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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

POPPER E A QUESTÃO DA INDUÇÃO


SUELY MONTEIRO

                 A questão que se coloca é quanto à posição de Popper em relação à inferência indutiva na prática cientifica e, este trabalho defenderá a tese de que ele é radicalmente contrário à sua validade.  Para isto, portanto, é preciso esclarecer, inicialmente que por inferência indutiva entende-se a prática da ciência empirista, baseada na repetição dos fatos observáveis para alcançar às leis, de modo generalizado. Ou como no dizer do próprio Popper citado por Silveira (Silveira, 1994, pg. 200):

“É comum dizer-se “indutiva” uma inferência, caso ela conduza de enunciados singulares (...), tais como descrições dos resultados de observações ou experimentos, para enunciados universais, tais como hipóteses ou teorias.”  

               Na concepção de Popper esta é uma maneira equivocada de proceder cientificamente, e ele se opõe a ela radicalmente, alegando dentre alguns de seus muitos argumentos que

Está longe de ser óbvio, de um ponto de vista lógico, haver justificativa   no inferir enunciados universais singulares, independentemente de quão numerosos sejam estes; com efeito qualquer conclusão colhida desse modo sempre pode revelar-se falsa; isto não justifica a conclusão de que todos os cisnes são brancos” (Silveira, pág. 200 .1994).

                   Ou seja basta um dado, neste caso, o aparecimento de um único cisne não branco para a teoria perder a validade abrir campo para novas perquirições. Ou dizendo de outro modo, tanto a indução repetitiva que se baseia em observações de fatos muito bem observados para daí concluir uma teoria, quanto a indução eliminatória que, aparentemente se aproxima da posição de Popper, mas que difere dela na medida em que é impossível eliminar, indefinidamente, toda teoria rival e firmar uma verdade única é carente de validade cientifica.  No entendimento de Popper as observações não são puras. São mescladas dos pressupostos e teorias com as quais os cientistas se harmonizam e, à partir delas, fazem testes que as confirmam ou não.

                      Por outro lado, a posição de Popper em relação aos problemas da indução, e consequentemente, de verificação, também não se assemelha às dos céticos uma vez que ele não suspende juízo de valores diante de duas teorias com igual valor de verdade e aceita que uma teoria pode “ser mais verdadeira do que a outra sem que jamais se possa afirmar estar-se contemplando a verdade finalmente desvelada”. (Lacoste, 1998, pg.71).

                     Popper tem uma posição que aproxima de certo modo, ciência e metafísica na medida em que aceita o conhecimento cientifico como um saber não somente objetivo, mas também, conjectural, possível de ser refutável. Fazer ciência implica uma dose de imaginação criadora, de capacidade de gerar hipóteses.

                     Também para Targa a postura de Popper é radicalmente contrária à inferência indutiva na prática cientifica na medida em que afirma que

“...nenhuma teoria pode ser considerada verificada ou definitivamente verdadeira. Mesmo as mais consagradas teorias cientificas consistem em conhecimento provisórios, explicações bem sucedidas, que a qualquer momento, podem ser derrubadas por novos problemas ou teorias mais adequadas “(Targa.2011, pág. 83).

                     E, para concluir, nada melhor do que as palavras do próprio Popper, citado por Lacoste “... Não existe indução: jamais argumentamos fatos à teoria a não ser por intermédio da refutação ou da ‘falsificação’.”  (Lacoste, 1998. pg.169).
Bibliografia:
TARGA, Dante Carvalho. Filosofia da Ciência: Livro Didático Disciplina de Modalidade à Distância. 1ª. Ed. Revista. Ed. Unisul Virtual. Palhoça, Santa Catarina. 2011.
LACOSTE, Jean. A Filosofia no Século XX: Ensaios e textos. 2ª. Ed.Papirus Editora. Campinas. SP. 1998.
SILVEIRA. Fernando Lang. A Filosofia da Ciência de Karl Popper: o Racionalismo Crítico. Disponível em:  http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/7046/6522. Acesso em 18.ago.2013.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 25 de junho de 2013

LITERATURA

O gramático (*)
Humberto de Campos


Alto, magro, com os bigodes grisalhos a desabar, como ervas selvagens pela face de um abismo, sobre os cantos da funda boca munida de maus dentes, o professor Arduíno Gonçalves era um desses homens absorvidos completamente pela gramática. Almoçando gramática, jantando gramática, ceando gramática, o mundo não passava, aos seus olhos, de um enorme compêndio gramatical, absurdo que êle justificava repetindo a famosa frase do Evangelho de João:

— No princípio era o VERBO!


