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domingo, 29 de agosto de 2010

TERCEIRO PERÍODO DA FILOSOFIA ANTIGA:FILOSOFIA HELÊNICO-ROMANA.

PERIPATÉTICOS PÓS-SOCRÁTICOS
A escola peripatética é continuadora do pensamento de Aristóteles, com centro no Liceu, situado a nordeste de Atenas. Há sinais de que já Aristóteles houvera dado inicio a uma biblioteca e coleções de materiais para estudo de animais, plantas, minerais, de onde resultou o sucesso da escola, e mesmo a sugestão para criações semelhantes em outras escolas, inclusive para a fundação da biblioteca de Alexandria.
Continuou o Liceu atuante pelo menos um século, até cerca de 225 a. C., a partir de quando diminuem as informações. Os primeiros escolarcas do Liceu se mantêm mais próximos do mestre; os posteriores serão mais ecléticos, anexando elementos platônicos e estóicos, estes aliás sempre próximos do aristotelismo. Na série dos escolarcas se destacaram sobretudo Teofrasto (375-288 a.C.), com uma atuação similar ao mesmo Aristóteles, e Andrônico de Rodes (c. 60 a.C.), o editor ou reordenador da obra de Aristóteles. Outros muitos peripatéticos houve, como Aristoxeno de Tarento (4-o século), e toda uma plêiade de comentadores.
Os comentadores de Aristóteles exerceram, bem como ainda exercem hoje, importante papel didático no estudo do aristotelismo.
Importa notar, todavia, que alguns não se reduziram a serem apenas comentadores, porquanto também emitiram pensamento próprio; este é o caso de Alexandre de Afrodísio, comentarista e ao mesmo tempo um filósofo aristotélico.
Outros comentadores sequer foram aristotélicos.
Themístio (317-390), de Constantinopla, um neoplatônico independente, um quase peripatético tardio, foi um comentador eloquente de Aristóteles.
Símplicio (entre 500 e 600 em Atenas) foi outro neoplatônico comentarista de Aristóteles, buscando conciliá-lo com Platão.
Cita-se também com destaque João Filopono (6-o séc.) (vd...), do círculo neoplatônico de Alexandria, ao mesmo tempo que cristão monofisita, erudito comentador de Aristóteles, com influência sobretudo futura.

Teofrasto de Eresos (372-285 a.C.).
Filósofo e naturalista grego, nascido em Eresos, Ilha de Lesbos, 12 anos mais novo que Aristóteles e brilhante como este. Foi não somente o companheiro de trabalho de Aristóteles, como também seu eficaz sucessor no Liceu de Atenas, 322 a.C., dirigindo-o por 37 anos. Como estudante, poderá ter sido colega de Aristóteles já desde o tempo em que teria sido aluno da Academia de Platão. Ampliou Teofrasto as atividades do Liceu, consolidando a diretriz já adotada pelo fundador, que organizara os estudos por especializações. Ele mesmo abriu um leque de pesquisas, quer no campo da filosofia, quer no das ciências naturais, sobretudo da botânica.
Doutrinariamente, seguindo embora ao sistema de Aristóteles, fez-lhe contudo alguns reparos.
Quando o mestre dizia que a inteligência (nous) entrava no corpo como que por uma janela e com isso mantinha elementos do dualismo platônico, adotou uma consideração mais próxima do materialismo. Neste particular seguiu Teofrasto o naturalismo de Stratão.
Colocou também em dúvida a doutrina aristotélica do Primeiro Motor. O movimento poderia, no seu entender, ser inerente à essência mesma da coisa.
Retocou também a lógica aristotélica, especialmente na parte referente aos silogismos hipotéticos e disjuntivos.
Em psicologia sistematizou o estudo dos caracteres, que diferenciam as pessoas.
No plano das ciências naturais figura Teofrasto na história do desenvolvimento das mesmas; distinguiu sistemas, como os seres vivos em animais e plantas, estas em fanerógamas e criptógamas.
Ainda no campo das ciências positivas Teofrastro fez a história das ciências, em particular da filosofia. Seu livro Opinião dos físicos, com informações retomadas por outros historiadores, deram início a uma corrente de informações, de que muito se vale hoje a história da filosofia.
Das 240 obras escritas por Teofrasto e mencionadas por Diógenes Laércio, conservaram-se: Ciência das plantas (Perì phuton historías, 9 livros); Sobre as causas das plantas (Perì phyton aitíon, 6 livros); Sobre as pedras (Perì liton); Sobre o fogo (Perì purós), opúsculo; Opiniões dos físicos (Perì Physikôn doxôn), 18 livros, de que restam fragmentos; Caracteres (Charaktéres), sobre tipos de pessoas; Metafísica (Tà metà fusiká), título dado posteriormente. Dos demais livros restam fragmentos de tamanho diverso.
Aristoxeno de Tarento (4-o século a.C.).
Filósofo e músico grego, discípulo direto de Aristóteles e professor no Liceu, de Atenas. Nascido em Tarento, na então Magna Grécia (Sul da Itália), trouxe consigo conhecimentos e influências pitagóricas, em música, psicologia e ética.
Atuou dentro do esquema das especialidades introduzidas por Aristóteles no Liceu, na qual, por exemplo, Teofrasto pesquisou a botânica, Dicearco a história, Aristoxeno a música.
Suídas informa que havia escrito 453 livros. Dos livros sobre música restam dois: Elementos de harmonia (Harmonika stoicheia); Elementos de rítmica (Rytmika stoicheia), alguns fragmentos. Escreveu ainda: Vida pitagórica; Proposições pitagóricas.

