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segunda-feira, 21 de março de 2011

AS CINCO VIAS QUE PROVAM A EXISTÊNCIA DE DEUS.

Com o uso da razão é possível demonstrar a existência de Deus, para isto Tomás de Aquino propõe as 5 vias de demonstração:





Primeira via


Primeiro motor imóvel: tudo o que se move é movido por alguém, é impossível uma cadeia infinita de motores provocando o movimento dos movidos, pois do contrário nunca se chegaria ao movimento presente, logo há que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém foi movido.


Segunda via


Causa primeira: decorre da relação "causa-e-efeito" que se observa nas coisas criadas. É necessário que haja uma causa primeira que por ninguém tenha sido causada, pois a todo efeito é atribuída uma causa, do contrário não haveria nenhum efeito pois cada causa pediria uma outra numa sequência infinita.


Terceira via


Ser necessário: existem seres que podem ser ou não ser (contingentes), mas nem todos os seres podem ser desnecessários se não o mundo não existiria, logo é preciso que haja um ser que fundamente a existência dos seres contingentes e que não tenha a sua existência fundada em nenhum outro ser.


Quarta via


Ser perfeito: verifica-se que há graus de perfeição nos seres, uns são mais perfeitos que outros, qualquer graduação pressupõe um parâmetro máximo, logo deve existir um ser que tenha este padrão máximo de perfeição e que é a causa da perfeição dos demais seres.


Quinta via


Inteligência ordenadora: existe uma ordem no universo que é facilmente verificada, ora toda ordem é fruto de uma inteligência, não se chega à ordem pelo acaso e nem pelo caos, logo há um ser inteligente que dispôs o universo na forma ordenada.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Homossexualidade na Grécia Antiga

Sobre a homossexualidade na Grécia Antiga



Luiz Augusto de Freitas Guimarães

Antes de nos aprofundarmos no tema em questão, faz-se necessário definir o que significa homossexualidade. Recorrendo ao dicionário Aurélio da Língua Portuguesa encontramos homossexual como relativo à afinidade, atração e/ou comportamento sexuais entre indivíduos do mesmo sexo. No entanto, a palavra homossexual é originária do século XIX a partir do grego homo (igual) e do latim sexus. Com isso enfatizamos que na Grécia Antiga tal expressão inexistia.

Encontramos a pederastia, que para os gregos era o amor de um homem (geralmente com idade acima de trinta anos) por um adolescente (entre os quatorze e dezesseis anos). A relação sexual entre pessoas adultas do mesmo sexo não era comum e, quando ocorria, era reprovada, principalmente entre dois homens, pois havia a preocupação com a questão da passividade. Um homem não podia ter complacências passivas com outro homem, muito menos se este fosse um escravo ou de classe inferior.

A prática da homossexualidade dentro do contexto da pederastia não era excludente. Ou seja, o fato do homem ter sua esposa não era impedimento para que se relacionasse com um adolescente. E nem o fato de se relacionar com o adolescente significava o fim do seu casamento. A pederastia dificilmente alterava a imagem do homem perante a sociedade, pois o amor ao belo, ao sublime e o cultivo da inteligência e da cultura não tinha sexo. Condenável era a busca do sexo pelo sexo.

Além do componente etário, a relação de pederastia incluía a questão do status social, nesse sentido o homem deveria ter ascendência intelectual, cultural e econômica sobre o adolescente. Afinal, ele complementaria a formação do jovem, iniciando-o nas artes do amor, no estudo da filosofia e da moral.

Havia toda uma ritualização envolvendo a aproximação do homem que estivesse interessado por um adolescente. A “corte” era necessária para que a relação tivesse o caráter de bela e moralmente aceita. Os papéis nesse caso eram bem definidos, o homem (erastes) fazia a corte e o adolescente (erômeno) era o cortejado, podendo deixar-se conquistar ou não.

O homem, ao cortejar, presenteava, prestava favores, ia ao ginásio ver o adolescente se exercitar (e geralmente se exercitava nu) e praticava com ele os exercícios físicos até a exaustão, uma vez que não possuía o mesmo vigor físico da juventude. O adolescente, por sua vez, deveria ser gentil e ao mesmo tempo por à prova o amor do pretendente. A conquista era incerta, pois caberia ao jovem a palavra final.

