Aquilo que o amor faz, o medo jamais poderá realizá-lo. Nada é mais útil do que fazer-se amar» (De officiis II, 29). Ambrósio.
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quinta-feira, 14 de julho de 2016
quarta-feira, 13 de julho de 2016
O Tempo
Olavo Bilac
Sou o tempo que passa, que passa
Sem princípio, sem fim, sem medida
Vou levando a Ventura e a Desgraça,
Vou levando as vaidades da Vida
A correr, de segundo em segundo
Vou formando os minutos que correm...
Formo as horas que passam no mundo,
Formo os anos que nascem e morrem.
Ninguém pode evitar os meus danos...
Vou correndo sereno e constante:
Desse modo, de cem em cem anos,
Formo um século e passo adiante.
Trabalhai, porque a vida é pequena
E não há para o tempo demora!
Não gasteis os minutos sem pena!
Não façais pouco caso das horas!
Imagem: Relógio de Sol. Toronto
Olavo Bilac
Sou o tempo que passa, que passa
Sem princípio, sem fim, sem medida
Vou levando a Ventura e a Desgraça,
Vou levando as vaidades da Vida
A correr, de segundo em segundo
Vou formando os minutos que correm...
Formo as horas que passam no mundo,
Formo os anos que nascem e morrem.
Ninguém pode evitar os meus danos...
Vou correndo sereno e constante:
Desse modo, de cem em cem anos,
Formo um século e passo adiante.
Trabalhai, porque a vida é pequena
E não há para o tempo demora!
Não gasteis os minutos sem pena!
Não façais pouco caso das horas!
Imagem: Relógio de Sol. Toronto
domingo, 10 de julho de 2016
Reflexão
"Tu nos despertaste para o prazer de te louvar, pois nos criaste para ti, e o nosso coração não tem sossego enquanto não repousar em ti." Agostinho, em Confissões. Livro 1. Posição 162. Kindle.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
A Canção do Brasil
Suely Monteiro
Dos vários tipos
de sociedade que existem entre os homens, Cícero estabelece como universal, a
sociedade do gênero humano, e a de círculo mais limitado, a da familia. Ele ressalta, no entanto, que a ”mais bela e a mais sólida das sociedades são
as que a amizade, pela conformidade de inclinação, estabelece entre pessoas de
bem”.
Sua fala não é
novidade hoje, tanto quanto não era na sua época, pois muitos outros sábios que
o antecederam a enalteceram na prosa, na poesia, na filosofia. Na teoria e na
prática.
Curiosamente,
observo que o desenvolvimento desta última, além de ampliar os limites da
sociedade dos laços consanguíneos consagra à sociedade universal, uma grande
dose de distinção, à medida que tornam seus membros espontaneamente compromissados
com o bem. Ora, uma sociedade de homens de bem, não engana, não humilha, não espolia,
não destitui uns e outros de seus valores materiais e não pleiteia a unicidade
comportamental e ideológica.
Pelo contrário, reconhece
e valoriza o valor individual de seus membros, sabe que o alicerce da justiça é
a boa vontade e que esta é estimulada pelo exemplo, pela fé que, segundo,
ainda, o grande pensador, vem da palavra fazer,
por que se diz o que se faz.
Forçando um pouco a barra para adaptar a sociedade Brasil ao texto de Cícero, podemos dizer que, teoricamente, formamos
uma sociedade distinta, pois nossas leis, os discursos de nossos políticos em
suas assembleias ou nas mídias diversas, conformam com este estado de coisa. Todavia,
quão longe disso estamos na prática!
Para alcançar a glória
e o poder, nossos governantes insensatamente, substituem demonstrações de amor,
confiança e admiração que o povo lhes votam, por ações injustas, e, conforme
diz Ennius: ” traem a amizade, desprezam
conselhos."
Ouso acrescentar
que eles roubam do povo. Roubam não apenas os recursos materiais, muitas vezes
necessários à sua subsistência, mas a esperança e o sonho, sentimentos sem os
quais os passos em direção à ordem e progresso são fortemente reduzidos e fragilizados.
Em conformidade
com suas más inclinações, desqualificam aqueles que lhes emprestaram, temporariamente,
o poder com a condição de promoverem uma sociedade justa e igualitária.
Metem os pés pelas
mãos. Levam às comunidades internacionais a vergonha ao serem estampados nas páginas
policiais. A tudo isto parecem insensíveis.
Infelizes, não
percebem que a sociedade está amadurecendo e, que como eles, embora em direção oposta,
vem substituindo o ardor jovial que nem sempre examina os atos, pela solidez e assídua
presença na cobrança dos deveres que lhes instituíram através do voto.
