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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A face inglesa de Voltaire


Mariana Caminha

Foi pelos pensamentos de Cândido e de seu mentor, Pangloss, que conheci Voltaire, e me encantei com a obra desse que é um dos ícones do Iluminismo.
O filósofo e escritor nasceu na França e produziu ao longo da vida mais de duas mil obras, entre livros e panfletos. Cândido, ou O Otimismo, um dos seus textos mais conhecidos, era leitura obrigatória para calouros que, naquele ano de 1998, ingressaram no curso de Letras da Universidade de Brasília.
A herança de Voltaire, no entanto, não se resume a livros. Ele também foi autor de cartas de grande importância histórica, mais de 20 mil. Nelas, o filósofo defende a liberdade individual, critica os dogmas religiosos, prega a separação entre estado e igreja, entre outras ideias avançadas para a época.

Muitas delas, sabe-se agora com certeza, foram frutos do contato de Voltaire com a sociedade inglesa durante o período de três anos em que morou no país, no final da década de 1720.

É o que revelam as 14 cartas recém-descobertas por um professor da Universidade de Oxford, quando fazia pesquisa em bibliotecas nos Estados Unidos.
Entre os documentos de maior valor está um recibo no valor de duzentas libras, assinado por Voltaire, decorrente de uma troca de favores entre o escritor e a família real inglesa.
Para especialistas, trata-se de uma prova concreta do talento de Voltaire no que se refere ao trato social. Isso porque o escritor veio para a Inglaterra ainda no início da carreira, desconhecido portanto, embora com uma recomendação do embaixador inglês na França.

Para outros, no entanto, o documento é uma mostra do caráter duvidoso do filósofo, que para se fazer conhecer uniu-se rapidamente aos ricos e poderosos ingleses, logo se infiltrando na intimidade da realeza.
Quer fruto de uma inteligência brilhante ou de um caráter oportunista, o fato é que as experiências britânicas de Voltaire foram reunidas no livro Philosophical Letters on the English, publicado primeiro em inglês (Voltaire era fluente na língua), e depois em francês.
Quanto à descoberta das cartas pelo acadêmico de Oxford, essa é parte fundamental para a conclusão de um projeto de meio século de duração, elaborado pela Voltaire Foundation, que visa a reunir a obra completa do autor em uma edição definitiva até 2018.
Será uma justa homenagem ao pai de Cândido, personagem que costumava repetir "tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis"… E não é mesmo?

Mariana Caminha é formada em Letras pela UnB e em jornalismo pelo UniCEUB. Fez mestrado em Televisão na Nottingham Trent University, Inglaterra. Casada, mora em Londres,
de onde passa a escrever para o Blog do Noblat sempre às segundas-feiras. Publicou, em 2007, o livro Mari na Inglaterra - Como estudar na ilha...e se divertir
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