Encapado pela gramática, e às voltas, de manhã à noite, com os pronomes, com os adjetivos, com as raízes, com o complicado arsenal que transforma em um mistério a simplicíssima arte de escrever, o ilustre educador não consagrava uma hora sequer às coisas do seu lar. Moça e linda, a esposa pedia-lhe, às vezes, sacudindo-lhe a caspa do paletó esverdeado pelo tempo:
— Arduíno, põe essa gramatiquice de lado. Presta atenção aos teus filhos, à tua casa, à tua mulher! Isso não te põe para diante!

Curvado sobre a grande mesa carregada de livros, o cabelo sem trato a cair, como falripas de aniagem, sobre as orelhas e a cobrir o colarinho da camisa, o notável professor retirava dos ombros a mão cariciosa da mulher, e pedia-lhe, indicando a estante:
— Dá-me dali o Adolfo Coelho.

Ou:

— Apanha, aí, nessa prateleira, o Gonçalves Viana.

Desprezada por esse modo, Dona Ninita não suportou mais o seu destino: deixou o marido com as suas gramáticas, com os seus dicionários, com os seus volumes ponteados de traça, e começou a gozar a vida passeando, dançando e, sobretudo, palestrando com o seu primo Gaudêncio de Miranda, rapaz que não conhecia O padre Antônio Vieira, o João de Barros, o frei Luís de Sousa, o Camões, o padre Manuel Bernardes, mas que sabia, como ninguém, fazer sorrir as mulheres.

— Êle não prefere, a mim, aquela porção de alfarrábios que o rodeiam?   Então, que se fique com eles!

E passou a adorar o Gaudêncio, que a encantava com a sua palestra, com o seu bom-humor, com as suas gaiatices, nas quais não figuravam, jamais, nem Garcia de Rezende, nem Gomes Eanes de Azurara, nem Rui de Pina, nem Gil Vicente, nem, mesmo, apesar do seu mundanismo, D. Francisco Manuel de Melo.

Assim viviam, o professor, com seus puristas e Dona Ninita com o seu primo, quando, de regresso, um dia, ao lar, o desventurado gramático surpreendeu a mulher nos braços musculosos, mas sem estilo, de Gaudência de Mianda. Ao abrir0se a porta, os dois culpados empalideceram, horrorizados. E foi com o pavor no coração que o rapaz se atirou aos pés do espôso traído, pedindo súplice, de joelho:

— Me perdôe, professor!
Grave, austero, sereno, duas rugas profundas sulcando a testa ampla, o ilustre educador encarou o patife, trovejando, indignado:

— Corrija o pronome, miserável! Corrija o pronome!

E, entrando no gabinete, começou, cantarolando, a manusear os seus clássicos...

(*) Esta engraçada anedota com que Humberto de Campos divertiu os leitores de "O Imparcial" e, depois, os do livro "AGansos do Capitólio", vem condensada em meia dúzia do linhu no texto da 'Fisiologia do Casamento", de Honoré de Balzac, sendo ai o protagonista um membro da Academia Francesa.
(Foi mantida a gramática da época).