Quando deveria acabar a relação de pederastia? Tão logo aparecesse no adolescente os primeiros sinais de virilidade, a primeira barba, que por volta dos 17 ou 18 anos já era evidente. Permanecer nessa relação após o advento da virilidade era reprovável, principalmente para o homem, já que estaria se envolvendo com outro homem.

A relação entre pessoas do mesmo sexo teve lugar também em Esparta, porém com um sentido um pouco diferente da vista em Atenas. Além das relações de pederastia, eram estimuladas as relações entre os componentes do exército espartano e tinha por objetivo torná-lo mais forte. O que levava os comandantes do exército a estimular esse tipo de relação era o fato de acreditarem que um amante, além de lutar, jamais abandonaria outro amante no campo de batalha. O Batalhão Sagrado de Tebas, famoso por suas vitórias, era formado totalmente por pares homossexuais.

A homossexualidade feminina também teve seu lugar na Grécia Antiga. E, embora a mulher não ocupasse lugar de destaque e, por isso, a escassez de registros, é da antigüidade grega que provém o termo lésbica, para indicar a mulher homossexual. Lesbos é o nome da ilha onde viveu a Safo, a famosa poetisa, que não escondia sua preferência sexual pelo mesmo sexo. E, já que citamos Safo, vale nomear outros nomes conhecidos. Zeus, o deus grego, enamorou-se de tal forma pelo jovem Ganimedes, tal era sua beleza, que o levou para o Olimpo. Teseu seduziu não apenas donzelas no labirinto, mas também os monstros. Os filósofos Sócrates e Platão e o legislador Sólon foram pederastas no sentido aqui explicitado.

Na Grécia Antiga, as relações entre homens, que hoje nomeamos de homossexualismo, eram quase sempre orientadas para finalidades específicas e ultrapassavam a simples busca do prazer sexual. A pederastia visava a formação do jovem, tanto em Esparta quanto em Atenas. No exército espartano o amor entre soldados fortalecia o exército. Em nenhum dos dois casos estava excluída a relação com uma mulher, no presente ou no futuro. É com o advento do cristianismo que essas relações passam a ser vistas como pecaminosas.
 
Bibliografia

AMES, Philippe e BÈJIN, André. Sexualidades ocidentais. São Paulo. Brasiliense: 1982.

DOVER, Kenneth J. A homossexualidade na Grécia antiga. São Paulo: Nova Alexandria, 1978.
FOUCAULT, Michel. História da sexualidade 2 - o uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Graal, 1984.

SPENCER, Colin. Homossexualidade - uma história. São Paulo: Record, 1996.

TANNAHIL, Reay. O sexo na história. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1980

Imagem: Mandala , O Amor e o Amar, do Seminário da Unipaz.






ÁGORA: Grécia Antiga.

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sábado, 5 de março de 2011

DITIRAMBOS: A DANÇA DA GRÉCIA ANTIGA.

Forma de lírica coral popularizada na Grécia arcaica, de inspiração dionisíaca, e própria de ocasiões festivas.
O ditirambo precede as comédias e as tragédias gregas. Poetas como Píndaro tornaram-se especialistas neste tipo de lírica. O mais antigo local de espectáculos de Atenas, o teatro de Dionysos Eleuthereus, situado na Acrópole, foi durante muito tempo o local onde se dançava e cantava os ditirambos (que era, aliás, um dos cognomes de Diónisos). Inicialmente, atribui-se a Árion o termo ditirambo para o canto dionisíaco, versificado e entoado por sátiros. O tirano Pisístrato (560-527 a.C.) elevou a devoção a Diónisos a culto oficial de Atenas, adoptando as inovações de Árion e convidando Téspis, originário da ilha de Lesbos, para organizar as festas das Dionisíacas Urbanas. Por volta de 530, celebra-se pela primeira vez esse festival, sendo Téspis o seu principal animador, fazendo representar um poema que consistia num diálogo entre um ator (hypocrites, "aquele que responde") e um coro, evocando uma lenda, como é habitual no texto do ditirambo. Téspis introduz ainda o costume de mascarar os atores e é este o aspecto que ainda aproxima o teatro antigo com os rituais dionisíacos. Alguns poetas modernos tentaram imitar o ditirambo antigo, por exemplo o poema Alexander’s Feast (1697), de Dryden, segue o padrão grego.

