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terça-feira, 3 de janeiro de 2012
A ARTE DA PRUDÊNCIA
" Muitos dão cem voltas ao
redor do mesmo ponto e se perdem num falatório sem fim, cansando a si mesmo e
aos outros, sem nunca chegar ao âmago da questão.
Quem procede assim tem pouca
clareza de idéias. São pessoas confusas, que desperdiçam tempo e paciência no
que não deviam e, depois, ficam sem ambos para o que realmente importa."
(Baltazar
Gracián - A Arte da Prudência)
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Arte,
Baltazar Gracián,
Prudência
DEUS, SEGUNDO SPINOZA.
“... Deus é o único ser em que a essência coincide com a existência. Isso
não acontece com os outros seres. É a causa última de tudo, e as coisas estão
em Deus. Essa é uma noção panteísta. E Deus é perfeito. Conhece a si e a tudo
objetivamente. As coisas só tem essências na medida em são atributos de Deus.
Spinoza desenvolverá isto no Ética.A parte divina do ser é a essência. A
essência, a potência, a existência e a idéia só se diferenciam mas coisas
criadas. A existência e a essência, nas criaturas humanas,diferem uma da outra
por causa da razão. Spinoza chama de afecções aquilo que Descartes chama de
atributos. Os entes são afecções de Deus. Dependem dele. Spinoza queria que
víssemos as coisas sob o ponto de vista da eternidade. Devemos considerar o mundo
objetivo em si, fora das noções subjetivas. Eternidade é o atributo sob o qual
concebemos a existência de Deus, como diz nos Pensamentos metafísicos. Eternidade
é a junção de essência e existência. O tempo pertence à razão, é um modo de
pensar a pluraridade também, pois tudo é Deus, e ele é Uno.
Como Descartes, Spinoza fala que temos a noção clara do que é verdade, pois
ela é certa e suprime toda a dúvida. Spinoza fala que o bem e o mal são
pareceres, que só existem nas relações. Mas reconhece como bom e na Ética,
diz que certas coisas nos são agradáveis, e nos esforçamos para que elas sejam
frequentes. Mas uma coisa tomada em si não nem boa nem má.
Deus é imutável, porque não pode mudar e ser outro Deus. Na natureza tudo
são substâncias e seus modos. Deus é simples, a grande substância. Spinoza
refuta as distinções do Aristotelismo sobre Deus.
A vida pode ser de dois modos: com uma alma unida ao corpo, e apenas
corporal. Tudo está vivo, porque tudo está em Deus e ele é vivo. Spinoza era
contra a visão antropocêntrica da divindade. Deus conhece as coisas que criou.
Dessa forma conhece os pecados. Mas os pecados só existem na mente humana.
Assim, Deus não ama nem odeia os homens. Mas tem seus decretos. É por decreto
que ele incita e encoraja os homens.
A onipotência de Deus é dividida em absoluta e ordenada, ordinária e
extraordinária. A ordinária é aquela que dá ordem e conserva o mundo. A
extraordinária vai contra essa ordem, como no caso dos milagres. Além de ter
criado o mundo, Deus o conserva a cada instante.
Apesar de admitir que a potência de Deus também pode destruir, Spinoza
afirma que a alma humana é imortal. Pois uma coisa incorpórea não pode
destruir-se, nem pode ser destruída por uma coisa criada.
Deus tem muitas leis que estão acima do intelecto humano, e quando esse as
vê, parecem milagres. Deus está acima da natureza percebida pela razão. A
vontade humana é o seu intelecto.
As riquezas, quando buscadas, absorvem todo o ser do homem, diz Spinoza no Tratado
da Correção do Intelecto.O homem gosta de paixão e dos prazeres, mas a eles
sobrevém a tristeza. Os prazeres riquezas e honras devem ser um meio, não um
fim. Devem existir apenas no necessário para manter a boa saúde.