Humberto de Campos Veras, jornalista, político, crítico, cronista, contista, poeta, biógrafo e memorialista, nasceu em Miritiba, hoje Humberto de Campos, MA, em 25 de outubro de 1886, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 5 de dezembro de 1934. Foram seus pais Joaquim Gomes de Faria Veras, pequeno comerciante, e Ana de Campos Veras. Perdendo o pai aos seis anos, Humberto de Campos deixou a cidade natal e foi levado para São Luís. Dali, aos 17 anos, passou a residir no Pará, onde conseguiu um lugar de colaborador e redator na "Folha do Norte" e, pouco depois, na Província do Pará. Em 1910 publicou seu primeiro livro, a coletânea de versos intitulada “Poeira”, primeira série. Em 1912 transferiu-se para o Rio. Entrou para o jornal “O Imparcial”, na fase em que ali trabalhava um grupo de escritores ilustres, como redatores ou colaboradores, entre os quais Goulart de Andrade, Rui Barbosa, José Veríssimo, Júlia Lopes de Almeida, Salvador de Mendonça e Vicente de Carvalho. João Ribeiro era o crítico literário. Ali também José Eduardo de Macedo Soares renovava a agitação da segunda campanha civilista. Humberto de Campos ingressou no movimento. Logo depois o jornalista militante deu lugar ao intelectual. Fez essa transição com o pseudônimo de Conselheiro XX com que assinava contos e crônicas, hoje reunidos em vários volumes. Assinava também com os pseudônimos Almirante Justino Ribas, Luís Phoca, João Caetano, Giovani Morelli, Batu-Allah, Micromegas e Hélios.

Eleito em 30 de outubro de 1919 para a Cadeira nº. 20, sucedendo a Emílio de Menezes, foi recebido em 8 de maio de 1920, pelo acadêmico Luís Murat.

Em 1920, já acadêmico, foi eleito deputado federal pelo Maranhão. Em 1923, substituiu Múcio Leão na coluna de crítica do jornal “Correio da Manhã”. A revolução de 1930 dissolveu o Congresso e ele perdeu seu mandato. O presidente Getúlio Vargas, que era grande admirador do talento de
Humberto de Campos
, procurou minorar as dificuldades do autor de “Poeira”, dando-lhe os lugares de inspetor de ensino e de diretor da Casa de Rui Barbosa. Em 1931, viajou ao Prata em missão cultural. Em 1933 publicou o livro que se tornou o mais célebre de sua obra, “Memórias”, crônica dos começos de sua vida. O seu “Diário secreto”, de publicação póstuma, provocou grande escândalo pela irreverência e malícia em relação a contemporâneos.

Autodidata, grande ledor, acumulou vasta erudição, que usava nas crônicas. Poeta neoparnasiano, fez parte do grupo da fase de transição anterior a 1922. "Poeira" é um dos últimos livros da escola parnasiana no Brasil. Fez também crítica literária de natureza impressionista. É uma crítica de afirmações pessoais, que não se fundamentam em critérios e, por isso, não podem ser endossadas nem verificadas. Na crônica, seu recurso mais corrente era tomar conhecidas narrativas e dar-lhes uma forma nova, fazendo comentários e digressões sobre o assunto, citando anedotas e tecendo comparações com outras obras. No fundo ou na essência, era uma crítica superficial, que não resiste à análise nem ao tempo.

Obras: Poeira, poesia, 2 séries (1910 e 1917); Da seara de Booz, crônicas (1918); Vale de Josaphat, contos (1918); Tonel de Diógenes, contos (1920); A serpente de bronze, contos (1921); Mealheiro de Agripa, vária (1921); Carvalhos e roseiras, crítica (1923); A bacia de Pilatos, contos (1924); Pombos de Maomé, contos (1925); Antologia dos humoristas galantes (1926); Grãos de mostarda, contos (1926); Alcova e salão, contos (1927); O Brasil anedótico, anedotas (1927); Antologia da Academia Brasileira de Letras (1928); O monstro e outros contos (1932); Memórias 1886-1900 (1933); Crítica, 4 séries (1933, 1935, 1936); Os países, vária (1933); Poesias completas (1933); À sombra das tamareiras, contos (1934); Sombras que sofrem, crônicas (1934); Um sonho de pobre, memórias (1935); Destinos, vária (1935); Lagartas e libélulas, vária (1935); Memórias inacabadas (1935); Notas de um diarista, 2 séries (1935 e 1936); Reminiscências, memórias (1935); Sepultando os meus mortos, memórias (1935); Últimas crônicas (1936); Perfis, 2 séries, biografias (1936); Contrastes, vária (1936); O arco de Esopo, contos (1943); A funda de Davi, contos (1943); Gansos do Capitólio, contos (1943); Fatos e feitos, vária (1949); Diário secreto, 2 vols. (1954). (Dados obtidos no sítio da Academia Brasileira de Letras).

