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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

FILOSOFIA DA CIÊNCIA. Introdução ao Jogo e a suas Regras (Recensão).


Telma Castro
Coordenadora na Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, com atribuições vinculadas a políticas sociais. Formada em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Goiás, bacharelanda no curso de Direito do UniCeub, Brasília

Em Filosofia da Ciência. Introdução ao jogo e a suas regras, Rubem Alves faz um alerta para a necessidade de se desmistificar o cientista, considerado superior, por si, pela classe e pela grande maioria das pessoas comuns, dado ao seu trabalho em busca da verdade, do conhecimento e do desenvolvimento da ciência.

A obra é dividida em onze capítulos, os quais, gradativamente, vão conduzindo o leitor ao mundo da ciência, em um raciocínio bem estruturado, lógico e didático. Ao longo dos temas tratados, são inseridos exemplos, questionamentos e jogos, em uma contínua interação com o leitor. Também sobressaem as críticas, comparações entre pensadores e cientistas e as conclusões a que conduz o raciocínio desenvolvido.

Nos dois primeiros capítulos (O Senso Comum e a Ciência - I e II), a curiosidade do leitor sobre o tema é provocada de início, ao se deparar com perguntas e exemplos que o levam a compreender as diferenças básicas entre senso comum e ciência. Aqui, o senso comum não recebe uma definição específica, mas apenas uma inferência a partir da definição de ciência. Em sendo esta uma "especialização, um refinamento de potenciais comuns a todos", o senso comum seriam "as receitas para o dia-a-dia, bem como os ideais e esperanças que constituem a capa do livro de receitas", ou, na qualificação dos cientistas, "pessoas que não passaram por um treinamento científico". O autor sugere, ainda, e de forma enfática, o risco de que a especialização, aí entendida a ciência, se transforme em uma "perigosa fraqueza", de vez que ela, se mal aplicada, pode contribuir para uma atrofia do pensamento dos não-cientistas, além de limitar a visão do todo pelo aprofundamento do particular. Em outras palavras, deve-se estar ciente de que tanto a ciência quanto o senso comum requerem criatividade para o invento de soluções que buscam a adaptação do ser humano às revoluções da humanidade.

No terceiro capítulo (Em Busca da Ordem) está presente o ponto de convergência entre ciência e senso comum, representado pela busca da ordem, exigência do homem, cientista ou não, desde sempre. Em se tratando da ciência, o estabelecimento da ordem se dá por meio de métodos, cuja sistematização pretende isolar o cientista da influência de subjetividades que possam corromper o "conhecimento objetivo da realidade". O autor, neste capítulo, fortalece a idéia de que a ciência parte da necessidade de solução para um determinado problema, sendo a teoria ou hipótese de trabalho o produto final. A solução, no âmbito do método científico, usa um modelo mentalmente idealizado, hipotético e provisório, que, depois de construído, deve ser pesquisado e experimentado. Assim, entendendo-se a teoria como algo continuamente passível de teste, os fatos objeto do trabalho científico são restritos àqueles decisivos para a confirmação ou negação das teorias postas.

No quarto capítulo (Modelos e Receitas), que trata do estabelecimento da ordem, o autor faz um questionamento no mínimo intrigante, ao afirmar que "o homem foi capaz de manipular as estrelas, os planetas e os satélites". A manipulação, nesse sentido, ocorre no plano da imaginação, quando o cientista analisa uma questão a partir de um modelo. Nessa linha de raciocínio, o modelo representa um artefato construído de conceitos e que nos permite simular o que deve ocorrer sob certas condições. Utilizando várias situações ilustrativas, o autor conclui que as mudanças de modelo são necessárias para a compreensão do problema e, novamente, ressalta que o progresso da ciência depende da ocorrência de anomalias, as quais forçam o trabalho científico na busca de solução.

O capítulo quinto (Decifrando Mensagens Cifradas) propõe formas para se decodificar mensagens cifradas, existentes em coisas aparentemente insignificantes e cujo sentido são um desafio à razão, à inteligência e à persistência do homem. Segundo o autor, a decifração requer uso de chaves que, uma vez identificadas, permitem conhecer o que se pretende. Aqui, o conceito do termo teleológico é introduzido para explicar a importância da finalidade da descoberta do sentido das coisas, pelo uso da pergunta "para quê?". Entretanto, no mesmo diapasão, Rubem Alves nos leva a uma reflexão mais profunda, envolvendo o propósito da própria criação máxima de Deus - o universo. Uma das mais fortes ilustrações utilizadas por ele é a afirmação de Galileu (Il Saggiatore): "O livro da natureza está escrito em caracteres matemáticos", considerada, à época, "subversiva, sacrílega, digna da Inquisição". Essa referência a Galileu foi o mote usado por Rubem Alves para explicar que, na decifração da natureza, a ciência usa hipóteses - ou perguntas - que requerem, para sua confirmação ou refutação, a observação e o experimento.

O capítulo seis (Pescadores e Anzóis) talvez seja o mais elucidativo para o principiante da leitura ou do trabalho científico. Resgatando a frase usada por Karl Popper como epígrafe de seu livro A lógica da investigação científica, "Teorias são redes; somente aqueles que as lançam pescarão alguma coisa", Rubem Alves, faz uma analogia, embora ressalvando a sua incompletude, entre o pescador e o cientista, as redes e as teorias, os peixes e os objetos de estudo, os anzóis e os métodos de pesquisa e investigação. Leva-nos, assim, a entender que o que não é significativo para o cientista não deve ser considerado no decorrer do seu trabalho, ou seja, há que se ter um foco bem definido, uma questão bem formulada, uma hipótese passível de teste, para que o resultado (a pesca) corresponda ao que o cientista (o pescador) buscou como solução para o problema (o peixe). Mais uma vez, o alerta: o pescador, com freqüência, se arvora em dizer que conhece o mistério da lagoa por haver pescado um peixinho; não se sabe, entretanto, se ele utilizou a rede certa ou se haveriam diferentes tipos de peixe cujo melhor instrumento de pesca seria o anzol.

