Suely Monteiro

Falar o quê se, para mim, "ponto de fuga" significa, somente, a saída do meu cérebro de cena, deixando ao coração a tarefa de falar deste sensível e grande cavalheiro das cores que, como ninguém, conheceu e respeitou as alegrias e dores daqueles que se "despiram " diante de seus olhos percucientes?!
Sim. Falar sobre a relação de Rembrandt com a vida e com o amor. ...
O amor pela velhice, pela liberdade de ser e agir, o amor por Saskia com quem se casou aos vinte e oito anos para viver uma felicidade curta regada a luxos e belezas. Amor por Titus, fruto de seu amor por Saskia. O amor pela vida.
Rembrandt amou e viveu plenamente . Viveu uma vida permeada de claros e escuros. Saiu da pobreza e obscuridade para a riqueza e a glória. Retornou à pobreza ultrapassando-a para quase chegar à miseria, sem perder a linguagem eloquente transfigurada nas belas obras que embelezam as paredes dos museus e enriquecem os olhos dos turistas e estudiosos.
Em suas obras, a luz esconde a dor. As sombras desvelam a dignidade e o poder. Toda a trama é harmonizada nos mesmos moldes que a realidade o harmonizou, independetemente se estava sob o império da alegria, da tristeza ou da solidão em que o deixou o seu grande amor.
Falar e ver Rembrandt é sentir sua força e pujança . É participar, interagir com a magia da arte mesmo não sendo artista e não entendendo de arte.
Com rembrandt, é dificil não se sentir emocionado com o olhar de seu pai e a serena quietude de sua mãe. Com a descida de Cristo da Cruz!