O texto acima foi extraído do livro "Antologia de Humorismo e Sátira", Ed. Civilização Brasileira - Rio de Janeiro, 1957, pag. 250, organização de R. Magalhães Júnior.
Fonte: Leitura e Releitura. http://www.releituras.com/hdecampos_menu.asp. Acessado em 25 Jun.
2013.



segunda-feira, 24 de junho de 2013

                                         

GRATIDÃO

             
 
               Suely Monteiro
 
              Hoje é um dia muito especial para mim. Meu coração ao mesmo tempo que tem vontade de gritar de alegria, se volta constrito, para agradecer a Deus, aos médicos, enfermeiros, familiares, amigos dos dois lados da vida e todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram para que eu obtivesse a cura do câncer que sem pedir licença resolveu se alojar no meu organismo.
Suely Monteiro              Posto este depoimento no blog como o fiz no face, não para vangloriar da cura sobre aqueles que ainda não conseguiram alcançá-la, mas para os estimular a continuar o tratamento num clima de confiança em Deus e na medicina que está muito avançada.                 
             Percebi que temos responsabilidades muito grandes na condução de nossas vidas, e especialmente, quando ficamos doentes. Existem muitas opções de tratamento e devemos usar de nossos conhecimentos e seguir, também, nossa intuição na hora de escolher uma linha terapêutica. Em hipótese alguma, uma vez tomada a decisão devemos nos sentir inseguros ou desesperançados. Cabe-nos viver um dia de cada vez com intensidade moderada e serena confiança. Afinal de contas, embora nem todos tenham câncer, todos sofrem de um ou outro mal e nem por isto a vida deixa de valer a pena...
              Alimentação saudável, exercícios físicos, mental e espiritual, boa leitura, contatos com pessoas de alto astral, carinho da família e dos amigos, além de total confiança na equipe médica são fatores importantes, ou pelo menos foram para mim, na cura desta doença que traz tantos desconfortos e medos.
            Por último, desejo dizer-lhes que aprendi muito durante os cinco anos que passei em tratamento. Muitas grandes lições eu poderia compartilhar, mas a que me parece mais relevante neste momento é o exercício da gratidão. Gratidão pela vida,  pelo tempo e pelas oportunidades, pois para mim Vida, Tempo e Oportunidades  são os grandes tesouros com que Deus nos aquinhoou  e muitas vezes não lhes danos os devidos valores.
 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

IGOR SAVITSKY - O HOMEM QUE ENGANOU A MORTE .


Suely Monteiro


Hoje, a saudade bateu no meu coração. Saudade de minha infância, dos brinquedos que eu fazia com barros e pequenos vegetais, dos livros que eu tomava emprestado na biblioteca do bairro e, sobretudo, da solidariedade que reinava entre meus irmãos e eu, naquela distante cidade do interior de Minas Gerais. A cidade, não oferecia recursos para o crescimento sócio cultural dos seus jovens e, assim os pais que tinham dinheiro enviavam seus filhos para estudarem no Rio. Eu, no entanto, precisava permanecer ali, trabalhando numa fábrica de tecidos para ajudar na despesas domésticas, uma vez que éramos muito pobres. Mas, o desejo de estudar, de saber mais era meu mais fiel companheiro e me estimulava a vasculhar a biblioteca em busca de livros sobre diversos assuntos, mas em especial, Filosofia, Literatura e Arte.