No capítulo sete (A Aposta), Rubem Alves retrata parte da história da ciência, citando a mudança do paradigma da Era Medieval, em que imperava o representante da ordem eclesiástica, para o qual a explicação dos fatos estava no passado. Com os fundamentos apresentados pelos filósofos naturais estabelece-se a preocupação de aprender a partir da natureza. Esse aprendizado dá início aos métodos indutivo e dedutivo, de que a ciência se utiliza. Para Rubem Alves, a dedução é ineficiente para a ampliação do conhecimento, aplicando-se somente em questões de lógica, de raciocínio matemático; por outro lado, a indução, para progredir, requer informações sobre fatos, sendo o resultado da sua aplicação uma probabilidade. Neste ponto, Rubem Alves deixa de falar apenas de fatos e razão, para afirmar que o método probabilístico tem um elemento de crença, por força dos costumes, da repetição.

No capítulo oito (A Construção dos Fatos), deparamo-nos com uma análise bastante clara sobre o pensamento filosófico do positivismo, para o qual tudo se limita aos fatos. Em contraposição a esse movimento, Rubem Alves, concordando com Kant, sugere que ao se limitar a fatos os cientistas evitam os conflitos, de vez que as decisões podem ser tomadas por métodos precisos e objetivos. Porém, esse método não propicia o alcance da explicação pretendida. A simplicidade da correlação entre causa e efeito, de seu lado, também não oferece conhecimento, porquanto se trata de hábitos, automatismos e costumes, que levam o homem a aceitar as coisas como fatos. Entretanto, o que o cientista procura é a integração dos fatos em um esquema teórico-explicativo, o que, em si, requer uma interpretação, uma iluminação que lhes dê vida.

No capítulo nono (A Imaginação), o autor se reporta a vários pensadores, cientistas e filósofos, para ilustrar e definir a questão do método e a sua relação intrínseca com a ciência. O método poderia ser o caminho que conduz à realização dos enunciados universais - as teorias, a partir das amostras, dos dados e dos fatos, na forma proposta pela indução. Poderia também ser uma simples organização de dados, embora estes requeiram a imaginação do homem para lhes atribuir significado. Em outras palavras, os dados apenas fazem sentido quando são organizados na mente. Com um exemplo simples, o autor nos faz observar diferentes coisas a partir de uma mesma fonte, levando-nos à conclusão natural de que tudo nada mais é do que uma questão de perspectiva, da forma como vemos ou analisamos os dados. A perspectiva seria determinada pela imaginação e esta, por sua vez, seria o elo que une o homem ao objeto de estudo. Nessa análise, Rubem Alves se permite contestar os pensadores que renegam a emoção que envolve o cientista quando investiga alguma coisa. Ele não crê que a ciência seja neutra, a partir do entendimento de que o trabalho do cientista exige uma grande dose de amor e paixão, presente nos "vôos da imaginação criadora".

No décimo capítulo (As Credenciais da Ciência), Rubem Alves parte da sugestão de que a ciência é uma entre muitas outras atividades com que se ocupam as pessoas comuns, não existindo, assim, razão para orgulho. Entretanto, ao procurar a verdade, que pode e é testada, o cientista se distingue dos demais profissionais, pois nestes o discurso é função apenas do prazer. Nessa linha, o autor compartilha a sugestão de Karl Popper, segundo a qual apenas a falsicabilidade da ciência, ou seja, a capacidade de ser testada pela experiência, podendo daí ser demonstrada sua falsidade, poderia ser aceita como credencial. Isso porque o falso é conclusivo, enquanto o verdadeiro não o é. Neste ponto, Rubem Alves questiona a razão de os cientistas não divulgarem seus fracassos, já que elas não seriam de cunho metodológico. Mais uma vez em foco a questão da neutralidade da ciência.

O décimo-primeiro e último Capítulo (Verdade e Bondade) traz exemplos e citações de outros autores, que, a princípio, colocam em cheque a afirmação de Popper sobre a falsicabilidade da ciência. Para Kuhn, em especial, poder-se-ia simplesmente deixar correr a história e observar o comportamento dos cientistas, para se compreender os mecanismos que permitem a tomada de decisão. As teorias estariam ligadas à biografia do cientista e ao destino de sua comunidade. Com isso, Rubem Alves conclui que o conhecimento não é suficiente para legitimar a ciência e que esta poderia redirecionar seu foco para a bondade, em vez da verdade. Poderia, simplesmente, voltar-se para a busca do alívio da miséria humana.

Pela estrutura de raciocínio desenvolvida, pode-se dizer que os estudantes iniciados na matéria, professores, pesquisadores e curiosos são os que poderão extrair mais proveito dessa obra, ao se aperceberem da capacidade de Rubem Alves de lidar, com simplicidade didática, de questões comuns e ao mesmo tempo de grande cunho filosófico. O leitor, todavia, pode se julgar insatisfeito, por remanescerem dúvidas sobre o trabalho da ciência, ou, no extremo oposto, motivado a realizar novas leituras, com vistas à elucidação ou mesmo contraposição ao pensamento do autor.
Fonte:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/rev_81/Recensoes/TelmaCastro.htm

terça-feira, 2 de agosto de 2011

ESTÉTICA: MANDALAS.