Spinoza achou quatro tipos de percepção:
A primeira é arbitrária; a segunda vem da experiência; na terceira a
essência de uma coisa é tomada pela de outra. Por exemplo, quando se acha que o
universal sempre é acompanhado de uma propriedade. Não é adequada. A última
percepção é a da essência.
Para o melhor modo de perceber, temos de ver quais os meios para
conseguirmos nosso fim .
1º temos de conhecer a natureza das coisa e a nossa, para aperfeiçoá-la.
2º temos de deduzir as diferenças e as concordâncias das coisas.
3º temos de ver o que essas coisas poder sofrer.
4º temos de associar isso com a natureza e a potência das coisas.
1º temos de conhecer a natureza das coisa e a nossa, para aperfeiçoá-la.
2º temos de deduzir as diferenças e as concordâncias das coisas.
3º temos de ver o que essas coisas poder sofrer.
4º temos de associar isso com a natureza e a potência das coisas.
Assim Spinoza, com um estilo que lembra o de Bacon, descreve seu método para
melhor percebemos. E chega a conclusão que a melhor percepção é a da essência.
Para começar a se corrigir o intelecto precisamos “continuar conforme a
norma de alguma idéia existente e verdadeira e investigar segundo suas leis
certas.” Devemos saber distinguir a idéia verdadeira dentre as idéias falsas.
Durante seus escritos, Spinoza imagina objeções à sua argumentação (que seriam
feitas pelos leitores) e responde à elas. Enfrenta o adversário no campo do
adversário. Assim é com filósofos e outros teólogos. Também fala contra os
ignorantes, que ele chama de vulgo, ou os não-iniciados. O vulgo não consegue
entender a filosofia porque não sabe o que lhe sucede, está sujeito às marés
das paixões, e por isso cheio de preconceitos.
Spinoza diz que temos mente, em maior parte, idéias verdadeiras (apesar de
existirem os entes da Razão, que são falsos). Pois não podemos supor uma idéia
falsa como verdadeira. Não devemos considerar como verdadeiras coisas da imaginação, que estão
no intelecto. Spinoza se contrasta a Descartes, dizendo que devemos considerar
como verdadeiras as coisas da natureza, pois não existe nenhum Deus enganador.
Spinoza fala da memória, mostrando que separamos as coisas por categorias e
que se imaginamos um item dessa categoria em separado, visualizamos bem os
detalhes, mas ao misturarmos o que estamos lembrando com outras memórias da
mesma categoria, o pensamento se torna confuso. A memória é a “sensação das
impressões do cérebro junto com o pensamento de uma determinada duração da
sensação”.
O Livro “Ética demonstrada pelo método geométrico” tem uma estrutura
clássica, baseado no modelo do matemático Euclides. Dessa forma, temos
definição, axioma, preposição demonstração, escólio e corolário. Com esse
método, Spinoza queria refutar outros. Esse método por muitos é considerado
chato e difícil. Como diz Will Durant, não é para ser lido, mas estudado.
Uma coisa é finita quando podemos limitá-la por outra semelhante. A
substância é independente, em si. Há três termos básicos no livro: substância,
modo e atributo. O atributo é o que o intelecto percebe da substância. Como
vimos, o intelecto precisa ser corrigido para não ser limitante. Deus é
absolutamente infinito. Deus é uma substância que não remete a ninguém, exceto
à ela mesma é que possui inúmeros atributos. Cada atributo tem infinitos modos.
A liberdade é um estado de ser, quando se existe por si, e necessário quando
determinado por outras coisas. A eternidade transcende o tempo, é verdade
eterna sem começo nem fim. Essa noção recorre a Platão. Toda causa tem um
efeito. Deus é causa primordial que tem inúmeros efeitos. A diversidade de
substância é infinita, cada uma é única.
Deus é imanente ao mundo. Para Descartes é transcendente. Existe
necessariamente, pois existir é ter potência. E se há potência há alguém para
irradiá-la. Na consciência fora de Deus, como Spinoza já expôs nos Pensamentos
Metafísicos a existência não envolve a essência. Deus tem intelecto no ato,
não em potência. Muitos consideram que Spinoza diz que Deus não tem intelecto,
mas Spinoza coloca que o intelecto de Deus são suas ações.