Assim, eu vivia minha vidinha descompromissada de compromissos intelectuais, de crenças e desejos de “um dia ser alguém”, como eu ouvia os vizinhos falarem. Lia, trabalhava e estudava na solidão das noites, à luz de lamparina.  Eu era, apesar de toda pobreza, uma menina feliz, e hoje, ao relembrar o passado me dou conta de que minha felicidade advinha do fato de eu ter descoberto e preservado na alma o valor do ser humano. E ao recordar minha infância, eu olho pela janela e uma bonita paisagem me leva a pensar na grandiosidade de Deus, o Artista Inigualável, que a criou linda para nos prestigiar, que proporcionou ao homem a oportunidade de conhecer e aprimorar suas leis vivenciando a irmandade, o respeito ao outro, a solidariedade. Penso no quanto nossa época cresceu intelectualmente o no quanto ainda permanece presa da ignorância, do vício e da indiferença moral. Quantos sofrimentos são causados por estes sentimentos menores que ainda habitam em nossos corações! 
Museu de Nukus
http://fazendoartedmc.blogspot.ca/2013_01_01_archive.html
Mas, qual é afinal a relação de Igor Savitsky e minha história de vida? Nenhuma a não ser o fato de que ele descobriu e preservou da “morte” nas mãos desrespeitosas de Stalin a arte da vanguarda modernista russa e hoje me acalenta nesses momentos de doce recordações com belas imagens, registros de pessoas que não se comprometeram em falsear a verdade, em negar os impulsos de suas almas e que seguiram criando o Belo, usando as cores fortes como os sentimentos que as sustinham e  forçavam a avançar a despeito do medo e da dor; pessoas que mesmo não se dizendo crentes em Deus agiram com a dignidade, a solidariedade e a sensibilidade que Ele espera de Seus filhos. Nenhuma relação,  além do fato de nos mostrar com cores muito fortes o atraso em que nos encontramos enquanto seres privados de generosidade, com capacidade de causar sofrimento e morte movidos somente pelo orgulho e pela vaidade.
Igor Savitsky
http://fazendoartedmc.
blogspot.ca/2013_01_01_archive.html

Interior do Museu
http://fazendoartedmc.
blogspot.ca/2013_01_01_archive.html

Savitsky  com sua arrojada vontade angariou recursos, por vias indiretas, do próprio governo de Moscou e ergueu , sob as áreas do deserto do Uzbequistão o  Balés Clássico e Moderno, templo das artes proibidas que o             Estado Soviético tentou sufocar. Como fruto de sua sensibilidade e persistência conhecemos hoje nomes e obras que estavam destinados a desaparecerem em função da vaidade dos dirigentes de uma nação que não amava igualmente a seus filhos, mas que exigia deles sangue e vida para que alguns pudessem se manter no pedestal erigido pelo orgulho. Aproximadamente quarenta mil obras foram salvas pelo "Schindler" do Deserto com o gesto de enganar a morte encarnada no poder soviético .


Imagens : 
Fazendo Artehttp://fazendoartedmc.blogspot.ca/2013_01_01_archive.html
Acesso em 15/07/2015


 

terça-feira, 4 de junho de 2013

QUEM NOS APRISIONA?

Nossos inimigos não são os que nos odeiam,
mas aqueles que nós odiamos...
...

Um ex-prisioneiro de guerra
foi visitar un amigo que havia compartilhado com ele tão penosa experiência.

”Já esqueceste a prisão durante a guerra?”
perguntou ao seu amigo.
“Sim”, disse o outro.

”Pois eu ainda não. Ainda continuo a odiar todos aqueles que nos aprisionaram com toda a minha alma.”

Seu amigo disse-lhe calmamente:
”Então…
ainda te mantens prisioneiro”!!!


Obs. Não conheço o autor. O texto da reflexão foi enviado por Vilma Pinto, minha querida amiga.

sábado, 18 de maio de 2013

Não, Platão não defende o Objetivismo Estético!

                                                                                 
Platão aponta para cima. Para o Mundo das Ideias. É lá que está a beleza, não nos objetos que vemos.
 

