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domingo, 26 de setembro de 2010

CRISTIANISMO E FILOSOFIA PATRÍSTICA.

Início da patrística, - grega e latina.

O pensamento cristão apresenta uma primeira fase, conhecida como Patrística - referência aos padres da Igreja - situada em grande parte ainda dentro da época Helênico-Romana e nos tempos imediatamente após a queda, em 476, de Roma.
Depois de 700 divide-se o mundo civilizado em três áreas culturais, mais ou menos estanques e hostis entre si:
a Europa Ocidental, em que se desenvolveu a filosofia escolástica;
o Império Bizantino, continuador direto do Império Romano Cristão, em que subsiste a língua grega, com uma chamada filosofia bizantina, de diretriz cristã;
o Mundo Árabe, seguidor de Maomé, porém com uma filosofia dominantemente aristotélica.
Antes de Agostinho de Hipona (354-430), a filosofia patrística é apenas incidental, exposta em meio aos assuntos teológicos, aos quais servia como esclarecimento. Depois cresce e alcança um relativo desenvolvimento. Todos os patrísticos estão na linha do platonismo e neoplatonismo.
Os primeiros patrísticos são na maioria escritores de língua grega:
- Aristides, autor de uma Apologia (c. 140);
- São Justino (+166), autor de duas Apologias e do Diálogo com o judeu Trifão; e assim outros, como
-Taciano, Atenágoras, Santo Irineu, São Hipólito, este autor de Philosophoumena.
Ainda gregos, da Escola de Alexandria:
-Panteno (fundador da escola);
-Clemente Alexandrino (150-216), já representativo;
-Orígenes (185-254), notável pela sua exegese alegorista.
Clemente de Alexandria (c. 150-216).
Filósofo cristão, patrístico, de expressão grega, nascido em Atenas. Estabeleceu-se em Alexandria, cerca do ano 180. Dirigiu a escola cristã, desde a morte de Panteno, até seu fechamento em 202. Seguiu depois para a Ásia Menor.
O pensamento de Clemente de Alexandria, se desenvolveu em clima neoplatônico peculiar aos cristãos da época. Tratou sobre a certeza, a existência de Deus, principalmente a moral e o direito natural.
Obras:
Discurso de persuasão aos gregos (Protreptikós), persuadindo a deixar o paganismo; Pedagogo (Paidagogôn), de instrução ao cristão, principalmente moral; Tapetes (Strômata), miscelânea erudita, dos assuntos mais diversos sobre do saber antigo, citando inclusive no original textos pré-socráticos; e escritos menores.

Origenes (c.185 -c. 255).
Escritor cristão de vasta erudição, de expressão grega, inicialmente com ação em Alexandria, onde provavelmente nasceu. Estudou letras e aprendeu de cor textos bíblicos, com seu pai. Morto este por ocasião da repressão de Septímio Severo às novas religiões, o bispo de Alexandria passou à Orígenes a direção da Escola Catequética . Estudou na escola neoplatônica de Ammonios. Viajou a Roma, em 212, onde ouviu ao sábio cristão Hipólito. Em 215 organizou Origenes em Alexandria uma escola superior de Exegese Bíblica. Sacerdote em 230. Viajou muito e falava ao público nas igrejas.
O fato de se haver castrado por devoção, lhe criou dificuldades com alguns bispos, que contrariavam o sacerdócio dos eunucos. Em 232 se transferiu para Cesaréia, Palestina, onde se dedicou exaustivamente aos seus escritos. Sobreviveu aos tormentos de que foi vítima sob o Imperador Décio (250-252). Posteriormente a esta data morreu em Tiro, não se sabendo exatamente quando.
Foi mais um exegeta, que um teólogo. Também não centralizou sua atenção na filosofia. Mas é representante do pensamento eclético dos cristãos de sua época.
O contexto filosófico é claramente neoplatônico. Deus é tratado como totalmente transcendente. O Logos é Deus por participação. Esta participação é descrita de maneira bastante subordinada e que irá favorecer aos arianos (vd 216). O mundo é criado do nada, não sendo por conseguinte apenas uma reelaboração demiúrgica da matéria eterna.
A alma preexiste, e está subordinada à metempsicose; eis uma tese tipicamente pitagórica e platônica. Abandonada depois pelo cristianismo oficial, é todavia relembrada por aqueles que ainda hoje, - espíritas, - a defendem como cristã.
A moral visa a purificação, que se processa nos sucessivos retornos da alma à vida neste mundo. Não há condenação em Inferno eterno. Todas as criaturas, mesmo os anjos decaídos, chegarão à purificação final, ou seja à apocatastase, por que assim é mais digno de Deus.
A exegese de Orígenes buscou a interpretação meramente alegórica, e não literal, de muitos dos episódios fantásticos da Bíblia. Tomou, pois, como método o que já desde tempos vinham fazendo escritores pagãos a respeito dos seus mitos, bem como também já faziam judeus eruditos de Alexandria. Não obstante, no Ocidente prevaleceu a exegese literal de Santo Agostinho.

Obras
Muitas se perderam, em decorrência de haver sido o autor combatido pelos mais ortodoxos. Dentre a que se conservaram, destacam-se:
Bíblia sextupla (Eksapla Biblia), distribuindo em 6 colunas, para os textos na versão grega e hebrea;
Sobre os princípios (Perì archôn), tratado teológico e filosófico, sobre Deus, matéria, moral, exegese, contendo os fundamentos do que veio a ser denominado origenismo;
Contra Celso (Katà Kelsou), resposta à críticas deste o filósofo neopitagórico aos cristãos;
São ainda de sua autoria; Strômata; A ressurreição; Exortação ao martírio; Comentário sobre o Gênesis; Comentário sobre São João. E assim também comentários a outros livros bíblicos, bem como ainda notas, homilias, tratados de espiritualidade, cartas.
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