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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O QUE É FILOSOFIA DA LINGUAGEM - William P. Alston

Parte Final

Problemas da Filosofia da Linguagem

Tendo visto alguns dos pontos, nos setores mais centrais da Filosofia, em que somos, naturalmente levados para uma análise explícita dos problemas respeitantes à linguagem, podemos agora passar a um breve exame preliminar desses problemas. Como acentuei antes, não seria realista esperar uma unidade compacta nesse assunto. Mas se podemos concordar em considerar a análise conceptual como o âmago da filosofia, então podemos também conceder um lugar de destaque, entre esses problemas, à tarefa de uma análise adequada dos conceitos básicos que usamos ao pensar em linguagem. Embora não haja razão para que um filósofo não ponha suas ferramentas analíticas em ação para trabalhar qualquer dos conceitos básicos relacionados com a linguagem, a tendência tem sido, entretanto, para se concentrar nos conceitos semânticos, por exemplo, o conceito da significação linguística e seus cognatos, identidade de significações etc. Isso se deve, em parte, ao fato de muitas das preocupações filosóficas enumeradas na primeira parte desta introdução levarem, naturalmente, a que se levantem interrogações sobre a natureza da significação e, também em parte, porque o fato de uma certa palavra ter uma determinada significação talvez pareça misterioso, no sentido de que freqüentemente dá origem ã reflexão filosófica. Grande parte deste livro será dedicada á análise de conceitos semânticos.

Seria ilusório sugerir que a filosofia da linguagem. mesmo como é praticada pelos filósofos analíticos, esteja limitada à análise conceptual, ao esclarecimento dos conceitos básicos referentes à linguagem. Há várias outras tarefas que os filósofos tipicamente se impõem. Ë a classificação de atos lingüísticos, "usos" ou "funções" da linguagem, tipos de indefinição, tipos de termos, várias espécies de metáforas. Existem estudos sobre o papel da metáfora na ampliação da linguagem; sobre as inter-relações entre linguagem, pensamento e cultura; e sobre as peculiaridades do discurso poético, religioso e moral. A criação de linguagens artificiais tem sido sugerida para vários propósitos. Há meticulosas investigações sobre as peculiaridades de determinados tipos de expressões, como os nomes próprios e as expressões referentes de plural; e de determinadas formas gramaticais, como a forma sujeito-predicado. Alguns desses problemas se situam na fronteira entre a Filosofia e disciplinas mais especiais e todos eles poderiam ser tratados em uma ou outra dessas disciplinas. Assim, a Psicologia poderia assumir a tarefa de distinguir entre diferentes tipos de comportamento lingüístico e poder-se-ia esperar que a lingüística descritiva fornecesse classificações de tipos de expressões. Mas, se esses problemas pertencem, em princípio, às disciplinas mais especiais, eles pertencem aos seus fundamentos; e a Filosofia tem tido, tradicionalmente, muitas relações com os problemas de elevado nível nas ciências, especialmente quando essas ciências estão nas fases iniciais de construção. Terei alguma coisa a dizer sobre alguns desses problemas. Este livro foi escrito partindo de uma certa orientação filosófica - aquela que é designada, em suas linhas mais gerais, pela expressão "filosofia analítica". Há muita especulação em torno da linguagem, partindo-se de pontos de vista muito diferentes e, nesse caso, os problemas assumem configurações bem diversas. Não é possível nem conveniente que num volume desta dimensão se examinem todos os tópicos filosóficos da linguagem. A título de compensação, incluí na bibliografia algumas sugestões de leituras sobre esses outros tópicos.

Nota: 1 Logic and Knowledge, ediçâo organizada por R. C. Marsh (Londres; George Allen & Unwin, Ltd., 195b).

Fonte:
http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/alston.htm

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