Um colega enviou-me um email pessoal com uma dúvida sobre estética, pedindo a nossa opinião sobre o assunto. Parece-nos que vale a pena responder aqui, pois pode interessar a outros também. A dúvida era a seguinte:


Comecei a dar a estética e fui ver o que os novos manuais diziam sobre o subjetivismo/objetivismo estético. Num deles li que o objetivismo estético é a perspetiva defendida por Platão, defendendo este que um objeto é belo em virtude das suas propriedades intrínsecas, as quais se encontram no objeto e só no objeto. Acho estranho Platão defender isto. Mas como já encontrei o mesmo noutro manual, pergunto se isto é mesmo assim.

             A primeira coisa a sublinhar é que se o objectivismo é a perspectiva segundo a qual a beleza (ou as propriedades que fazem algo ser belo) se encontram no objecto e só no objecto, então Platão nunca poderia ter defendido o objectivismo estético. Pela simples razão de que a tese de que a beleza está nas coisas é inconsistente com a bem conhecida teoria platónica das ideias. De acordo com a teoria das ideias, o que nos faz dizer que um dado objecto é belo não é o que nele vemos, mas a ideia imutável de beleza que esse objecto imita. Ora, como sabemos, as ideias — incluindo a ideia de beleza, em virtude da qual chamamos «belos» a certos objectos — encontram-se num mundo à parte, diferente do mundo dos objectos sensíveis.

            Sendo assim, como se pode dizer que Platão é objectivista? Dizer que Platão é objectivista é o mesmo que dizer que Platão não defende a teoria das ideias, de acordo com a qual a beleza não está nos objectos.

            Mas será que, por não estar nos objectos, a beleza deixa de ter uma existência real e independente de quaisquer sujeitos? A resposta de Platão é que a beleza tem uma existência real, mas não está nos objectos nem depende de sujeitos: ela está no mundo transcendente das ideias perfeitas. Assim, o que Platão defende é o realismo estético, não o objectivismo estético, que são coisas diferentes.

Em suma: não, Platão não defende o objectivismo estético. Nem é preciso ler mais do que a passagem da Alegoria da Caverna para se concluir isso.

 

Nota: No meu texto não aplico o novo acordo ortográfico, o que não acontece na citação acima

Fonte: Cinquenta Lições de Filosofia. Platão. Disponível em:
http://50licoes.blogspot.com.br/search/label/Plat%C3%A3o
Acesso em: 19 Mai.2013.

Acesso em: 18 Mai.2013.

domingo, 28 de abril de 2013

REFLEXÃO SOBRE A ÉTICA

 

Paz!
 

    A  ética platônica  cria uma correspondência entre as três partes da alma,  tomando uma feição mais ou menos assim:
 
-  a alma sensual  requer, moderação, temperança;
-  a alma afetiva  demanda fortaleza, temperança;
-  e a alma racional reclama a prudência ou sabedoria. Da unificação e boa relação entre elas é que surge a Justiça, a quarta e fundamental virtude.
 
   Analisando essas virtudes, me deparei pensando no quanto o mundo seria melhor se as praticássemos em nossos meios. Tomando como modelo o Brasil, seria importante para o exercício dessa prática - da Justiça -,  que o respeito às Leis fosse praticado a começar pelos nossos representantes nos três poderes, muitos dos quais ajudaram a formulá-las.       
    
    Lamentavelmente, o que vemos são políticos e magistrados protagonizando tristes episódios de corrupção,  desvio de verbas, intimidação, abuso do direito e  do poder que receberam das mãos do povo, por ocasião da eleição, para administrar e gerir seus bens. Aliás, eles administram e gerem, mas em beneficio próprio. O enriquecimento ilícito é um fator da desconfiança do povo nos governantes.
 
  A conclusão que chego à partir desta análise é que falta-lhes (aos nossos governantes) as virtudes da  moderação, temperança e sabedoria e, desta forma  -  a Justiça, como emanação da boa relação entre  elas -, não pode existir.
 
  O que fazer? 
 
