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terça-feira, 1 de julho de 2008

Questão de Superação

Dionísio e Apolo
Numa das suas primeiras obras, Origem da Tragédia (1871), Nietzsche distingue na cultura Grega dois princípios fundamentais, e que irão servir de matriz para analisar a cultura Europeia: o Apolíneo e Dionisiaco.
O princípio Apolíneo (do deus Apolo), simboliza a serenidade, claridade, medida, racionalidade. Corresponde à imagem tradicional da Grécia Clássica e que aparece frequentemente associada às figuras de Sócrates e Platão.
O Dionisíaco (do deus Dioniso), simboliza as forças impulsivas, o excesso transbordante, o erotismo, a orgia, a afirmação da vida e dos seus impulsos (força, vontade).
Estes dois princípios estavam presentes na tragédia e na cultura grega, antes da influência de Sócrates se fazer sentir. Ele submete os impulsos vitais e a sua energia excessiva aos constrangimentos da razão. Esta viragem na filosofia coincide com aquilo que Nietzsche considera a decadência da tragédia, preconizada por Euripedes, mas também ligada ao aparecimento da comédia.
A partir de Sócrates-Platão a cultura ocidental seria marcada pela repressão dos instintos vitais e a negação do prazer.

Homem Doente
Dotado de um pensamento reducionista, o "homem teórico" encara o mundo pelos olhos da lógica e da ciência, descobrindo uma ordem cósmica onde existe o caos.Repudia tudo aquilo que se mostra incerto, misterioso ou irracional, munindo-se para este combate de poderosos instrumentos como a Culpa, o Ressentimento. Mostra-se igualmente incapaz de aceitar o sofrimento e as contradições da vida. O homem doente procura sempre uma consolação para os seus fracassos,imagina um outro mundo onde obterá aquilo que abdicou de lutar na terra.

Eterno Retorno
A visão da história da humanidade, segundo Nietzsche, assenta na concepção de um eterno retorno. Quando forem realizadas todas as possibilidades de combinação dos elementos, tudo voltará a repetir-se num novo ciclo. A cultura ocidental, segundo Nietzsche, depois de uma fase de apogeu, desde Sócrates que entrara numa longa fase de decadência que a conduziu ao Niilismo, marcado pela ausência de valores, terminando no indiferentismo. Neste percurso os valores superiores foram sendo substituídos pelos valores dos escravos, difundidos pelo Cristianismo e consagrados nos regimes democráticos e a ascensão das classes trabalhadoras. Estes falsos valores negam a vida em nome de ilusões (ideais) ou de uma vida futura.
A única possibilidade de sair desta fase de decadência é o homem transformar-se a si próprio, mediante a transmutação de todos os seus valores, encaminhando-se para aquilo que designou por Super-homem. Apenas uma pequena elite atingirá este estádio.

Super-homem
Nietzsche, como dissemos, opõem-se a todas as ideias igualitaristas, humanitaristas e democráticas. De acordo com o seu pensamento as mesmas apresionam o Homem, não o libertam. O seu modelo de Homem está nos príncipes do Renascimento: valente, hábil, sem moral (acima do Bem e do Mal), apenas se guiando pela sua vontade de poder, a sua energia vital. O super-homem é aquele que aceita a vida como ela é: incerta, conflituosa e sem ilusões. Ele aceita as forças cósmicas incertas e contraditórias que os outros negam e temem.

Moral de Senhores e Moral de Escravos
A libertação do homem exige um combate sem tréguas contra a moral dos escravos. Em primeiro lugar critica a moral socrática, que subordina tudo à razão. A seguir condena a religião e a moral cristã que enaltece os fracos, apela à compaixão e à resignação dos homens, promete recompensas num mundo no além que não existe, estimulando a inveja pelos poderosos. Condena igualmente a moral do dever de Kant, e a ética utilitarista.Nesta crítica Nietzsche realiza uma minuciosa análise linguística, histórica e psicológica dos conceitos e das práticas que suportam estas concepções morais.
A moral dos senhores, a do Super-homem, valoriza a força, a irrupção dos impulsos vitais, a vontade de poder. Nietzsche chega inclusivé a valorizar a guerra, pois durante esta criam-se especiais oportunidades para a manifestação de virtudes nobres, como a valentia ou a generosidade dos guerreiros.
Carlos Fontes
http://afilosofia.no.sapo.pt/12.nietzsche.htm
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