Jairo Salles

"...é absolutamente necessário resgatar a infinita capacidade de deslumbramento da consciência humana se quisermos reencantar o mundo."
(Basarab Nicolescu- físico romeno)

A proposta do presente ensaio contempla o desafio de dissertar sobre  a verdade imanente em uma obra de arte que tenha efetivamente nos impactado de alguma forma, permitindo que a mesma revele-se sem que enveredemos pelo caminho de julgá-la ou analisá-la.
Sou particularmente aberto às manifestações artísticas, que produzem em mim os efeitos mais diversos, sou frequentemente tocado pela música, pela dança, pintura e empaticamente vibro no que consigo acessar do intento e da expressão dos artistas, assim escolher uma obra na diversidade deste mundo que me evoca tanto encantamento não foi um caminho fácil. 
Enfim, optei por recorrer a obras que tivessem deixado uma impressão muito viva em minha mente-emoção-espírito recentemente, e minha escolha foram as belas mandalas produzidas por minha amiga querida, Dulce Magalhães, e assim não falarei sobre uma delas especificamente, mas sobre as “Mandalas” da artista e o que despertam em mim. O impacto destas obras em mim, refere-se tanto aos efeitos causados pela contemplação das mesmas, à partilha da artista de como iniciou este trabalho e também por já ter tido a oportunidade de acompanhar diante dos meu olhos o processo criativo destas mandalas em tempo real, a produção mágica, o desabrochar da obra, a “descida do infinito para o finito” espaço físico do papel que a conterá, além da observação do impacto que as mesmas causam nas pessoas. A artista eventualmente as nomeia, na intenção ou inspiração, preferi não recorrer aos nomes ou atributos das obras em exposição aqui, permitindo como proposto que se revelem por si mesmas. Poderia obviamente lançar mão  das mais diversas definições e histórias  a respeito de mandalas presentes nas mais diversas tradições sapienciais, no budismo, hinduísmo, na geometria sagrada, nas tradições mágicas, traçando considerações sobre seus significados, seus quadrantes e simbolismos, porém, dentro da proposta, seguirei o fluxo da inspiração e das palavras que surgirem na contemplação.
Mandala é a palavra sânscrita que significa círculo, uma representação geométrica da dinâmica relação entre o homem e o cosmo. 
Mandalas em obras como as apresentadas nas imagens deste trabalho, que vão tomando forma, pela inspiração, intuição e habilidade da artista que expressa em um plano mais objetivo possível, frações do que pode residir no infinito campo de sua interioridade,  permitindo através de sua obra uma viagem à mundos arquetípicos,  ao insólito, ao mistério dão continente à que o observador possa senti-las, absorvê-las, usufrua de sua mensagens e quem sabe compreenda-as além das palavras e dos nossos códigos de linguagem estabelecidos, percebendo a obra que propicia sensações e sentimentos que estabelecem trânsito por e despertam canais de comunicação não usuais.
Do centro da mandala o vazio fértil promovendo desdobramentos luminosos em todos os quadrantes revela o mistério, desafiando a filosofia a pensá-la e analisá-la e enquanto esta permanece restrita a função da consciência – pensamento e não dá conta das mensagens que a arte contém. a mandala manifesta ao olhar atento e aberto inúmeras possibilidades de contemplação dissolvendo as fronteiras de seus círculos concêntricos,  que por  fronteiras, são passagens apenas para ampliação de seu campo, e se por algum momento proporcionam  à razão a impressão de poder contê-la, no instante seguinte a obra que se supõe estática a surpreende com movimentos e emanações de cores na dança harmônica de sua trajetória circular que através de sua simbólica revela um espaço sagrado que atualiza o tempo interior e o tempo divino e torna-se espelho para o ser que observa e este vê o reflexo da dinâmica de sua própria existência exposto pela mandala e em seu abrigo interior mandala-ser tornam-se um na dança-interna-micro-cosmo-dança-do-universo-macro-cosmo.
Tudo torna-se verdade e caminho, no equilíbrio (“balance” ,no “balanço”, na “dança”) imanente na própria vida que as mandalas revelam, demonstrando que tudo tem seu ritmo e vibração, no âmbito desta grande circulação energética natural, dos ciclos revelados pelas tradições, no entrelaçamento, na reconciliação masculino-feminino, claro-escuro, noite-dia, luz-sombra, alertando para a necessidade do inspirar, do expirar, do movimento, na sintonia com a grande respiração já falada por Anaxímenes, para que não haja estagnação na jornada e a vida se dê em plenitude.  E as Mandalas manifestam a harmonia desta dança e convidam à ela, à dança que integra a sensação, a intuição, o  sentimento e o pensamento, pois este será o caminho para a inteireza do ser, e do viés por onde sua verdade é produzida vislumbra-se o Absoluto, o Aberto causando efeitos naquele que permite-se um olhar mais profundo à obra de arte, resgatando sua capacidade de deslumbramento e a sabedoria que reside em sua interioridade e uma vez envolvido por seu encantamento ouve a mandala que diz:
“A verdade fala por minha boca, estou aqui, e tu, que sabes diga quem sou.” (Lacan)   
...e nesta tentativa de dizê-la, de apreende-la o observador sem dar-se conta disto no primeiro instante pensará, falará e revelará a si mesmo, desdobrando-se como uma mandala, a partir de seu centro, em círculos que contém suas dores, suas cores e deleites e assim  a arte cumpre seu papel curador, despertando-o ou o aproximando de um caminho para o reencontro consigo mesmo, e ao aceitar este convite, abre-se o livro da vida e pode –se resgatar a energia criativa e curativa que poderá levá-lo a acessar ou otimizar suas potencialidades e talentos  que residem na verdade imanente de seu próprio ser.             
Talvez, concluo, que para aproximar-me ainda mais do que seria expressar o que a mandala me conta, o que desperta em mim quando a vejo surgir do processo criativo da artista, ou quando a contemplo, ou ainda quando observo quem a contempla, e o convite que me faz à vida, à meditação, à dança, à canção, à usufruir de tudo o que a arte pode conceder-me, preciso, para tanto, recorrer ao auxílio da própria arte, e o farei através de trechos de poemas de Menotti Del Picchia e de Santo Agostinho, que transcrevo a seguir e que a meu ver estão perfeitamente alinhados com o que sinto.
Goza a euforia do vôo do anjo perdido em ti. 
Não indague se nossas estradas, tempo e vento desabam no abismo. 
Que sabes tu do fim ? 
Se temes que teu mistério seja uma noite, enche-o de estrelas. 
No deslumbramento da ascensão, se pressentires que amanhã estarás mudo, esgota, como um pássaro, as canções que tens na garganta. Canta, canta. 
Talvez as canções adormeçam a fera que espera devorar o pássaro. 
Desde que nasceste não és mais que o vôo no tempo rumo aos céu? 
Que importa a rota! 
Voa e canta enquanto existirem as asas"
(Menotti del Picchia)
 