Os passos são
lentos eu disse, mas isto não significa que não estejam sendo dados.
Mais de duzentos
milhões cantam “Pra frente Brasil” de diferentes formas, com diferentes palavras e diferentes acentos, indiferentes que já se tornaram
às mentiras e promessas eleitoreiras.
Pra frente
Brasil, cantemos, rumo a construção da mais bela e mais sólida das sociedades, constituída
pela amizade em conformidade de inclinação entre pessoas de bem!
domingo, 3 de julho de 2016
É Sempre Saudade
Clarice Lispector
Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida…
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades.
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei. Sinto saudades da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou vir a ter, se Deus quiser. Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro. Sinto saudades do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser. Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei, de quem disse que viria e nem apareceu;
De quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer. Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito; daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre; de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter; de coisas que nem sei que existiram mas que se soubesse, de certo gostaria de experimentar. Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências. Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava totalmente, como só os cães são capazes de fazer, dos livros que li e que me fizeram viajar, dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar, das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade; Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que, não sei aonde, para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi… Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês, mas que minha saudade, por eu ter nascido brasileiro, só fala português embora, lá no fundo, possa ser poliglota. Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente, quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor e clarear sentimentos fortes, seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples “I Miss You”, ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha. Talvez não exprima, corretamente, a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas. E é por isso que eu tenho mais saudades, porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos. Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito do que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência.
Sentir saudades, é sinal de que se está vivo e a vida, mesmo com tantas saudades, depois dos amigos, é o bem maior que possuímos.
terça-feira, 10 de maio de 2016
Poema de Reiner Maria Rilke
Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.
Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.
Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.
(Tradução: Paulo Plínio Abreu)
sábado, 23 de abril de 2016
Simbolismo francês-Poesia
Meu sonho familiar
Paul Verlaine
Paul Verlaine
Muitas vezes, o sonho estranho me surpreende
de uma ignota mulher que eu amo e que me adora,
e que a mesma não é, certamente, a toda hora,
não sendo outra, porém, e me ama e me compreende.
de uma ignota mulher que eu amo e que me adora,
e que a mesma não é, certamente, a toda hora,
não sendo outra, porém, e me ama e me compreende.
Todo o meu coração deixo que ela o desvende.
Ela somente o faz transparente e o avigora,
E se eu sofro, se a dor minha fronte descora,
ela é o consolo ideal que sobre mim se estende.
Ela somente o faz transparente e o avigora,
E se eu sofro, se a dor minha fronte descora,
ela é o consolo ideal que sobre mim se estende.
É ela trigueira, ou loira, ou ruiva? – Eu o ignoro.
Seu nome? Apenas sei que ele é doce e sonoro
como o de quem se amou e da vida fugiu.
Seu nome? Apenas sei que ele é doce e sonoro
como o de quem se amou e da vida fugiu.
Seu olhar, como o olhar de uma estátua, é sem alma,
e tem na sua voz, grave, longínqua e calma,
a inflexão de uma voz cara que se extingiu.
Fonte:
Tradução de Onestaldo de Pennafort:
e tem na sua voz, grave, longínqua e calma,
a inflexão de uma voz cara que se extingiu.
Fonte:
Tradução de Onestaldo de Pennafort:
https://escamandro.wordpress.com/2013/03/30/8-poemas-de-paul-verlaine-em-3-tradutores/
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Reflexão sobre a Maturidade
A maturidade desconstroi a fantasia e com suas peças esculpe a realidade.
As dores, intrínsicas nesse processo, são semelhantes às do parto: remetem a vida.
Escrevi isso a cinco anos. Ainda vale!
As dores, intrínsicas nesse processo, são semelhantes às do parto: remetem a vida.
Escrevi isso a cinco anos. Ainda vale!
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Suely Monteiro
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Sabedoria Indígena
Diz a sabedoria indígena que quando não cumprimos o que prometemos, o fio de nossa ação que deveria estar concluída e amarrada em algum lugar fica solto ao nosso lado.
Com o passar do tempo, os fios soltos enrolam-se em nossos pés e impedem que caminhemos livremente...ficamos amarrados às nossas próprias palavras.
Por isso os nativos tem o costume de "por-as-palavras-a-andar" que significa agir de acordo com o que se fala; isso conduz à integridade entre o pensar, o sentir e o agir no mundo e nos conduz ao Caminho da Beleza onde há harmonia e prosperidade naturais.
Com o passar do tempo, os fios soltos enrolam-se em nossos pés e impedem que caminhemos livremente...ficamos amarrados às nossas próprias palavras.
