemos chorar com o coração partido a perda da pessoa amada ou de um ente querido.
Podemos, por tanta coisa negativa que aconteça, julgarmos que tudo sempre dar errado conosco e maldizermos nossa sorte.
Depois de tudo isto até podemos deixar passar pela cabeça a estúpida idéia de fazer uma grande besteira consigo mesmo, desde que seja exatamente assim:que tal idéia passe – e nunca mais volte, por que a Vida é Superação!
Nós não nascemos andando, não nascemos falando, nem pensando tanta bobagem - e o que não podemos em hipótese alguma é perdermos o ânimo, o espírito, e nossa capacidade de amar, de se superar e de viver.
Obs.: Recebi de alguém num momento de dor.
Fonte:
http://pensador.uol.com.br/superacao/

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

domingo, 16 de janeiro de 2011

IMAGENS

        IMAGENS CONTEMPORÂNEAS


DIFERENTES ABORDAGENS NA ARTE

A FILOSOFIA NA CONTEMPORANEIDADE

A(s) Filosofia(s) do século XX trouxe(ram) uma série de desenvolvimentos teóricos contrários em relação ao que se refere a validade do conhecimento através de conceitos e abstrações absolutas i.e. afirmações universais ou leis gerais. As certezas decorrentes do pensamento clássico foram derrubadas, embora permaneçam como problemas sociais, econômicos e científicos, juntamente com formas novas de conflito e reivindicações concernentes à organização geopolítica e epistêmica do sistema-mundo contemporâneo. O que é a lógica e o que é a ética? São novas perguntas que existem a partir da filosofia do século XX.

Entretanto, essa filosofia era demasiado diferente para que se possa fixar um padrão, que não seja uma série de tentativas de reformar, preservar ou alterar os limites antes concebidos. As formas e caminhos para estes empreendimentos são diversos e distintos. Contudo, suponhamos que seja essencial uma unidade de sentido, diríamos que estas filosofias contestam princípios da ciência moderna (aproximadamente do séc. XVI ao séc. XX).
Novos estudos na filosofia da ciência, Filosofia da matemática, Epistemologia acrescentaram aparentemente tendências antagônicas na contabilidade da consciência e seus objetos, como expresso nas profundas diferenças entre filosofia analítica e continental, as quais tiveram lugar em fundações, no início do século. Os avanços na relatividade, na quântica, na física nuclear e, nas ciências generativas, como a ciência cognitiva, cibernética, genética e generativa linguística, e na rica produção literária, artística, como no Cinema e na Música, foi uma forma enriquecedora de propagar pensamentos filosóficos.
Fonte: Wikipedia, a enciclopédia livre.

OBRA DE ARTE

OBRA DE ARTE
Amores na bela Capital Catarinense.