sexta-feira, 4 de março de 2011

VIDEO HOMENAGEM

Com o vídeo abaixo, sugestão de meu amigo Jayro, quero homenagear a todos aqueles deficientes com os quais trabalhei durante mais de trinta anos. Com eles aprendi que a vida vale a pena mesmo quando nos falta parte da nossa composição física ou mental. Só não conseguimos viver bem se estivermos desvinculados da
conexão com o nosso EU Superior.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O QUE É FILOSOFIA DA LINGUAGEM - William P. Alston

A Filosofia da Linguagem está ainda menos bem definida e possui um princípio de unidade ainda menos claro do que a maioria dos outros ramos da Filosofia. Os problemas da linguagem que são tipicamente tratados pelos filósofos constituem uma coleção pouco conexa, para a qual é difícil encontrar qualquer critério nítido que a distinga dos problemas de linguagem de que se ocupam gramáticos, psicólogos e antropólogos. Podemos chegar a uma noção inicial da amplitude dessa coleção fazendo um levantamento dos vários pontos onde, no âmbito da Filosofia, surge o interesse pelos problemas da linguagem.

Fontes do Interesse do Filósofo pela Linguagem: A Metafísica

Vejamos, em primeiro lugar, os modos como os problemas relativos à linguagem se manifestam nos vários ramo, da Filosofia. A metafísica é a parte da Filosofia que se caracteriza, em suas linhas gerais, como uma tentativa para formular os fatos mais genericamente universais, incluindo uma enumeração das categorias mais básicas a que pertencem as entidades e alguma representação de suas inter-relações. Sempre houve filósofos que tentaram chegar a alguns desses fatos fundamentais considerando os aspectos básicos da linguagem que usamos para falar sobre o mundo. Lemos no livro X de República de Platão : "Sempre que um determinado número de indivíduos tem um nome comum supomos que tenham também uma idéia ou forma correspondente" ( 596 ) . Para esclarecer essa observação algo enigmática, Platão chamou a nossa atenção para um aspecto genérico da linguagem, de que um determinado substantivo ou adjetivo, por exemplo, 'árvore' ou 'agudo', pode ser verdadeiramente aplicado no mesmo sentido a um grande número de coisas distintas e diferentes; a sua opinião é de que isso só será possível se existir alguma entidade designada pelo termo geral em questão 0 arboridade, agudeza - da qual compartilha cada um dos indivíduos. Caso contrário, seria impossível aplicar o termo geral no mesmo sentido a vários indivíduso diferentes.

O QUE É FILOSOFIA DA LINGUAGEM - William P. Alston

Parte II

Encontramos também Aristóteles, em sua Metafísica, argumentando da seguinte maneira;

"E assim, poder-se-ia até levantar a questão de saber se as palavras caminhar , ter saúde , sentar , implicam que cada uma dessas coisas seja existente, e do mesmo modo em outros casos deste gênero; pois nenhuma delas subsiste por si própria nem é capaz de manter-se separada da substância mas, antes, se realmente é alguma coisa, é aquilo que anda, ou se senta ou é saudável que é uma coisa existente. Ora, tais palavras são tidas na conta de mais reais porque existe algo definido que lhes é subjacente (isto é, a substância, ou indivíduo), que está implícito nesse predicado; pois nunca usamos a palavra "bom" ou "sentado" sem subentender isso". ( Livro Zeta, capítulo 1. )

Neste caso, Aristóteles parte do fato de que nunca usamos verbos a não ser em conexão com sujeitos, de que não dizemos "Senta", "Caminha" etc., mas, antes, "Ele está sentado" ou "Ela caminha". Deste fato conclui que as substâncias, as "coisas", têm uma espécie independente de existência que as ações não têm, que as substâncias são ontologicamente mais fundamentais do que as ações.