Por isso os nativos tem o costume de "por-as-palavras-a-andar" que significa agir de acordo com o que se fala; isso conduz à integridade entre o pensar, o sentir e o agir no mundo e nos conduz ao Caminho da Beleza onde há harmonia e prosperidade naturais.
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sexta-feira, 8 de abril de 2016
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Evangelho Comentado
Saibamos
confiar
“Não
andeis, pois, inquietos” – Jesus. (Mt.6:31)
Jesus
não recomenda a indiferença ou a irresponsabilidade.
O
Mestre, que preconizou a oração e a vigilância, não aconselharia a
despreocupação do discípulo ante o acervo do serviço a fazer.
Pede
apenas combate ao pessimismo crônico.
Claro
que nos achamos a pleno trabalho, na lavoura do Senhor, dentro da ordem natural
que nos rege a própria ascensão.
Ainda
nos defrontaremos, inúmeras vezes, com pântanos e desertos, espinheiros e
animais daninhos.
Urge,
porém, renovar atitudes mentais na obra a que fomos chamados, aprendendo a
confiar no Divino Poder que nos dirige.
Em
todos os lugares, há derrotistas intransigentes.
Sentem-se
nas trevas, ainda mesmo quando o sol fulgura no zênite.
Enxergam
baixeza nas criaturas mais dignas.
Marcham
atormentados por desconfianças atrozes. E, por suspeitarem de todos, acabam
inabilitados para a colaboração produtiva em qualquer serviço nobre.
Aflitos
e angustiados, desorientam-se a propósito de mínimos obstáculos, inquietam-se
com respeito a frivolidades de toda sorte e, se pudessem, pintariam o
firmamento à cor negra para que a mente do próximo lhes partilhe a sombra
interior.
Na
Terra, Jesus é o Senhor que se fez servo de todos, por amor, e tem esperado
nossa contribuição na oficina dos séculos. A confiança dEle abrange as eras, sua experiência
abarca as civilizações, seu devotamento nos envolve há milênios....
Em
razão disso, como adotar a aflição e o desespero se estamos apenas começando a ser uteis?
Fonte: Saibamos Confiar.Emmanuel por intermedio de Chico Xavier. Vinha de Luz.FEB. pag. 185
Fonte: Saibamos Confiar.Emmanuel por intermedio de Chico Xavier. Vinha de Luz.FEB. pag. 185
quinta-feira, 31 de março de 2016
Fotografia
Para encerrar a noite, África, de Sebastião Salgado.
O grande brasileiro desenha, com luz, as sombras que as dores do mundo geram nos corações sensíveis. (Fotos livres do google).
O grande brasileiro desenha, com luz, as sombras que as dores do mundo geram nos corações sensíveis. (Fotos livres do google).
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Há Luz no Fim do Túnel
SUELY MONTEIRO
Oh Deus como me entristece ver o Brasil nas mãos de Dilma/Lula, Temer, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Aécio e seus aliados!!
Oh Deus como me entristece ver o Brasil nas mãos de Dilma/Lula, Temer, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Aécio e seus aliados!!
O túnel que atravessamos nesse momento político é tão longo e escuro que estamos percorrendo-o guiados somente pela esperança, uns de que a rua podem ajudar, outros de que Deus não abandona seus filhos e outros por ambos motivos.
Minha dor é, principalmente, por não ver nenhum nome capaz de suprir as necessidades da nossa querida pátria.
Todos me parecem ambiciosos, vaidosos e, principalmente interessados em resolver seus problemas de baixa estima com a permanencia no poder.
Ontem, nos debates da Câmara, um deputado, falou calmo e bonito dizendo que o povo não está contra a Dilma, que o povo está contra os políticos, ja não confiam neles, e que para satisfazer seu anseio (do povo) bastava todos os políticos entregarem os seus cargos.
Falou e não tomou tomou a iniciativa.
Sim, seria bom reformar os poderes.Tirar todo esse povo contaminado e colocar gente nova lá dentro.
Mas quem assumiria , eu pergunto? Quem tem experiencia, conhecimento e determinação para pegar e dirigir um barco que está afundando na lama da corrupção?
Um amigo, ético e capaz, me disse no inicio do ano que iria se candidatar a um cargo público, mas, infelizmente, ele desistiu alegando que pode fazer muito mais pelo país trabalhando fora do governo. Concordo, plenamente, no caso dele.
Procuro acompanhar com ânimo sereno e isento de partidarismo as decisões.