 
“....Louvada seja a dança,
que tudo exige e fortalece,
saúde, mente serena
e uma alma encantada.
A dança significa transformar
o espaço, o tempo e a pessoa,
que sempre corre perigo
de se desfazer e ser ou somente cérebro,
ou só vontade ou só sentimento.
A dança porém exige
o ser humano inteiro
ancorado no seu centro,
e que não conhece
a obsessão da vontade de dominar
gente ou coisas, e que não sente
a demonia de estar perdido
no seu próprio ser.
A dança exige o homem livre e aberto
vibrando na harmonia de todas as forças.
Ò homem, ò mulher, aprenda a dançar
senão os anjos do céu
não saberão o que fazer contigo.”  
 (Santo Agostinho)
Trabalho realizado por Jairo Salles aluno do Curso de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina, Disciplina Estética I, professor Marcos José Muller Granzoto.
Mandalas: Obras de Dulce Magalhães
Imagens: Menotti del Pichia e Santo Agostinho - Google.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

EM NOME DO AMOR.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

ONTOLOGIA

ONTOLOGIA
Na Metafisica, IV, 1, Aristóteles empregava estas palavras: «Há uma ciência que estuda o Ser enquanto ser, e seus atributos essenciais. Ela não se confunde com nenhuma das outras ciências chamadas particulares, pois nenhuma delas considera o Ser em geral, enquanto ser, mas, recortando uma certa parte do ser, somente desta parte estudam o atributo essencial, como procedem as ciências matemáticas.
Mas já que procuramos os primeiros princípios e as causas mais elevadas, é evidente que existe, necessàriamente, alguma realidade à qual tais princípios e causas pertencem, em virtude de sua própria natureza. Se, pois, os filósofos, que buscavam os seres, procurassem esses mesmos princípios, resultaria dai, necessàriamente, que os elementos do Ser são elementos deste, não enquanto acidente, mas enquanto ser. Eis por que devemos estudar as causas primeiras do Ser enquanto ser.»
Estas palavras de Aristóteles sobre a filosofia primeira (prote philosophia, a philosophia prima dos escolásticos) são ainda o melhor e mais claro enunciado sobre a Ontologia ou Metafisica Geral, como também é chamada, porque estuda o ser enquanto ser.
Fonte: WWW.tirodeletra.com.br

sábado, 23 de julho de 2011

POEMA

FILHA
Charles Fonseca

Agora mais uma filha
Terna, doce, discreta,
Dentro em mim um pai desperta
Novo sonho de família

Daqueles de antigamente
Que nome de pai respeita
Que mulher tem não enjeita
Muitos netos e é presente.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Democracia Grega X Democracia Contemporanea

Por Rainer Gonçalves Souza
Mestre em História

Ao falarmos do legado dos gregos para o mundo contemporâneo, percebemos que muitos textos ressaltam como as experiências políticas experimentadas em Atenas serviram de base para a construção do regime democrático. A luta pelo fim dos privilégios aristocráticos e a consolidação de uma sociedade com direitos mais amplos teriam sido os pilares dessa nova forma de governo. Contudo, não podemos afirmar que a ideia de democracia entre os gregos seja a mesma do mundo contemporâneo.

Atualmente, quando definimos basicamente a democracia, entendemos que este seria o “governo” (cracia) “do povo” (demo). Ao falarmos que o “governo pertence ao povo”, compreendemos que a maioria da população tem o direito de participar do cenário político de seu tempo. De fato, nas democracias contemporâneas, os governos tentam ampliar o direito ao voto ao minimizar todas as restrições que possam impedir a participação política dos cidadãos.

Tomando o Brasil como exemplo, percebemos que a nossa democracia permite que uma parte dos menores de 18 anos vote e que as pessoas com mais de 70 anos continuem a exercer seu direito de cidadania. Além disso, a nossa constituição não prevê nenhum empecilho de ordem religiosa, econômica, política ou étnica para aqueles que desejem escolher seus representantes políticos. Até os analfabetos, que décadas atrás eram equivocadamente vistos como “inaptos”, hoje podem se dirigir às urnas.

Para os gregos, a noção de democracia era bastante diferente da que hoje experimentamos e acreditamos ser “universal”. A condição de cidadania era estabelecida por pressupostos que excluíam boa parte da população. Os escravos, as mulheres, os estrangeiros e menores de dezoito anos não poderiam participar das questões políticas de seu tempo. Tal opção não envolvia algum tipo de interesse político, mas assinalava um comportamento da própria cultura ateniense.

Na concepção desta antiga sociedade, aqueles que não compartilhavam dos mesmos costumes de Atenas não poderiam ter a compreensão necessária para escolher o melhor para a pólis. Além disso, observando o modo como os atenineses viam a mulher, sabemos que tal exclusão feminina se assentava na “inferioridade natural” reservada ao sexo feminino. Por fim, os escravos também eram politicamente marginalizados ao não terem o preparo intelectual necessário para o exercício da política.