Um exemplo mais exagerado vamos encontrar no filósofo alemão do fim do século XIX, Meinong, que parte da suposição de que toda a expressão significativa numa frase ou proposição (pelo menos, qualquer expressão significativa que tenha a função de referir-se a algo) deve ter- 11m referente; caso contrário, nada haveria que pudesse significar. Logo, quando temos uma expressão obviamente significativa que não se refere a coisa alguma no mundo real, por exemplo, "a Fonte da Juventude", na frase "De Soto está à procura da Fonte da Juventude" , devemos supor que se referia a uma entidade "subsistente", que não existe mas tem algum outro modo de ser. Esta doutrina, assim como a posição platônica acima apresentada, baseia-se numa assimilação confusa de significado e referência, que tentaremos destrinçar no primeiro capítulo.

0 pressuposto contido nesses padrões de argumentação metafísica tornou-se patente no movimento filosófico do século XX conhecido como atomismo lógico,, cujos expoentes mais destacados foram Bertrand Russell e Ludwig Wittgenstein (no seu período inicial). Em sua série de artigos, "A Filosofia do Atomismo Lógico", Russell explica com clareza o princípio;


 
". . . num simbolismo logicamente correto haverá sempre uma certa identidade fundamental de estrutura entre um fato e o seu símbolo respectivo; e... a complexidade do símbolo corresponde intimamente à complexidade dos fatos por ele simbolizados."1

Note-se que essa identidade de estrutura é postulada como válida não entre qualquer linguagem existente e a estrutura metafísica básica do mundo, mas somente entre uma "linguagem logicamente perfeita" e a estrutura metafísica.. A hipótese formulada é de que, quando criamos tal linguagem ou adquirimos, pelo menos, uma idéia sumária do que essa linguagem poderia ser, estaremos então aptos a tirar várias conclusões sobre os tipos de fatos de que a realidade é feita e a estrutura de cada um desses fatos. Verificaremos quais diferentes tipos de proposições possuímos nessa linguagem para afirmar fatos, por exemplo, simples frases de sujeito-predicado como "Este livro é pesado" e frases existenciais como "Há um gato na varanda"; e veremos como esses vários tipos de proposições estão logicamente correlacionados. Isso nos dirá quais são os tipos básicos de fatos de que a realidade é feita e como os fatos desses vários tipos estão correlacionados.

GIOTTO RETRATA O BEIJO DE JUDAS COM MAESTRIA.

O QUE É FILOSOFIA DA LINGUAGEM - William P. Alston

Parte III

LÓGICA

1. Joe Carpenter vende apólices de seguro em nossa cidade.

Joe Carpenter pertence à Primeira Igreja Metodista.

Portanto, Joe Carpenter não só vende apólices de seguro em nossa cidade, como pertence à Primeira Igreja Metodista.

2. Alguém vende apólices de seguro em nossa cidade.

Alguém pertence à Primeira Igreja Metodista.

Portanto, alguém vende apólices de seguro em nossa cidade e pertence à Primeira Igreja Metodista.

Ora, 1 é, claramente, um argumento válido e 2 é, claramente, inválido. Dados os fatos de que alguém vende seguros nesta cidade e alguém pertence á Primeira Igreja Metodista, não se segue, em absoluto, que exista alguém de quem ambas essas coisas sejam verdadeiras. Como um desses argumentos é válido e o outro inválido, decorre que, apesar das superficiais semelhanças gramaticais, uma frase como a. "Joe Carpenter vende apólices de seguro em nossa cidade" é de uma forma lógica muito diferente de uma frase como b. "Alguém vende apólices de seguro em nossa cidade". Existem outros indícios disso. A frase b é equivalente a "Existe alguém que vende apólices de seguro em nossa cidade" e " A classe de pessoas que vendem apólices de seguro em nossa cidade não está vazia'', mas não podemos encontrar tais equivalentes para a frase a. Quando as premissas e conclusão da inferência 2 são colocadas numa dessas formas, o argumento perde sua semelhança superficial com a inferência 1 e não parece de modo algum válido.

3. Há alguém que vende apólices de seguro em nossa cidade.

Há alguém que pertence à Primeira Igreja Metodista.