Faço o que posso trabalhando em minha comunidade, buscando promover ações que fomentem a paz pois, em se tratando de paz, já escrevi no meu blog faz um tempinho, penso que existem os grupos que vão para as ruas mostrando os problemas, outros que buscam apresentar soluções aos anseios da rua e outros, dos quais faço parte, que ficam na, como direi, na retaguarda, buscando ajudar a população a preservar os valores já aquiridos, e buscando implementar novas formas de ação e convivencia baseados na politica da não resistencia, da paz, em grupos menores.
Não valorizo um mais do que os outros, acho-os todos importantes. Ligar-se a um ou outro grupo é apenas questão de afinidade com o trabalho.
E, dentro desta visão do meu papel na sociedade, utilizo,hoje pela primeira vez, minha página pública para dizer que penso que somos chamados a dar frutos onde fomos plantados e que Deus age em nós a favor de nós.
Tenhamos, pois cautelas ao julgar.
Busquemos a serenidade que nos ajudará a agir de acordo com nossa consciencia, mas evitemos tentar subornar a consciencia do outro com razões que para ele não tem validade ou por não compreender ou por realmente não concordar com elas.
Isto não muda nada. Vejo-os como flores do grande jardim que enfeita a minha vida e , por isto mesmo ,aproveito para ofertar a eles, o meu carinho, a justificativa de minhas ações politicas diferenciadas das deles, a que não estou obrigada fazer, mas faço por amor.
Ofereço a eles, o meu desejo de que, juntos, por caminhos diferentes atravessemos, vitoriosamente, este mar de lamas que, apesar de tudo, creio, não vai nos sufocar e nem nos obrigar a atitudes extremistas do salve-se quem puder.
Também com eles, espero continuar caminhando até enxergarmos a luz no final do túnel. Pois, tem uma luz no final do túnel.
Esta é a minha esperança!
E como diriam os ingleses: Deus salve a Pátria!
O Cão e a Carroça
Este texto faz parte do capítulo de Alain de Botton em "As consolações da filosofia" (editora Rocco) com citações de filósofos estóicos. Tradução de Eneida Santos. As notas ao final são minhas.
Os estóicos lançavam mão de uma imagem para evocar nossa condição de criaturas fortuitamente capazes de efetuar mudanças, apesar de sujeitas às necessidades extremas. Somos como cães amarrados a uma carroça que, a qualquer instante, pode se colocar em movimento. O comprimento de nossa trela é suficiente para nos permitir uma certa liberdade de movimento, mas não nos concede a autonomia necessária para vagarmos a nosso bel-prazer.
A metáfora foi formulada pelos filósofos estóicos Zenão de Cício (fundador da escola estóica) e Crisipo e relatada pelo sacerdote romano Hipólito:
“Quando um cão atrelado a uma carroça quiser acompanhá-la, ele é puxado por ela e avança, fazendo com que seu gesto espontâneo coincida com a necessidade. Mas se o cão decidir não se mexer, o movimento da carroça o obrigará a segui-la, de qualquer maneira. O mesmo acontece com os homens: mesmo que não queiram, eles são forçados a obedecer o que o destino lhes reservou.”
Naturalmente, um cão é livre para ir onde bem entender. Mas, como sugere a metáfora de Zenão e Crisipo, se seus movimentos estão tolhidos é melhor trotar para acompanhar a carroça do que ser arrastado e estrangulado por ela. Embora o primeiro impulso do animal talvez seja o de lutar contra a guinada repentina do veículo que o obriga a tomar uma direção imprevista, seu sofrimento só dura enquanto durar sua resistência.
Assim Sêneca se posicionou sobre o assunto [1]:
“Ao lutar contra o laço, o animal o aperta mais... qualquer cabresto apertado irá machucar menos o animal se ele se mover com ele do que se lutar contra ele. Somente a capacidade de resistência e a submissão à necessidade proporcionam o alívio para o que é esmagador.”
Para reduzir a violência de nossa insubordinação contra acontecimentos que tomam rumos opostos ao que desejávamos, devemos refletir que também nós temos um cabresto em volta do pescoço. O sábio aprenderá a identificar de imediato o que é necessário e o seguirá, em vez de deixar-se exaurir em protesto. Quando um homem sábio é informado de que sua mala se perdeu em trânsito, ele precisará de poucos segundos para resignar-se. Sêneca relatou de que forma o fundador do estoicismo se comportou quando soube que havia perdido todos os seus pertences:
“Ao ser avisado sobre um naufrágio e ser alertado para o fato de que sua bagagem havia afundado, Zenão comentou: ‘A Fortuna [2] me desafia a ser um filósofo menos sobrecarregado.’”