   Infelizmente, não é possível adornar os nossos políticos e nossos homens de poder com virtudes, pois estas são conquistas individuais.  Por isto,  a importância de cultuá-las e, mais , vivenciá-las no dia-a-dia nos lares, nas comunidades, na empresas de modo que pelo exemplo pessoal possamos aos poucos, modificar o cenário, criando novas formas de viver e ser feliz justamente.
 
 - Demorado,  difícil? -  Talvez.
 - Utópico? -  Pode parecer.
 - Inviável? - Não creio, pois já avançamos muito em relação ao passado e isto nos torna mais esperançosos.  E mais, além de Platão e, com muito mais autoridade do que ele, Cristo nos concitou a fazer a nossa parte e nos advertiu que seriamos julgados segundo o modo como a  executássemos. Portanto, mão à obras em prol de uma reforma interior que faça com que  resplandeça  a nossa luz!
 
  


domingo, 14 de abril de 2013

DIÁLOGO



Eu, encantada pelo amor de minha mãe.
Suely Monteiro


Hoje minha mãe faz aniversário.

- Quantos anos?

Não sei responder. Algumas vezes ela tem mais de mil anos de experiência e sabedoria; em certas ocasiões mostra uma ingenuidade santa de quem acabou de nascer. Também é muito comum surpreender os filhos agindo como uma adolescente apaixonada. E, sempre se mostra encantada pela vida.  

-E pela aparência da pele você não a julga? 

  Sim, com certeza.

- Ela tem rugas?

Sim, mas não tem rusgas.

- Assim é difícil.

Você compreende a minha dificuldade? Então não me force a pensar e responder o impossível.

Aceite o convite para comemorar comigo a alegria de possuir o anjo encantador que Deus transmutou em Mãe para, juntamente com meu pai, receber a mim e a meus oito irmãos.

Que ensinou- nos com seu carinho, serenidade, calma energia e muito amor que a vida é para ser vivida;


A vocês, meus pais, o meu amor.
Que o bem que possuímos deve ser compartilhado, não importa se é um bem material ou espiritual;

Que o perdão e a caridade muito nos aproximam do Criador;

Que frequentar escola não oferece garantia de conhecimento a ninguém, mas é uma excelente oportunidade para obtê-la e, portanto, devemos aproveitar o máximo do convívio com os professores e colegas mais experientes.

E, finalmente, do que eu me lembro, ela ensinou-nos que o amor vale a pena hoje, amanhã e sempre, pois é ele que, em suas diversificadas formas e nomes, agrega células, equilibra e mantém os mundos, além de tornar o homem co-criador, ainda que ele não dê a isto, a mínima importância.

É o modelo que estou longe de alcançar.
 
A você, mãezinha do meu coração, todo o meu amor!

sexta-feira, 12 de abril de 2013

DE VOLTA À GRÉCIA

Suely Monteiro

A vida é bela. É preciso viver.
Eu precisava escrever um artigo comparativo entre as concepções de palingenesias platônica e kardeciana, mas as ideias para iniciá-lo não surgiam me deixando bastante  aborrecida e apreensiva, uma vez que o tempo não espera o Tempo da Inspiração chegar. 

Diante da impossibildiade de mudar a situação, tomei o barco da imaginação e rumei para a Grécia do século V. Se, para mim  viajar significa prazer, viajar para a Grécia significa reviver. Tenho, certamente, um pezinho  de alma naquelas terras.

Desembarquei em Atenas no momento em que começava mais um de seus festivais. Acompanhei a procissão em homenagem a Dionísio cantando e dançando com a platéia.

No teatro eu não conseguia distinguir os atores em suas máscaras engomadas, suas roupas acolchoadas e seus discursos que prendiam como correntes  e criavam  um misto de expectativa e medo de que aquele frenesi terminasse e a realidade voltasse a colocar todos no chão. Uma loucura e eu estava alí vivendo-a intensamente!

É preciso ser muito forte para que a estonteante beleza das estátuas gregas não cumpram o seu papel de hipnotizar o seu observador; de  deixá-lo pregado no chão diante de seu olhar pétreo e distante como o de alguém que não está nem aí para a sua adoração...