Os homens agem sem conhecer as causas de seus atos. As coisas são atributos e
afecções de Deus. O corpo exprime determinadamente parte da essência de Deus,
na extensão. A alma é uma coisa pensante (nesse ponto concorda com Descartes,
mas ao colocar a alma como substância não). A duração é a continuação da
existência. Deus pensa, é extenso, tem idéia da sua essência e do que se segue
à ela. As coisas estão compreendidas na essência da idéia infinita de Deus. Ele
é a causa de tudo, substância incriada, onipotente e onisciente.
As coisas ficam marcadas na alma, além do intelecto. A memória é uma rede de
representações associativas dos objetos. Deus conhece a alma. E a alma conhece
à Deus. O pensamento é um atributo divino. A alma não conhece a si mesma, e
conhece sem adequação o corpo. A alma não tem vontade nem é livre. Todas as
idéias que se referem à Deus são verdadeiras. A mente humana é disposta de tal
forma que pode funcionar ordenadamente. Com certo número de imagens,
expressando esse número, há “embaralhamento”. Quem tem uma idéia verdadeira, o
sabe sem dúvida. Spinoza, desenvolvendo seu lado racionalista diz que a razão
percebe a coisa em si e a eternidade, que são comuns à todas as coisas. A mente
humana é uma parte do intelecto infinito de Deus. Conhecer Deus eterno e
infinito nos ensina a nos conduzirmos perante o dinheiro, coisas fora de nós,
suportar a vida, não desprezar, não expor ninguém ao ridículo, não odiar. A
moral de Spinoza parte de sua metafísica.
O corpo humano pode ser afetado de diversas maneiras, e sua potência
aumentada e diminuída. A alma pode ser passiva ou ativa. As idéias adequadas
existem em Deus, são ativas. O corpo humano é mais engenhoso do que as
máquinas.
... Spinoza influenciou muito a filosofia posterior. Hume cita-o. Não gozou
de muita reputação , mas sim desprezo, até que Lessing afirmou não existir
outra filosofia senão a de Spinoza. Junto com Fichte e Kant, foi fundamental
para Hegel e Schelliing. Nietzsche admirava-o, apesar de discordar. O
spinozismo foi inicialmente rejeitado, mas depois, no século XIX foi
reabilitado. Influenciou Marx e Freud, que tinham uma visão naturalista do
mundo.”
Consciencia.org.- Filosofia e Ciências Humanas
http://www.consciencia.org/
Acesso em 03/01/2012- 15:48h.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
RUSSEL : E por falar em Familia ...
A humanidade transformou-se em uma grande família, tanto que não podemos garantir a nossa própria prosperidade se não garantirmos a prosperidade de todos.
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POESIA CONTEMPORANEA
CONVIDO-TE
Charles Fonseca
Convido-te, amiga, às doces paragens
Campestres, ao silêncio dos prados,
Aos ternos murmúrios dos nossos regatos,
Aos roucos sussurros aquém das miragens.
Convido-te comigo a outros olhares,
A outros dizeres dos nossos silêncios,
A outros perfumes a nós como prêmios,
Tocar nossas harpas, frementes, vibrares.
Convido-te, amiga, pra caminhada
A dois pela praia, o mar por fronteira,
As nossas dores escrever na areia,
Do nosso amor gozar, madrugada.
Charles Fonseca
Convido-te, amiga, às doces paragens
Campestres, ao silêncio dos prados,
Aos ternos murmúrios dos nossos regatos,
Aos roucos sussurros aquém das miragens.
Convido-te comigo a outros olhares,
A outros dizeres dos nossos silêncios,
A outros perfumes a nós como prêmios,
Tocar nossas harpas, frementes, vibrares.