Isso pode soar como uma receita para a passividade e a placidez, um incentivo à resignação diante das frustrações que poderiam ter sido vencidas. Mas a argumentação de Sêneca é mais sutil. Existe o mesmo grau de irracionalidade em se aceitar como necessário algo que não é necessário e em se rebelar contra algo que é necessário. Podemos, com a mesma facilidade, cometer o mesmo erro, ao aceitarmos o desnecessário e negarmos o possível, e negarmos o necessário e desejarmos o impossível. Cabe à capacidade de raciocínio estabelecer a distinção.
Não importa que semelhanças possam existir entre nós e um cão atrelado, nós possuímos uma vantagem crucial: podemos raciocinar e o cão, não. O animal sequer percebe de imediato que foi amarrado a uma trela e nem entende a relação entre as guinadas da carroça e a dor que sente no pescoço. Ele se sentirá confuso com as mudanças de direção e será difícil para ele calcular a trajetória da carroça, portanto sofrerá puxões constantes e dolorosos. Mas a razão nos capacita a teorizar com precisão sobre a rota de nossa carroça e isto nos oferece uma oportunidade, única entre os seres vivos, de aumentar nosso senso de liberdade ao assegurar uma boa folga entre nós e a necessidade [3]. A razão nos permite determinar quando nossos desejos estão em conflito irrevogável com a realidade e nos desafia a não sentir revolta ou amargura, e sim a nos submetermos de bom grado às necessidades. Talvez sejamos impotentes para alterar determinados acontecimentos, mas permanecemos livres para escolher que atitude tomar em relação a eles, e em nossa aceitação espontânea da necessidade encontramos uma liberdade característica.
***
[1] Este trecho faz parte do capítulo intitulado “consolação para a frustração”, baseado no pensamento do Sêneca. Como este livro também deu origem a um documentário da BBC, é possível ver o capítulo inteiro – incluindo a metáfora do cão, onde a carroça é sutilmente substituída por uma bicicleta pilotada pelo próprio Alain – no vídeo abaixo (e suas seqüências).
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quarta-feira, 30 de março de 2016
A Arte de Amar, de Ovídio.
Suely Monteiro
Inteligente, audaz, e se
dizendo profundamente conhecedor das artes de sedução, o autor, num livro
dividido em três partes, desvela para os supostos discípulos o modo de agir
para conseguir êxito nas conquistas.
Escrito entre os séculos 1 a.C
e 1 d.C., o manual do amor é dividido em três como segue: a) Ovídio orienta o
homem como seduzir a amada;
b), uma vez conquistada a amada e tendo-a por
mulher/amante, ele aborda a ternura masculina; e,
c) a terceira parte é
totalmente voltada para as mulheres.
Segundo estudiosos, o livro foi considerado um dos maiores escândalos da
época e motivo da expulsão do escritor de Roma
Vestir, dançar, cantar, tocar
cítara são armas imprescindíveis para uma mulher conquistar seu amor. Ele
assegura que é a arte que faz perdurar o amor. Os Comportamentos em sociedade
também contam pontos. Ele diz no Livro III que “palavras elegantes, mas usuais
no convício social, ó mulheres, é tudo o que deveis escrever! ”
Ele vai além e ensina aos mais destemidos a corromper
servidores (atualíssimo para os nossos políticos) para ajudar no caso de amores
considerados impossíveis ou ilegais e as formas de trair e não ser descoberto,
embora com certos riscos para dar sabor ao romance.
Tudo isto e muito mais você
encontra descrito diretamente, mas com uma eloquência e beleza de linguagem que
não desperta, como em alguns manuais do amor da atualidade, repugnância.
Eu destacaria, como bem atual,
o fato da mulher não ser vista como objeto de contemplação e beleza
insignificantes. Mas, como um ser independente, com os mesmos direitos do homem
(pelo menos na maior parte da obra, com destaque depreciativo na terceira parte
quando ele ensina os modos como a mulher deve fingir o gozo para manter o seu
amado), dando a ela a liberdade que nunca tivera antes e que continuou não
tendo mesmo depois do lançamento do livro.
Minha intenção ao compartilhar
este texto é apresentar como sugestão de leitura poética, um livro bem-humorado
que aborda as relações humanas, no aspecto da sedução, de modo muito intrigante
e atual e nos tira por uns instantes dessa guerra cruenta de brigas
partidárias, nos dando folego para continuar vivendo uma vida digna de ser
vivida com responsabilidade, respeito aos direitos e deveres nossos e alheios,
mas também com poesia, amor, fé, esperança e muita alegria!
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Amores na bela Capital Catarinense.

















