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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O QUE É FILOSOFIA DA LINGUAGEM - William P. Alston

Parte III

LÓGICA

1. Joe Carpenter vende apólices de seguro em nossa cidade.

Joe Carpenter pertence à Primeira Igreja Metodista.

Portanto, Joe Carpenter não só vende apólices de seguro em nossa cidade, como pertence à Primeira Igreja Metodista.

2. Alguém vende apólices de seguro em nossa cidade.

Alguém pertence à Primeira Igreja Metodista.

Portanto, alguém vende apólices de seguro em nossa cidade e pertence à Primeira Igreja Metodista.

Ora, 1 é, claramente, um argumento válido e 2 é, claramente, inválido. Dados os fatos de que alguém vende seguros nesta cidade e alguém pertence á Primeira Igreja Metodista, não se segue, em absoluto, que exista alguém de quem ambas essas coisas sejam verdadeiras. Como um desses argumentos é válido e o outro inválido, decorre que, apesar das superficiais semelhanças gramaticais, uma frase como a. "Joe Carpenter vende apólices de seguro em nossa cidade" é de uma forma lógica muito diferente de uma frase como b. "Alguém vende apólices de seguro em nossa cidade". Existem outros indícios disso. A frase b é equivalente a "Existe alguém que vende apólices de seguro em nossa cidade" e " A classe de pessoas que vendem apólices de seguro em nossa cidade não está vazia'', mas não podemos encontrar tais equivalentes para a frase a. Quando as premissas e conclusão da inferência 2 são colocadas numa dessas formas, o argumento perde sua semelhança superficial com a inferência 1 e não parece de modo algum válido.

3. Há alguém que vende apólices de seguro em nossa cidade.

Há alguém que pertence à Primeira Igreja Metodista.

Portanto, existe alguém que vende apólices de seguro em nossa cidade e pertence à Primeira Igreja Metodista.

Fica evidenciado em tais exemplos que uma importante parte da lógica consiste da classificação de enunciados em função cie sua forma "lógica" (isto é, aspectos da forma que são relevantes para a avaliação da inferência). E essa classificação requer, por seu turno, uma classificação dos tipos de termos que entram nos enunciados, pois uma diferença formal assenta, muito freqüentemente, numa diferença entre os tipos de termos envolvidos. No exemplo precedente, a diferença de forma lógica entre as frases a e b assenta numa diferença fundamental entre um nome próprio como "Joe Carpenter", que tem a função de selecionar um determinado indivíduo, e uma locução como "alguém", que tem uma função muito diferente.

 Outro ramo da Filosofia em que o interesse pela linguagem tem  lugar preponderante é a lógica. A lógica é o estudo da inferência; mais precisamente, é a tentativa de criação de critérios para distinguir as inferências válidas das inválidas. Como o raciocínio se efetua pela linguagem, a análise das inferências depende da análise dos enunciados que figuram como premissas e conclusões. 0 estudo da lógica revela o fato de que a validade ou invalidade de uma inferência depende das formas dos enunciados, que compõem as premissas e a conclusão, entendendo-se por "forma" as espécies de termos que os enunciados contêm e o modo como esses termos estão combinados no enunciado. Assim, de duas inferências que superficialmente parecem muito semelhantes, uma poderá ser válida e a outra inválida por causa de uma diferença na forma de um ou mais dos enunciados envolvidos. Consideremos os seguintes pares de inferências.
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