Convido-te, amiga, pra caminhada
A dois pela praia, o mar por fronteira,
As nossas dores escrever na areia,
Do nosso amor gozar, madrugada.
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REFRESCANDO A MEMÓRIA ...
As Moiras
Cloto, Láquesis e Átropos.
A elas o destino humano estava submetido.
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FILOSOFIA MEDIEVAL: DISCURSO SOBRE A DIGNIDADE DO HOMEM
Giovanni Pico Della Mirandola
"Ó Adão, não te demos nem um lugar
determinado, nem um aspecto que te seja próprio, nem tarefa alguma específica,
a fim de que obtenhas e possuas aquele lugar, aquele aspecto, aquela tarefa que
tu seguramente desejares, tudo segundo o teu parecer e a tua decisão. A
natureza bem definida dos outros seres é refreada por leis por nós prescritas.
Tu, pelo contrário, não constrangido por nenhuma limitação, determiná-la-ás
para ti, segundo o teu arbítrio, a cujo poder te entreguei.
Coloquei-te no meio
do mundo para que daí possas olhar melhor tudo o que há no mundo. Não te
fizemos celeste nem terreno, nem mortal nem imortal, a fim de que tu, árbitro e
soberano artífice de ti mesmo, te plasmasses e te informasses, na forma que
tivesses seguramente escolhido. Poderás degenerar até aos seres que são as
bestas, poderás regenerar-te até às realidades superiores que são divinas, por
decisão do teu ânimo". Ó suma liberalidade de Deus pai, ó suma e admirável
felicidade do homem! ao qual é concedido obter o que deseja, ser aquilo que
quer. As bestas, no momento em que nascem, trazem consigo do ventre materno,
como diz Lucilio, tudo aquilo que depois terão. Os espíritos superiores ou
desde o princípio, oupouco depois, foram o que serão eternamente. Ao homem nascente o Pai conferiu sementes de toda a espécie e germes de toda a vida, e segundo a maneira de cada um os cultivar assim estes nele crescerão e darão os seus frutos. Se vegetais, tornar-se-á planta. Se sensíveis, será besta. Se racionais, elevar-se-á a animal celeste. Se intelectuais, será anjo e filho de Deus, e se, não contente com a sorte de nenhuma criatura, se recolher no centro da sua unidade, tornado espírito uno com Deus, na solitária caligem do Pai, aquele que foi posto sobre todas as coisas estará sobre todas as coisas.
Quem
não admirará este nosso camaleão? [...]
Blog Pensar:
Acesso em 28/12/2011
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Giovanni Pico Della Mirandola
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
MÚSICA
Para o seu deleite, querido leitor, a beleza da música do grande Joshua Bell tocada por ele, graciosa e anonimamente, no Metrô de Nova York.
KANT E A PAZ PERPÉTUA
Em 1795, o filósofo Kant lançou um opúsculo que provocou um enorme sucesso junto ao público culto da sua época.
Era um projeto que visava estabelecer uma paz perpétua entre os povos europeus, e depois espalhá-la pelo mundo inteiro.
Tratou-se de um manifesto iluminista a favor do entendimento permanente entre os homens, retomando uma idéia anterior de consegui-la através da formação de uma sociedade das nações, defendida pelo padre Saint-Pierre.
A Influência da França Revolucionária
Transcorria o verão de 1795 e o setuagenário filósofo Emanuel Kant aguardava ansioso as notícias vindas da França. Seis anos antes, em 1789, os moradores da sua pequena cidade, o porto de Königsberg, capital do Ducado da Prússia Oriental, tomaram conhecimento de que algo espetacular havia ocorrido de uma maneira muito singular.
O velho professor, sempre pontualíssimo nas suas caminhadas cotidianas, num determinado dia, não se contendo, saiu às ruas uma hora antes do habitual.
Foi assim que eles se inteiraram da eclosão da Revolução Francesa.