Dessa forma, não podemos dizer que a democracia ateniense era cingida por uma estranha contradição. Ao contrário, percebemos que as instituições políticas dessa cultura refletiam claramente valores diversos que eram anteriores ao nascimento da democracia grega. Também devemos levar em conta que o nosso ideal democrático é influenciado pelas discussões políticas dos intelectuais que defenderam os ideais do movimento iluminista, no século XVIII.

A distância entre a democracia grega e a atual somente corrobora com algo que se mostra bastante recorrente na história. Com o passar do tempo, os homens elaboram novas possibilidades e, muitas vezes, lançando o seu olhar para o passado, fazem com que a vida de seus próximos seja transformada pelo intempestivo movimento de ideias que torna nossa espécie marcada pelo signo da diversidade.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A MORADA DA SABEDORIA NA HOLANDA

UNIVERSIDADE ASTRONÕMICA DE UTRECH NA HOLANDA.
APROXIMADAMENTE 35.000 TÍTULOS SOBRE CIÊNCIAS.
25.000 SOBRE HISTORIA DA CIÊNCIA.
MAIS DE 60.000 VOLUMES DE JORNAIS CIENTIFICOS.
70.000 ACESSOS PELA INTERNET.
PRECISO DIZER mais ALGUMA COISA?
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FILOSOFIA CONTEMPORANEA.

Max Horkheimer
Filho de um industrial judeu, Max Horkheimer nasceu em 14 de fevereiro de 1895, em Stuttgart, na Alemanha.
Abandonou os estudos em 1911 para aprender um ofício e ajudar na fábrica de seu pai. Participou da 1ª Guerra Mundial e, quando ela terminou, concluiu os estudos e decidiu se especializar em Filosofia e Psicologia, nas cidades de Munique, Friburgo e Frankfurt, onde conheceu o também filósofo Theodor Adorno.
Horkheimer defendeu o doutorado em 1922, sob a orientação do filósofo kantiano Hans Cornelius, com um trabalho sobre a antinomia do juízo teleológico. Três anos depois, daria seguimento aos seus estudos com um trabalho sobre a crítica do juízo em Kant.
Em 1926, começou a trabalhar na Universidade de Frankfurt e se casou com Rosa Rieker. Influenciado por seu amigo Friedrich Pollock (sociólogo e economista alemão), associou-se, juntamente com Theodor Adorno, à criação do Instituto de Pesquisas Sociais, instituição dedicada à pesquisa interdisciplinar entre filósofos, sociólogos, estetas, economistas e psicólogos, mais conhecido pelo nome de Escola de Frankfurt e do qual se tornaria diretor, sucedendo o historiador austríaco Carl Grünberg.

São dessa época a obra "Materialismo, metafísica e moral" e vários artigos publicados na famosa Revista de Pesquisa Social.
A Escola de Frankfurt lançou os fundamentos da chamada "teoria crítica", expressão que designa um conjunto de idéias sobre a cultura contemporânea, baseadas no marxismo mas abertas às influências que o pensamento deve exercer sobre todas as premissas teóricas.

A dialética do esclarecimento

Em 1933, com o fechamento, pelos nazistas, do Instituto de Pesquisas Sociais, Horkheimer foi obrigado a abandonar a Alemanha, passando pela Suíça e chegando à Universidade de Columbia, em Nova York, nos EUA, onde instalou o Instituto.

No início da década de 1940, Max Horkheimer escreve, junto com Adorno, o clássico "Dialética do esclarecimento" (também conhecido como "Dialética do iluminismo") e coordena um estudo sobre o anti-semitismo, além de publicar diversos artigos sobre o tema.
Retornou à Alemanha em 1949, onde passou a trabalhar como professor de filosofia na Universidade de Frankfurt, reabrindo, um ano depois, o Instituto de Pesquisas Sociais.

Entre 1951 e 1953, Horkheimer foi reitor da Universidade de Frankfurt. Ele continuou com seus estudos filosóficos e sociológicos, publicando obras como "Crítica da razão instrumental" e "Teoria tradicional e teoria crítica", na qual reuniu vários de seus artigos. Durante esses anos, Horkheimer recuperou o pensamento de
Schopenhauer e, também, suas relações com o judaísmo. Em 1959, ocupando a posição de professor emérito, muda-se para Lugano, na Suíça, onde continua seu trabalho filosófico.

O pensamento de Horkheimer é um dos mais importantes da
filosofia contemporânea. Ao enfrentar a "razão instrumental" com sua "teoria crítica", ele denuncia essa razão como criadora de perigosos mitos, situando-se em um marxismo não-ortodoxo, ligado também a certo humanismo individualista.

Max Horkheimer faleceu em 7 de julho de 1973, em Nuremberg, na Alemanha.

 Fonte:

terça-feira, 12 de julho de 2011

FOTOGRAFIA: NAMORO.

Posted by PicasaNão me pergunte onde estavamos,
eu não saberia responder,
Mas se estava  muito bom.
...ah ...  isto sim, estava!...

IMAGEM REFLETIDA.

                                                                      Suely Monteiro     
   
EU LHES OFEREÇO VIDA!...

Bem Vivida, 
Sentida,
Consentida,
Permitida,
Atrevida.
Vida que canta
e
Encanta,
em 
cada 
Canto.
Vida 
Preenchida 
de
Paz, 
Amor,
Alegria.
Eu lhes ofereço,
 de 
Coração,
Um pouco da minha vida
para 
Bagunçar, 
de 
Montão,
a organização de seus corações.
Minha vida, 
 sortida,
fará de suas vidas,
uma vitrine
de virtudes.
Fará, ainda, 
Renascer, 
a cada dia,
o
 Desejo 
de 
Viver 
e
Ter
Vida
Plenamente
Vivida.



Posted by Picasa

VIAGEM INTERATIVA DENTRO DO CÉREBRO

Essa viagem explica o funcionamento do cérebro e como a doença de Alzheimer o afeta.

