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terça-feira, 26 de agosto de 2008

O amor em Santo Agostinho


Marco Antonio Separavich


Santo Agostinho é entre os filósofos antigos aquele que mais destacou a importância do amor na vida intelectual e moral dos humanos.
O amor é substância da alma, eis porque todo homem é capaz de amar, e expressa a vontade em sua forma intensa. No processo cognitivo é o elemento que une ou separa a memória da inteligência. Aliás, é na tríade memória, inteligência e vontade que Santo Agostinho encontra a semelhança que o homem traz da imagem do Eterno impressa na parte mais excelente da sua alma, ou melhor, da mens.
É na mens que o homem se assemelha a Deus, podendo conhecer a si mesmo e ao Seu Criador, podendo também, por ela, discernir a justiça da injustiça, a verdade da mentira, o certo do errado etc. Conhecer plenamente é um ato de amor.
Como princípio instaurador da vida ética e moral, o amor se revela como início e fim último da existência humana. De um ponto de vista temporal, o amor em sua forma perfeita – charitas - ordena a vontade e os atos virtuosos na direção do Bem Imaterial, assegurando a possibilidade de o homem chegar à beatitude.
Partindo de uma leitura paulina do campo moral, Santo Agostinho ressalta que, todo homem pode amar, contudo, se tudo pode ser amável nem tudo deve ser amado. Explica-se: na economia moral agostiniana o amor é um bem médio, isso significa que pode ser dirigido tanto aos bens que nos aproximam como àqueles que nos afastam do Eterno, respectivamente aos bens superiores e inferiores. O homem deve amar acima de tudo o que é imutável, imortal, imperecível e incorruptível, o homem deve amar, portanto, primeiramente a Deus, único ser que possui simultaneamente estes “atributos”.
A ordem do amor normativa para a vida ético-moral estabelece a partir da divindade a ordenação dos bens para os quais deve se dirigir o amor: o homem deve amar o próximo como a si mesmo, amar primordialmente a alma ao corpo, a razão à paixão, a virtude ao vício, enfim, cumprindo essa ordem os humanos se aproximam do Bem Absoluto.
Somos aquilo que amamos, ou seja, o amor torna o amante parecido com o amado, sendo o amor um enlaçamento entre duas vidas, e implicando sempre na fruição daquilo que se ama. O amor quando o que se ama está ausente é desejo, quando na presença do ser amado torna-se fruição.
O cumprimento da ordem do amor possibilita ao homem a busca pela plenitude, a felicidade, aspiração de todos os humanos.
Para encontrar a plenitude, a vida feliz, o homem deve se religar ao Eterno. O amor é o meio pelo qual isso pode se dar, possibilitando a reorganização da vida interior humana: eis um dos aspectos fundamentais da teologia e filosofia agostinianas.

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Contato com o autor: croata_sp@bol.com.br
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