A Paz de Basiléia
As notícias tardavam mais de semana para aportar naquele rincão remoto das terras alemãs, conquistadas pelos Cavaleiros Teutônicos nos tempos medievais. A fome por novidades deixava Kant enervado e desejoso de atividade. Finalmente elas chegaram. A jovem república francesa não só tinha conseguido sobreviver aos vários ataques das coligações monarquistas vizinhas, como conseguira impor uma paz vantajosa. Assinada em julho de 1795, na Basiléia, a paz forçara os reis da Prússia e da Espanha a aceitar um acordo de convivência com a França revolucionária.
A Paz Perpétua
O filósofo exultou. Apesar dos horrores provocados pelo terror jacobino, ele continuava simpatizando com os acontecimentos franceses. Entusiasmado com o armistício de Basiléia, resolveu também dar a sua colaboração para o clima de concórdia que, momentaneamente, a todos enlaçou. Em pouco tempo aprontou um opúsculo denominado de Zum ewigem Frieden (A paz perpétua), que teve um acolhida espetacular. Os seus primeiros 1.500 exemplares esgotados em uma semana
.
Fonte: Site Cultura e Pensamento: História por Voltaire e Schilling http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/kant_paz.htm Acesso em 16/12/2011
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sábado, 26 de novembro de 2011
A ARTE DE WASSILY KANDINSKY
Wassily Kandinsky
Nasceu em 1866, em Moscou, na Russia. Sua primeira vontade
foi ser músico. Entretanto, formou-se em direito e economia política na
Universidade de Moscou. Aos 30 anos, encantado com um quadro de Monet,
abandonou a carreira jurídica. Em 1900, em Munique, formou-se pela Academia
Real.
Seus primeiros trabalhos exprimiam a musicalidade e o
folclore russo. Em Paris, onde viveu por um ano, Kandinsky entusiasmou-se pelas
artes aplicadas e gráficas, bem como pelo estilo de pintura dos fauvistas. Em
1908, voltou a Munique. Publicou o ensaio Do Espiritual na Arte , em 1911, onde
tratou a manifestação artística como expressão de uma necessidade interior. Em
1912, publicou o almanaque Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), nome de um
quadro e do primeiro grupo expressionista, cuja vertente é mais lírica do que
dramática, em relação ao grupo expressionista Die Brücke.
Voltou à Russia durante a Primeira Guerra, onde permaneceu
até 1921. Acompanhou a Revolução Socialista e como membro do Comissariado para
a Cultura Popular fundou vários museus. Reorganizou a Academia de Belas Artes
de Moscou. Foi também professor da Bauhaus a partir de 1922. Escreveu Ponto e
Linha sobre o Plano onde reflete sobre os elementos da linguagem plástica e
suas correlações, colocando os problemas da abstração.
Tornou-se cidadão alemão em 1928. Em 1933, a Bauhaus foi fechada pelos nazistas e, em 1937, seus quadros foram confiscados. Em 1939, fugiu para a França, onde naturalizou-se. Morreu em Neuilly-sur-Seine, na França em 1944.
Fonte
http://estudandoarteecristianismo.blogspot.com/2011/10/wassily-kandinsky.html
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Wassily Kandinsky
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
MINHA FAMILIA

Minha família tem a leveza das nuvens, o colorido do arco-íris, a elegancia da garça, a generosidade dos deuses, o olhar inocente da criança e guarda a constante presença de Deus.
Minha família congrega valores da tradição ao mesmo tempo que avança, sem preconceitos, nos novos caminhos que a modernidade aponta.
Minha família comporta tanto os gestos delicados de amor quanto as grandes explosões que cortam os ares como raios nas noites de tempestades.
Minha familia canta, ri, dança e, se preciso, chora, esperneia, geme e reclama unida.
Minha família prega a paz, a harmonia e a união entre todos e, dois minutos depois, separa-se em tribos furiosas, para reajuntar-se, sem explicações num grande abraço, depois que a bronca passa.
Minha família não comunga com a mentira, mas se o telefone toca e há preguiça em atender, não se importa em mandar dizer que o procurado está no banho ou deu uma rápida saída.