Como fazer a viagem?

Há 16 slides interativos. Ao visualizar cada slide, passe o mouse sobre qualquer texto colorido para destacar os recursos especiais de cada imagem. Em seguida, clique na seta para avançar ao próximo slide.
1. Ao abrir a página, clique em "INICIAR A VIAGEM”.
2. Em cada página exibida, clique nas palavras realçadas em vermelho.

Boa viagem!!

http://www.alz.org/brain_portuguese/

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Estado & Favelas: o paradigma da ausência

    
                                                                                                     
                                                                                                       Geraldinho Vieira
Filho de migrantes nordestinos, mestiço que se identifica como negro, nascido e criado na periferia do Rio de Janeiro, Jailson de Souza e Silva, 51, é geógrafo e primeiro membro de sua família a ingressar na universidade. Ele é um típico, infelizmente ainda raro – embora cada vez menos - intelectual da periferia.
Doutor em Educação e professor da Universidade Federal Fluminense, foi secretário de educação de Nova Iguaçu. É Consultor do Unicef, da OIT e do Canal Futura. É “Cidadão de Serra Branca”, pequena cidade com 12 mil habitantes, no Cariri Paraibano, com a qual tem forte ligação há muitos anos.
Jailson é o fundador e coordenador geral do Observatório de Favelas - organização de fins públicos com sede no Rio e que trabalha com as vertentes da Comunicação e Cultura, do Desenvolvimento Territorial e dos Direitos Humanos.
O Observatório realiza diagnósticos sociais, censos e outros levantamentos nas favelas e periferias para formular e implementar projetos nesses espaços, propor, subsidiar e avaliar políticas públicas urbanas (ver mais sobre o Observatório ao final do texto).
• Na entrevista que comparto a seguir, conversamos sobre a que conclusões chegam as avaliações de políticas para os espaços populares.
Quais são, afinal, os elementos recorrentes nos programas e intervenções para favelas, assentamentos, ocupações e espaços afins?
Em sua grande maioria, as intervenções do Estado nas favelas são caracterizadas pelo que definimos como “Paradigma da Ausência”. Elas ignoram as práticas existentes, consideram os espaços favelados como os “territórios problemas” da cidade e querem destruir suas características, vistas, de forma homogênea, como não adequadas para o mundo urbano.
Mas os moradores das favelas não participam da formulação das políticas?
As formas de participação dos moradores nos projetos são artificiais e não se estimula a construção de disposições subjetivas e objetivas para efetivá-las. O pressuposto da ordem urbana tradicional, hierarquizada, autoritária e elitista, termina configurando as intervenções a partir de pressupostos que não reconhecem os moradores como sujeitos de direitos. Os moradores são tomados como objetos da ação estatal, da ação externa.
Estado & Favelas: o paradigma da ausência
Como o que você chama de “ordem hierarquizada” se manifesta no cotidiano?
Essas concepções, que partem da premissa que o Estado é o único centro de referência e poder normativo para a ordenação do mundo social, vão se expressar no formato das obras, que não levam em conta as práticas cotidianas dos moradores e seus desenhos familiares; na qualidade dos materiais; na ausência de manutenção; na ação fragmentada e localizada; na falta de um projeto ampliado, global, sustentável e de longo prazo de ação no espaço comunitário.
O Observatório apenas monitora (avalia, estuda) as políticas e outros aspectos da vida nas favelas, ou articula-se com as políticas, promove ações ?
Nosso esforço tem sido sempre no sentido de discutir esses pressupostos; propor outros, mais adequados à realidade popular e a um projeto democrático de cidade e de morada, além de buscar formar membros das comunidades para que tenham maior capacidade de intervir no processo. Criticamos, de forma profunda, os grupos da sociedade civil que assumem apenas um discurso de resistência e preconceito com o Estado – no limite, um discurso ortodoxo onde este é visto apenas como (sic) “aparato das classes dominantes”.
Qual é a sua visão deste Estado? Com que Estado, digamos, você – o Observatório - se articula?
Vemos os órgãos estatais como espaços contraditórios, nos quais atuam diferentes atores sociais e, portanto, eles podem, e devem incorporar uma perspectiva democrática e de reconhecimento das favelas como espaços efetivamente constitutivos da cidade. Assim, não temos problemas em trabalhar com órgãos estatais ou mesmo com empresas que possam contribuir para a construção de políticas públicas que beneficiem essas parcelas da população. O princípio que nos orienta é o de que o Estado se torne de fato uma Res Publica – uma coisa pública e que ajude no processo de publicização e democratização da cidade, o que, obviamente, inclui a favela.
Aqui entra a questão da segurança, do crime, da droga, da polícia...
Essa questão da publicização das favelas deve levar em conta a sua história e eventuais características singulares, sem desconsiderar a condição de seus moradores de sujeitos de direitos, que incluem os direitos coletivos e, com isso, o cerceamento, quando for o caso, de alguns pretensos direitos individuais. O tratamento de algo tão sofisticado não pode ser reduzido a uma ação policial isolada, centrada no controle do território, embora essa iniciativa seja fundamental. Nesse caso, não cabe uma “Unidade Policial Pacificadora (UPP)”, mas sim transformar o que vem se revelando como uma exitosa, embora problemática iniciativa de segurança pública em “Unidade de Políticas Públicas” que coordene o desenvolvimento de um projeto integrado de desenvolvimento sustentável, com metas, indicadores, monitoramento e avaliação.
* O QUE SÃO AS FAVELAS ?
• Para o Observatório de Favelas, as representações e conceitos estereotipados norteiam muito da atitude do poder público quanto a estes espaços: “Quando um gestor público desenvolve políticas direcionadas às favelas, o que embasa suas ações, comumente, são idéias pré-concebidas acerca de tais espaços. Idéias geralmente ligadas a noções como as de carência ou ausência, através das quais, mesmo as favelas com características absolutamente distintas são definidas unicamente pelo que não possuem (infra-estrutura adequada e precariedade de todas as ordens)”.
A equipe do Observatório construiu 12 exemplos que confrontam o que seria uma visão criminalizante/homogeneizadora com o que consideram uma visão democrática/cidadania plena sobre o que são as favelas. Apresento-as alternadamente, começando sempre pela visão criminalizante:
1 - As favelas são todas iguais e são um problema para a cidade.
- As favelas são heterogêneas e materializam diversos momentos históricos da cidade. Elas são frutos da dinâmica desigual de conformação cidade e da falta de ação do Estado e do Mercado no sentido de oferecerem alternativas de habitação adequadas aos mais pobres.
2 - Seus moradores têm o mesmo perfil social e são potencialmente criminosos, em particular os jovens.
- São múltiplas as redes sociais nas favelas, com formas distintas de inserção; as redes criminosas são apenas uma delas, e muito minoritária.
3 - Os projetos ali trabalhados são para prevenir uma potencial criminalidade e não em função do reconhecimento dos seus moradores como sujeitos de direitos.
- Os moradores são cidadãos da pólis, com mesmos direitos e deveres, embora com condições socioeconômicas e habitacionais distintas.
4 - Os espaços locais são igualmente precários, sem equipamentos e serviços básicos e o Estado é ausente.