Portanto, existe alguém que vende apólices de seguro em nossa cidade e pertence à Primeira Igreja Metodista.

Fica evidenciado em tais exemplos que uma importante parte da lógica consiste da classificação de enunciados em função cie sua forma "lógica" (isto é, aspectos da forma que são relevantes para a avaliação da inferência). E essa classificação requer, por seu turno, uma classificação dos tipos de termos que entram nos enunciados, pois uma diferença formal assenta, muito freqüentemente, numa diferença entre os tipos de termos envolvidos. No exemplo precedente, a diferença de forma lógica entre as frases a e b assenta numa diferença fundamental entre um nome próprio como "Joe Carpenter", que tem a função de selecionar um determinado indivíduo, e uma locução como "alguém", que tem uma função muito diferente.

 Outro ramo da Filosofia em que o interesse pela linguagem tem  lugar preponderante é a lógica. A lógica é o estudo da inferência; mais precisamente, é a tentativa de criação de critérios para distinguir as inferências válidas das inválidas. Como o raciocínio se efetua pela linguagem, a análise das inferências depende da análise dos enunciados que figuram como premissas e conclusões. 0 estudo da lógica revela o fato de que a validade ou invalidade de uma inferência depende das formas dos enunciados, que compõem as premissas e a conclusão, entendendo-se por "forma" as espécies de termos que os enunciados contêm e o modo como esses termos estão combinados no enunciado. Assim, de duas inferências que superficialmente parecem muito semelhantes, uma poderá ser válida e a outra inválida por causa de uma diferença na forma de um ou mais dos enunciados envolvidos. Consideremos os seguintes pares de inferências.

MICHELANGELO E SEU FRUTO PROIBIDO.

O QUE É FILOSOFIA DA LINGUAGEM - William P. Alston

Parte IV

A Epistemologia

0 ramo da Filosofia conhecido como Epistemologia ou Teoria do Conhecimento envolve a linguagem em certos pontos, sendo o mais importante o problema do conhecimento a priori. Temos um conhecimento apriorístico quando sabemos algo sem que esse "algo" esteja fundamentado na experiência. Parece que temos um conhecimento desse gênero na matemática e talvez em outras áreas também; e o fato de termos tal conhecimento parece ter deixado os filósofos freqüentemente perplexos. Como é que podemos saber com toda a certeza, independentemente de observações, medidas etc., que os ângulos de um triângulo euclidiano, todos somados, são iguais a 180 graus? Ou que 8 mais 7 é sempre e invariavelmente igual a 15? Como podemos estar certos de que nenhuma experiência jamais desmentirá essas convicções? Uma resposta que tem sido freqüentemente dada é que, em tais casos, o que estamos afirmando é verdadeiro por definição ou verdadeiro em conseqüência das significações dos termos envolvidos. Quer dizer, faz parte do que significamos com o uso de "8", "7", "15", "mais" e "igual'' que 8 mais ~ iguala 15; e negar esta afirmação seriamente implicaria a mudança de significação de um ou mais desses termos. A propriedade desta explicação do conhecimento a priori é e tem sido objeto de considerável controvérsia; mas, quer a posição se justifique ou não, é evidente que, mesmo considerando-a seriamente, somos levados inevitavelmente a indagações por que um termo tem um certo significado P como é que um enunciado pode ser verdadeiro em virtude de certos termos possuírem o significado que possuem.

ARTE DE BENOZZO - A DANÇA DE SALOMÉ.