Minha família economiza dinheiro e esbanja prazeres.
Minha família viaja, com todos os seus membros, várias vezes ao ano, através dos sonhos de cada um.
Ah minha família curte o carnaval na roça e nem se lembra do jantar se a novela das nove está passando.
Minha família filosofa durante horas tentando demonstrar a banalidade da filosofia.
Minha família adoece quando um dos membros sente dor e rejuvenece quando nasce um novo componente no grupo.
Minha família, certamente, é igual a muitas outras famílias, mas se reveste de grande significado, apenas, por ser
A MINHA FAMILIA.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
BOÉCIO (480-525)
Boécio
acreditava que a cultura latina do seu tempo estava em crise e buscou na
preservação e difusão da cultura grega a solução para essa fase difícil que
passava o conhecimento romano. Para fazer com que os latinos conhecessem a
cultura grega Boécio planejou traduzir para o latim as obras de Aristóteles e
Platão, mas conseguiu traduzir somente alguns livros.
Para o
filósofo, os seres universais como O Belo, O homem, O Universo, existem somente
enquanto idéias em nosso intelecto. Eles são portanto imateriais pois são
abstrações que nós criamos para entender a realidade. No mundo material o belo
existe somente como atributo de coisas singulares e é através dessas coisas
singulares que podemos abstrair, formar uma idéia do Belo universal.
Sendo a
filosofia o amor à sabedoria e causa suficiente de si mesma, ela é também a
busca pelo conhecimento de Deus, pois ele é a sabedoria absoluta. E é nessa
sabedoria absoluta que devemos buscar a felicidade e não nas coisas terrenas.
Deus é a felicidade e o máximo bem. O Uno, Deus e o Bem são para Boécio a mesma
coisa.
Para
responder a pergunta da origem do mal, já que o mundo é dirigido por Deus,
Boécio utiliza a providência divina e diz que está fora do nosso entendimento
percebermos todos os desígnios de Deus. Todas as coisas são feitas para atingir
o bem, e não o mal. O mal é um erro de análise feito por pessoas de pouco conhecimento.
Elas buscam o bem, mas por um cálculo falho, por um exame imperfeito causado
pela falta de conhecimento, elas fazem o mal.
Boécio
Outra questão
que preocupou o filósofo foi a do destino e da liberdade. Se Deus tem um
destino para os seres humanos esse destino destrói a liberdade de sermos quem
quisermos ser e fazermos o que quisermos fazer. Para Boécio Deus realmente sabe
tudo o que vai acontecer, mas não existe a necessidade de que tudo o que ele
sabe que possa acontecer aconteça realmente. Para Deus não existe passado ou
futuro, mas um constante presente e um conhecimento completo de tudo que
aconteceu ou pode acontecer.
Sobre a
música Boécio distingue três gêneros: a música cósmica, que os homens não
percebem, pois é uma música gerada pelos astros do universo; a música humana,
que é a mescla do movimento de nossa alma e do nosso corpo e que só poderemos
ouvir através de um exame profundo do nosso interior; e por último a música
prática que é a música criada pela vibração dos instrumentos musicais e pela
voz.
- A música é
parte de nós e enobrece ou degrada o nosso comportamento.
- O homem é
um animal bípede e racional.
- O homem é
um mundo em miniatura.
- Se Deus
existe de onde vem o mal? E se não existe de onde vem o bem?
- De todos os
infortúnios da fortuna, de ter sido feliz é a mais infeliz tipo de desventura.
- Quem pode
julgar os amantes? O amor é uma lei para si mesmo.
- Nada é mais
fugaz do que a forma exterior, sua aparência muda como as flores do campo.
- Quem caiu
foi porque não soube se sustentar em seus passos.
- O homem
justo paga a culpa do injusto.