- As favelas consolidadas receberam muitos equipamentos e serviços urbanos; nesse caso, o problema maior é a qualidade da intervenção do Estado. Este é ausente no campo da segurança pública, tendo permitido a privatização da regulação da ordem social local por grupos criminosos.
5 - As redes criminosas são sustentadas e defendidas pelos moradores.
- Os moradores não têm condições de enfrentar os grupos criminosos e são extorquidos por eles, que se legitimam através da oferta de segurança em termos de proteção ao patrimônio, especialmente e definição de um padrão autoritário de ordem pública.
6 - Os moradores não pagam impostos, vivem do Bolsa Família e têm muitos filhos para viverem desses benefícios.
- Visão escravocrata típica: a maior parte dos moradores é trabalhadora manual, sendo mão de obra central nos prédios, lojas e escritórios da cidade. A taxa de natalidade nas favelas diminuiu drasticamente nos últimos, como vem ocorrendo em outros bairros das cidade e, especialmente, nos grandes centros urbanos brasileiros.
7 - As favelas não têm nenhum tipo de lei, ordem, regras e padrões de convivência.
- As favelas são um notável caso no que diz respeito à convivência ordeira de, por exemplo, um grupo de 25 mil pessoas por Km2. Talvez essa seja sua principal qualidade e diferencial no ponto de vista urbano. Além disso, há várias formas de regulação, expressas de variadas formas, inclusive as afirmadas, no espaço público, pelos grupos criminosos.
8 - As favelas não fazem parte da cidade, são, no máximo, um problema para ela.
- As favelas são, acima de tudo, cidade, constituintes da cidade, e existem de forma específica e singular, sendo os seus moradores cidadãos empenhados em terem acesso a direitos fundamentais - que são fornecidos em outros espaços de forma natural e sem luta comunitária. Ter de lutar coletivamente para ter direito a serviços urbanos básicos é um atentado à democracia e aos direitos dos cidadãos. Acima de tudo, elas são uma das principais fontes de produção cultural e de definição identitária dos espaços urbanos, em especial no Rio de Janeiro.
9 - Os moradores da “cidade” são os principais atingidos pela violência criminosa.
-- Os moradores das favelas são os mais diretamente atingidos pela falta de oferta, pelo Estado, de segurança pública nesse território. O apoio da população local às UPPs demonstra como essa demanda é central.
10 - A policia precisa agir de forma violenta nas favelas para enfrentar o tráfico de drogas.
- A violência policial só aumenta os problemas e não atingiu, até hoje, nenhum resultado no enfrentamento à criminalidade envolvida no tráfico de drogas.
11 - O tráfico de drogas é o “demônio” da cidade e seus integrantes serem mortos é natural e correto.
- Visão residual do pensamento escravocrata, que penaliza os mais pobres como os criminosos por excelência. Visão que ignora o respeito a direitos fundamentais - os grupos criminosos devem ser alvos de uma política de segurança pública e não de uma guerra de extermínio.
12 - As favelas têm de acabar e serem transformadas em Bairros.
- As favelas são espaços centrais na cidade e devem se desenvolver, superando-se os limites existentes, sem perder sua condição singular, inovadora e que estimula a pluralidade da cidade, em sua unidade.
* O OBSERVATÓRIO DE FAVELAS
• Neste momento, no campo da Segurança Pública o Observatório (www.observatoriodefavelas.org.br) elabora projetos, conceitos e pesquisas que contribuam para o avanço de políticas que possam estar além do modelo policial que as dominam, buscando construir um projeto republicano de intervenção. Para isso, o Observatório atua na formação de quadros; criação de canais de mediação nas favelas com UPPs – e de ouvidoria comunitária; participa do Conselho Nacional de Segurança e da formação do Conselho Estadual; formula estudo abrangente sobre a dinâmica das redes criminosas pós UPPs e caminhos para a consolidação da iniciativa nos territórios atuais.
• Já no campo dos Direitos Humanos, atua através do Programa de Redução da Violência Letal contra adolescentes e jovens, buscado sistematizar e divulgar dados a respeito da violência letal contra esses grupos – o Índice de Homicídios de Adolescentes; e, busca criar uma rede de organizações que permitam avançar no tratamento da questão. O programa está em 11 Regiões Metropolitanas, é realizado em parceria com o UNICEF, UERJ e com a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. No próximo ano, o projeto deve avançar 15 Regiões.
• No campo da Comunicação, por sua vez, o Observatório está inserido no esforço para construir formas alternativas de formação de novos comunicadores através dos projetos da Escola Popular de Comunicação Crítica - ESPOCC - e a Agência Imagens do Povo, que se dedicam à produção nesse campo. E está construindo a Agência Escola Social de Comunicação, a fim de materializar suas referências, em termos de linguagem, para a divulgação de “causas sociais”. O Observatório insere-se ainda no movimento de redes que trabalham no sentido de democratizar o campo da comunicação.
No campo do Desenvolvimento Territorial, destaca-se o projeto Conexões de Saberes - um programa de caráter nacional que foi assumido e expandido pelo MEC como seu principal programa de ações afirmativas. O Observatório investe boa energia na criação de um projeto integrado de desenvolvimento da Avenida Brasil, maior via de circulação do Rio de Janeiro, cujo entorno possui 32 favelas e mais de um milhão de pessoas. Trabalha ainda na criação de um programa de mediação de conflitos e de atendimentos a estudantes com dissonância em relação ao espaço escolar para a Secretaria Municipal de Ensino de Belo Horizonte e num projeto de intervenção sistemática na favela Santa Marta, com a intenção de construir um projeto de desenvolvimento sustentável a partir da intervenção estética que mobilize toda a comunidade de cinco mil moradores em uma das favelas mais emblemáticas do país.
O Observatório de Favelas financia suas ações através de editais públicos e privados, ou recursos de órgãos públicos, empresas, ou organismos internacionais que apóiam projetos pontuais. Também através de doações, embora estas sejam menos freqüentes.
Seus principais parceiros em ações de campo são a Redes de Desenvolvimento da Maré, CUFA, Cooper Liberdade, Laboratório de Análises da Violência (Lav – Univ. Estadual do Rio de Janeiro); Instituto C&A; Fundação Ford, Casa Daros, Petrobras, CEDAPS, Instituto Av. Brasil, Escola de Cinema Darcy Ribeiro, Univ. Federal do Rio de Janeiro , Univ. Federal Fluminense e vários outros.
Importantes apoiadores financeiros são Icco (agência de cooperação holandesa), Unesco, Unicef, Fundação Ford, Secretaria de Direitos Humanos e Secretaria de Cultura.
* PARA SABER MAIS:
Jailson de Souza e Silva é autor dos seguintes livros:
- “Por que uns e não outros – caminhadas de jovens pobres para a Universidade” – Ed. 7 Letras ; Rio de Janeiro; 2003, primeira edição, com 3 reimpressões; 2 edição – 2011.
- “Coordenação da Coleção Caminhadas” – 33 livros escritos por jovens universitários de universidades federais brasileiras sobre suas trajetórias até ao ensino superior; Ed. UFRJ. 2006 a 2009.
- “Favela: alegria e dor na cidade”. Ed. X/Brasil – Senac – Rio de Janeiro. 2006
- “Diagnóstico ligeiro sobre crianças e adolescentes no narcotráfico” – 2002, OIT, Edições em Português e Inglês;
- “Situações de violência contra crianças e adolescentes no Brasil” – Ed. UNICEF/GLOBAL – 2005. São Paulo.
- “O que é favela, afinal” – Coordenação – Ed. Observatório de Favelas – 2009, Rio de Janeiro