Andrônico de Rodes (sec. 1-o a.C.).
Filósofo de expressão grega. Atuou em Roma (vd Logos). Foi 10-o escolarca do Liceu, em Atenas.
Reordenou as obras de Aristóteles, reencaminhando desta sorte seus estudos, com o consequente aumento de seus comentadores, mesmo na área fora do aristotelismo.
Havendo situado os livros da Filosofia Primeira após aos livros da Física, deu oportunidade a que passassem a ser denominados Metafísica (literalmente Metà tà Physiká = após a Física). O peripatetismo que volta a ser renovar permanece de novo significativo, até o comentador Alexandre de Afrodísio (entre 2-o e 3-o séculos), quando depois deriva para formas neoplatônicas.
Obras: Comentários aos livros de Aristóteles Categorias; Física; Ética.

Alexandre de Afrodísio (entre 2-o e 3-o séculos), chamado também o Segundo Aristóteles.
Filósofo de expressão grega, nascido em Afrodísias, Cária (região da Ásia Menor), onde então se desenvolvia grande atividade inteletual. Alexandre foi discípulo de Sosígenes, ambos representantes finais da Escola Peripatética, visto que depois se seguirão os comentadores neoplatônicos de Aristóteles.
O local principal de seu magistério foi Atenas, onde lecionou de 198 a 211, com nomeação do Imperador Septímio Severo. Possivelmente tenha estado também na cidade de Roma, o que se pensa poder deduzir do fato de haver dedicado um seu livro aos imperadores Severo e Antonino (= Caracala).
Fez-se conhecer Alexandre como o mais notável comentador clássico de Aristóteles e por isso denominado o Exegeta. Criou o modelo do grande comentário, em que é apresentado o texto por partes e cada parte seguida do respectivo esclarecimento. Traduzidos os comentários para o sírio e o latim, influenciou amplamente a um só tempo aos bizantinos (pelo seu texto original em grego), ao mundo islâmico (através do sírio) e ao Ocidente cristão (através do latim).

Também criou pensamento próprio. Mesmo quando quis comentar objetivamente ao sistema de Aristóteles, situou-se naquela corrente de intérpretes, que desvestiu ao mestre de elementos platônicos remanescentes. Somente haveria forças naturais.
A alma, como forma do corpo, segundo Afrodísio, não seria imortal, desvanecendo-se com a desintegração da matéria. Também não haveria um motor transcendente, separado do mundo; um elemento exterior, ou o fado, impediria a liberdade. De outra parte, o inteleto agente seria apenas um, situado no círculo exterior, atuando sobre as inteligências individuais e de inteleto passivo.
Em decorrência dos pontos de vista próprios de Alexandre, criaram-se aristotelismos chamados alexandrinistas. Foi o caso no curso da Idade Média e sobretudo na Renascença, quando os aristotélicos alexandrinistas (dominantes em Bolonha, representados por Pedro Pomponazzi e Júlio César de la Scala), se opunham aos aristotélicos averroistas (predominantes em Pádua), e aos aristotélicos escolásticos (caracterizados sobretudo pelos tomistas).
Nega, também, Alexandre a Providência. Contestou aos estóicos a concepção de um Deus imanente ao mundo e com isto afastando a respectiva doutrina da Providência. Também contestou a mescla por interpenetração dos corpos. Tais doutrinas influenciariam a filosofia árabe e medieval, representando o peripatetismo-alexandrinista do Renascimento.

Obras.
Perdeu-se uma parte dos comentários de Alexandre a Aristóteles. Mas os textos perdidos persistiram em fragmentos e referências ocorridas em outros autores. Havendo comentado todos os livros lógicos, ou seja do Órganon, conservam-se os comentários aos Primeiros analíticos, liv. l, e aos Tópicos. Estão perdidos, pois, os comentários aos Primeiros analíticos, liv. II; aos Segundos analíticos, às Categorias, à Interpretação, à Refutações sofísticas.
Conservam-se os comentários à Metafísica, mas sendo de Alexandre os comentário dos livros l a V, pois os restantes são de Miguel de Éfeso.
Também se conservam os comentários à Meteorologia e à Da sensação. Perderam-se os comentários à Física, à Do céu, à Da geração e corrupção, à Da alma.
Enfim, das obras de pensamento próprio, restam: Sobre a alma (A , D Â R L P ­ H ); Sobre o destino (A , D Â , Æ : " D : X <>
Fonte:
Enciclopédia Simpozio
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