Fonte:
Acesso em
16/11/2011
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
O BELO EM PLATÃO
Segundo Moderno (1997) o senso comum na Grécia Antiga usava a palavra kalón como significando a qualidade daquilo que agrada, que causa admiração ou satisfação à sensibilidade. O conceito de kalón foi para os gregos antigos muito mais amplo que o nosso conceito de Belo estético. Apesar disso considera-se a palavra kalón como referente ao que designamos como belo.
Segundo Platão, para se encontrar a verdade sobre o belo deve-se seguir o caminho da investigação do conhecimento, que é capaz de conduzir a todas as verdades do mundo real, onde o conhecimento é irrefutável e sem contradições. Assim, Platão acredita que a verdade sobre o belo seja um conhecimento racional. Veja onde Platão afirma a existência do belo como conhecimento verdadeiro, o belo em si, a verdade eterna, universal, irrefutável e sem contradições
O BELO EM SI: O BELO COMO "CONHECIMENTO VERDADEIRO"
—E que existe o belo em si, e o bom em si, e, do mesmo modo, relativamente a todas as coisas que então postulamos como múltiplas, e , inversamente, postulamos que a cada uma corresponde a uma idéia, que é única, e chamamo-la a sua essência.
—É isso.
—E diremos ainda que aquelas são visíveis, mas não inteligíveis, ao passo que as idéias são inteligíveis, mas não visíveis.
—Absolutamente.
(Platão, p. 204).
- Os amadores de audições e de espetáculos encantam-se com as belas vozes, cores e formas e todas as obras feitas com tais elementos, embora o seu espírito seja incapaz de discernir e de amar a natureza do belo em si.
- É assim, realmente.
- Mas aqueles que são capazes de subir até ao belo em si e de o contemplar na sua essência, acaso não serão muito raros?
- Mesmo muito.
- Ora quem acreditar que há coisas belas, mas não acreditar que existe a beleza em si nem for capaz de seguir alguém que o conduzisse no caminho do seu conhecimento, parece-te que vive em sonho ou na realidade? Repara bem. Por ventura sonhar não é quando uma pessoa, quer durante o sono, quer desperta, julgar que um objeto semelhante a outro não é uma semelhança, mas o próprio objeto com que se parece?
- Eu, por mim, chamaria sem dúvida sonhar a uma coisa dessas.
- Pois bem! Aquele que, ao contrário deste, entende que existe o belo em si e é capaz de o contemplar, na sua essência e nas coisas em que tem participação, e sabe que as coisas não se identificam com ele, nem ele com as coisas, uma pessoa assim parece-te viver em sonho ou na realidade?
- Claro que na realidade.
- Por conseguinte, diríamos com razão que o pensamento deste homem era conhecimento, visto que sabe, ao passo que o do outro era opinião, visto que se funda nas aparências?
- Absolutamente.
(Platão, p.173).
(...) me dê a réplica esse honrado homem que não acredita que exista algo de belo em si e na idéia do belo absoluto que se mantém sempre da mesma maneira, mas entende que há muitas coisas belas, esse amador de espetáculos que não consente de modo nenhum que alguém diga que o belo é um só, e o justo, e do mesmo modo as outras realidades. “Ora, dentre estas coisas, meu excelente amigo, diremos que, das muitas que são belas, acaso haverá alguma que não pareça feia? E, das justas, uma que não pareça injusta? E, das santas, uma que não seja ímpia?”.
— Não, mas é preciso que as mesmas coisas pareçam, de certo modo, belas e feias, e bem assim as outras por que perguntas.
— E agora as quantidades duplas? Podem parecer menos metades do que
duplas?
duplas?
— De modo nenhum.
— E as coisas grandes ou pequenas, leves ou pesadas, não lhes cabem mais estas qualificações que lhe damos do que as inversas?
— Não, mas cada uma delas terá sempre algo de ambas.
— Ora então cada uma destas numerosas coisas é antes aquilo que nós dizemos que é, ou não o é?
(...) Também estas coisas podem ter dois sentidos, e não é possível ter delas uma concepção fixa como sendo ou não sendo, nem como sendo as duas coisas, ou nenhuma delas.