Não é este o meu caso.  Fiquei alí rendendo homenagens a Fidias, Míron e seus colegas até que  as guerras fratricidas, a derrota, a humilhação  me despertaram e me trouxeram de volta ao mundo real e aos sofrimentos desse povo na atualidade.

A fome, o desemprego e a miséria rondando suas casas, felizmente, não conseguem reduzir a coragem e o orgulho do povo grego que, desta vez,  luta unido, contra os graves problemas relacionados às políticas interna e externa, às questões econômicas e sociais que insistem em abater-lhes o ânimo.

 A força de Esparta e a sensibildiade de Atenas se fundem  naqueles corações e os  tornam, apesar de toda a dor, confiantes.

E, para homenagear-lhes caros amigos, a paciencia de ouvir-me,  escolho, entre os gregos de hoje  o romantismo de Hatzigiannis .

domingo, 7 de abril de 2013

Religião


 
Vale a pena participar deste Seminário e conhecer um pouco mais sobre o Evangelho de Jesus, através da palavra especializada de Haroldo Dutra Dias.
Haroldo, além de Juiz de Direito, é poliglota dominando, dentre outros,  os idiomas  Hebraico, Aramaico e Grego do qual traduziu para o Português o Novo Testamento, infelizmente, com edição  esgotada.
Seu " Livro Parábolas de Jesus , Texto e Contexto ", oferece, junto com sua versão do Novo Testamento, excelente oportunidade de estudar a Biblia com visão puramente acadêmica.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Reflexão sobre nossa relação com a doutrina de Jesus

Suely Monteiro

Reforma íntima é poda necessária.
A doutrina de Jesus é uma doutrina inclusiva, participativa, aberta. Ele não se fechou em grupos, círculos. Não fundou religião. Pregava tanto na Sinagoga, que já existia, quanto em praça pública, à beira da praia, na casa de seus discípulos, em especial, de Simão Pedro.  Operava, em nome do Pai, a toda hora e, em todos os lugares por onde passava.
Elegeu para ajudá-lo, homens simples, do povo. Não discriminou, não julgou e não compactuou com o erro, mas buscou, para reeducar no Bem, aquele que dele se desviara.  
Sua obra foi uma contínua doação de amor. Sem distinção de raças, de credos, por que a caridade não tem opinião,  trabalhou, incansavelmente, todos os dias.
Modelo de vida agradável a Deus,  até no momento da finalização de Sua existência terrena, pensou primeiro nas ovelhas que lhe fora confiada pelo Pai e rogou a Ele que as perdoasse (não por serem pecadoras), mas por não saberem o que estavam fazendo. Eram ignorantes.
Os séculos passaram e Ele continua, através do seu evangelho a ser um luzeiro no meio das trevas. E continuamos de olhos fechados para não ver a luz que nos obrigaria a tomar novos rumos. A luz que nos faria  abandonar os grupos fechados em que nos acomodamos, falando muito e servindo quase nada, para abrir-nos para uma vida mais ampla, possivelmente, com maiores sacrifícios , mas muito mais plena de comunhão com Ele. 
Analisando as informações que recebo de diferentes mídias, permeadas de preconceitos de todo gênero, de rancores contra pessoas de credos e pensamentos diferentes, estimulando atitudes separatistas, concluo que estamos muito distantes d’Aquele a quem queremos alcançar, mas, ao mesmo tempo,  a certeza de Seu amor, me renova a esperança na vitória do Bem.
Afinal, Ele prometeu ao Pai que nenhuma de Suas ovelhas se perderia; portanto,não as deixaria queimando no inferno ou estacionadas no purgatório.  

Se sua palavra tem valor e eu creio que sim, não temos outra saída senão evoluir para Deus!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

REFLEXÃO

fonte: http://entulhocosmico.blogspot.com.br/?expref=next-blog

MÚSICA PARA O CORAÇÃO

                  
 
Sentimento, delicadeza, ternura...
 Ouça e se deixe envolver por esta voz que comove.

OBRA DE ARTE

OBRA DE ARTE
Amores na bela Capital Catarinense.