Fonte: Blog Noblat

domingo, 10 de julho de 2011

MITOLOGIA

Sofrimento e êxtase


(...) a tragédia grega era a inflexão poética da mitologia, a catarse trágica da emoção através da compaixão e do terror, o correspondente à purificação do espírito através do rito. A tragédia transmuta o sofrimento em êxtase. (...) Livre do vínculo com nossa parte mortal, através da contemplação daquilo que é grave e constante no sofrimento humano- o ser humano une-se simultaneamente , em compaixão trágica com o “sofredor humano” e em terror trágico com a “causa secreta”. Em consequência disso, um dia, com um grito de júbilo, o espírito pode saltar para aquilo que subitamente reconhece por trás da máscara. A tragédia dissolve-se e surge o mito.
 
“ Vossa face, a qual um jovem se esforçasse por imaginá-la, conceberia como a de um jovem ; um adulto, como a de um homem; um velho, como a de um velho. Quem poderia imaginar o mais verdadeiro e o mais adequado de todos os rostos- de todos e de cada um- como se não fosse de nenhum outro ? E como poderia ele imaginar , além de todos os conceitos, de todas as cores, adornos, e toda a beleza de todos os rostos ? Por conseguinte, aquele que avança para observar o Vosso rosto, enquanto ele formar qualquer conceito Dele, está longe de Vossa face. Porque todo conceito de face não alcança a Vossa face. E toda beleza que pode ser concebida é menor que a beleza de Vosso rosto; todas as faces tem beleza, mas nenhuma é a própria beleza, mas a Vossa face tem beleza e por ter beleza é ser. Ela é a forma que dá existência a cada forma bela. Em todos os rostos é visto o Rosto dos rostos, por trás de um véu e de um enigma.; não obstante desvelado, ele não é visto, até que acima de todas as faces um homem penetre em certo segredo e silêncio, onde não há nenhum conhecimento ou conceito de rosto. Esta névoa, nuvem, escuridão, revelará que Vossa face não pode ser encontrada a não ser velada; mas a própria escuridão revelará que vossa face está ali, além de todos os véus.”
(Nicolau de Cusa)

As  Máscaras de Deus - Joseph Campbell - Mitologia Primitiva - vol. I
Fonte: Blog Sinapses de Gaia

segunda-feira, 4 de julho de 2011

sábado, 11 de junho de 2011

FOTOGRAFIA

Em Garcia DÁvila - Salvador - BA.

OBRA DE ARTE

OBRA DE ARTE
Amores na bela Capital Catarinense.