— Que hás de então lhes fazer?
— perguntei eu. — Ou poderás dar-lhes melhor colocação do que entre o Ser e o Não-ser? Porquanto não parecerão mais obscuras do que o Não-ser relativamente a terem mais existência que o Não- ser, nem mais claras do que o Ser relativamente a terem mais existência que o Ser.
— É verdade.
— Descobrimos, portanto, ao que parece, que as múltiplas noções da multidão acerca da beleza e das restantes coisas como que andam a rolar entre o Não-ser e o Ser absoluto.
— Descobrimos.
— Mas estabelecemos previamente em que se uma coisa destas nos aparecesse, teríamos de a considerar do domínio da opinião, e não da ciência, pois, como objeto errante no espaço intermédio, é apreendida pela potência intermediária.
— Sim.
— Por conseguinte, dos que contemplam a multiplicidade de coisas belas, sem verem a beleza em si, nem serem capazes de seguir outra pessoa que os conduza até junto dela, e sem verem a justiça. E tudo da mesma maneira, desses, diremos que têm opiniões sobre tudo, mas não conhecem nada daquilo sobre que as emitem.
— Exatamente.
— E agora os que contemplam as coisas em si, as que permanecem sempre idênticas? Porventura não é isso conhecimento, e não opinião?
— Também isso é evidente.
— Não diremos também que tem entusiasmo e gosto pelas coisas que são objeto de conhecimento, ao passo que aqueles só o têm pelas que são do domínio da opinião? Ou não nos lembramos que dissemos que esses apreciam e contemplam vozes e cores belas e coisas no gênero, mas não admitem que o belo em si seja uma realidade?
— Lembramo-nos.
— Logo, não os ofenderemos de alguma maneira chamando-lhes amigos da opinião em vez de amigos da sabedoria? Acaso se irritarão fortemente conosco, se dissermos assim?
— Não, se acreditarem no que eu digo, porquanto não é licito irritar-se contra a verdade.
— Portanto, devemos chamar amigos da sabedoria, e não amigos da opinião, aos que se dedicam ao ser em si?
— Evidentemente.
(Platão,p.177).
Platão desejava que o ser humano vivenciasse o mundo pelo caminho da razão. Segundo Platão, o desenvolvimento racional é a chave para o desenvolvimento humano. Sem a razão não há desenvolvimento moral nem estético ou qualquer outro possível.
Na filosofia de Platão, o elemento racional está contido apenas na “alma” ou na “psique” do Homem. E o corpo é a morada dos elementos que induzem o Homem ao caos ou à desordem. As emoções e as paixões atrapalham a capacidade de bem pensar e de se perceber a diferença entre a realidade e a ilusão. Pensando assim, Platão procura mostrar que o conhecimento é sempre a vitória da ordem sobre o caos. Alguns provérbios populares são produtos dessa concepção filosófica:“Quando a cabeça não pensa, o corpo padece.”
“Não se deixe iludir: as aparências enganam.”
Pode-se afirmar que para Platão não existe coisa melhor ou que cause mais prazer à alma do que ver a vitória da ordem sobre o caos. Não há nada que dê mais prazer ou agrade mais à alma. Essa afirmação não é coerente com as afirmações platônicas de que o belo é o útil, de que belo é o bem, de que o belo é a harmonia, a simplicidade, a simetria, de que o belo é o bem pensar e a ordem? Todas essas afirmações sobre o belo estão em “A República” e pode-se sintetizá-las numa frase como a seguinte:
O belo é sempre a expressão de uma ordem que sensibiliza pela força que consegue emergir do caos
Fonte:
KALOKAGATHIA
O BELO E A JUSTIÇA SEGUNDO PLATÃO EM "A REPÚBLICA
O BELO E A JUSTIÇA SEGUNDO PLATÃO EM "A REPÚBLICA
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OBRA DE ARTE
Amores na bela Capital Catarinense.