O QUE É FILOSOFIA DA LINGUAGEM - William P. Alston

Parte V

Reforma da Linguagem

Há também motivos filosóficos de interesse pela linguagem que nada têm a ver com os problemas de um ou outro ramo da Filosofia mas, sim, com os tipos de atividade a que os filósofos são levados em muitos ramos da matéria. Um destes é a reforma da linguagem. Os pensadores de muitos campos são propensos a se queixarem de deficiências da linguagem, mas os filósofos têm estado mais preocupados, e com razão, com esse gênero de problema do que a maioria. A filosofia é muito mais uma atividade puramente verbal do que uma ciência que reúne e colige fatos sobre reações químicas, estruturas sociais ou formações rochosas. A discussão verbal é o laboratório do filósofa, onde ele submete suas idéias a teste. Não surpreende, portanto, que o filósofo seja especialmente sensível às imperfeições em seu principal instrumento. As queixas filosóficas sobre a linguagem têm tomado variadas formas. Temos os filósofos da intuição mística, como Plotino e Bergson, que consideram a linguagem intrinsecamente inadequada à formulação da verdade fundamental.
Segundo esse ponto de vista, só podemos realmente apreender a verdade mediante uma união, sem palavras, com a realidade; as formulações lingüísticas só nos proporcionariam, na melhor das hipóteses, perspectivas mais ou menos desvirtuadas. Mas, com maior freqüência, os filósofos não se mostram propensos a renunciar à conversação, nem mesmo em teoria. As queixas, em geral, têm sido dirigidas contra algum estado ou condição corrente da linguagem, e a implicação é de que deveriam ser tomadas providências para remediar essa situação, Esses filósofos podem ser, metodicamente, divididos em dois grupos, Há os que mantêm que a "linguagem vulgar'', a linguagem da conversação cotidiana, é perfeitamente adequada aos fins filosóficos, e que o mal reside no fato de se desviar da linguagem vulgar sem que se providencie, realmente, um meio qualquer de dar sentido ao desvio. Encontramos exemplos desse tipo de queixas ao longo da história da Filosofia, como foi o caso dos protestos de Locke contra o jargão escolástico; entretanto, foi em nossa própria época que tais reclamações se converteram na base de um movimento filosófico - o da "filosofia da linguagem comum".
Em sua mais vigorosa forma, tal como observamos nas últimas obras de Ludwig Wittgenstein, ela sustenta que todos ou, pelo menos, a maioria dos problemas da Filosofia promanam do fato de os filósofos terem usado mal alguns termos decisivos, como "saber", "ver", "livre", "verdadeiro" e "razão". Foi porque os filósofos se afastaram do uso ou usos comuns desses termos, sem os substituir por algo inteligível, que acabaram por cair em enigmas insolúveis sobre se podemos saber o que outras pessoas estão pensando ou sentindo; se realmente vemos, de modo direto, qualquer objeto físico; se agimos sempre livremente; se temos sempre alguma razão para supor que as coisas acontecerão de uma maneira ou de outra no futuro. Segundo Wittgenstein, o papel do filósofo que chegou a essa conclusão é o papel de um terapeuta; sua tarefa consiste em remover as "limitações conceptuais'' em que caímos.



O QUE É FILOSOFIA DA LINGUAGEM - William P. Alston


Parte VI

Em segundo lugar, há os que, ao contrário, sustentam que o problema decorre do fato de ser a própria linguagem vulgar inadequada para fins filosóficos, em vista de sua indefinição, ambigüidade, caráter vago e inexplícito, dependência do contexto e de sua natureza propícia a interpretações ilusórias ou equívocas. Esses filósofos, como Leibniz, Russell e Carnap, consideram ser sua tarefa a construção de uma linguagem artificial ou, pelo menos, a delineação de uma linguagem tal em que esses efeitos sejam remediados. Como acentuamos antes, esse empreendimento é, por vezes, estimulado pela convicção de que é possível, pela estrutura dessa linguagem, entender todos os fatos sobre a estrutura metafísica da realidade.

 

Para os nossos propósitos, o interesse principal por essas queixas e esquemas de reforma reside no modo como as concepções gerais da linguagem e da significação estão neles envolvidas. Até a posição mística pressupõe uma certa noção da natureza da linguagem; de outro modo, não disporíamos de base alguma para sustentar que a linguagem é intrinsecamente incapaz de servir como formulação adequada da verdade. As outras posições envolvem, necessariamente, concepções mais positivas das condições em que a linguagem é significativa e desempenha adequadamente suas funções. Assim, o critério de verificabilidade da significação, ao qual aremos a maior parte de um capítulo, promana de uma posição do gênero descrito em último lugar.



OBRA DE ARTE

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Amores na bela Capital Catarinense.