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sábado, 21 de junho de 2008

Santo Agostinho

Aurélio Agostinho destacava-se entre os Patrísticos assim como Tomás de Aquino se destacou entre os Escolásticos. E, como Tomás de Aquino se inspirou na filosofia de Aristóteles, e foi o maior vulto da filosofia metafísica cristã, Agostinho inspirou-se em Platão, ou melhor, no neoplatonismo. Agostinho, pela profundidade do seu sentir e pelo seu gênio compreensivo, fundiu em si mesmo o caráter especulativo da paidéia grega com o caráter prático da humanitas latina, ainda que os problemas que fundamentalmente o preocupavam fossem sempre os problemas práticos e morais: o mal, a liberdade, a graça, a predestinação.

Santo Agostinho escreveu mais de 400 sermões, 270 cartas que se assemelham a tratados doutrinários e 150 livros, mas muito pouco de sua obra foi convertida para o português.
Aurelius Augustinus, mais conhecido como Santo Agostinho, nasce em Tagaste de Numídia, província romana ao norte da África, em 13 de novembro de 354. Primogênito do pagão Patrício e da fervorosa cristã Mônica. Criança alegre, buliçosa, entusiasta do jogo, travessa e amante da amizade, não gostava muito de estudar porque os mestres usavam métodos agressivos, e, não eram para ele, sinceros. Ante os adultos se revelou como "um menino de grandes esperanças", com inteligência clara e coração inquieto.
Africano pela lei do solo, romano pela cultura e língua, e cristão por educação. Agostinho, jovem, de temperamento impulsivo, se entregou com afinco ao estudo e aprendeu toda a ciência do seu tempo. Chegou a ser brilhante professor de retórica em Cartago, Roma e Milão. Em sua busca afanosa viveu longos anos com ânimo disperso. Vazio de Deus e agarrado pelo pecado, a vontade "sequestrada", errante e peregrina, "enganado e enganador". Mas, seu coração, sempre aberto à verdade, chegou ao encontro da graça pelo caminho da interioridade, apoiado pelas orações de sua mãe, que na infância lhe havia marcado com o sinal da cruz.
Deixando a docência, retira-se a Cassicíaco, recinto de paz e silêncio, e põe em prática o Evangelho em profunda amizade compartida: vida de quietude, animada somente pela paixão à verdade. Assim se preparou para ser batizado na primavera de 387 por Santo Ambrósio.
De novo em Tagaste, a mãe morreu no porto de Roma, vendeu suas posses e projetou seu programa de vida comum: pobreza, oração e trabalho. Por seus dotes naturais e títulos de graça, cresceu em torno dele um grupo de amizade e fundou para a história o Monacato Agostiniano.
No ano de 391 é proclamado sacerdote pelo povo, e cinco anos mais tarde, os cristãos de Hipona o apresentaram para o Episcopado. Consagrado Bispo de Hipona, título de serviço e não de honra, converte a sua residência em casa de oração e tribunal de causas. Inspirador da vida religiosa, pastor de almas, administrador de justiça, defensor da fé e da verdade. Prega e escreve de forma infatigável e condensa o pensamento do seu tempo.
Foi Santo Agostinho quem inaugurou a literatura confessional, e o seu livro Confissões tem no mundo ocidental medieval importância talvez tão grande quanto a que é dada a Odisséia ou a Divina Comédia na Antiguidade Clássica. Em Confissões, escrito quando ele ainda tinha 43 anos de idade, Agostinho narra sua vida, contada com suavidade, parece a história de uma alma, "onde se revelam os prodígios da graça em uma natureza rebelde e decaída".
A despeito de ter recebido na infância uma educação cristã da mãe, Santa Mônica, em nenhum momento de sua juventude Agostinho ardeu de entusiasmo pelo cristianismo. Foi a busca de um caminho para uma vida mais elevada, da qual não desistiu enquanto não se deu por satisfeito em responder as perguntas que o incomodavam. E esta busca o elevou ao mais alto grau da capacidade intelectual da mente humana.
Em outra obra "Livre Arbítrio" Agostinho dialoga com Evódio, e esta obra tem como tema o problema da liberdade humana e da origem do mal moral, problema com o qual ele se preocupava desde a adolescência. Agostinho não podia suportar a idéia de que Deus fosse a causa do pecado e nessa obra deixa claro que Deus não nos induz a cometer o mal, mas nos dá a liberdade para escolher ou o bem ou o mal.
Santo Agostinho não era um homem feliz o que, segundo ele, lhe inspirava a filosofar. Em seu livro "A Cidade de Deus" afirma que "o homem não tem razão para filosofar, exceto para atingir a felicidade". Neste livro Agostinho tem como base a história de Adão e Eva e visa o pecado e grandes oposições como bem e mal, carne e alma. Aqueles que aderem ao bem e têm como força a graça divina edificam a Cidade de Deus e vivem em bem-aventurança eterna. Abel, o episódio da arca de Noé, Abraão, Moisés, a época dos profetas e ainda a vinda de Jesus, são manifestações da Cidade de Deus. Já os que aderem ao pecado constroem a cidade humana, terrena, e recebem apenas castigos. Caim, o dilúvio, a servidão dos hebreus aos egípcios, são exemplos dessa cidade humana.
Seu pai, Patrício, era pagão, recebido o batismo pouco antes de morrer; sua mãe, Mônica, pelo contrário, era uma cristã fervorosa, e exercia sobre o filho uma notável influência religiosa. Indo para Cartago, a fim de aperfeiçoar seus estudos, começados na pátria, desviou-se moralmente. Caiu em uma profunda sensualidade, que, segundo ele, é uma das maiores conseqüências do pecado original; dominou-o longamente, moral e intelectualmente, fazendo com que aderisse ao maniqueísmo, que atribuía realidade substancial tanto ao bem como ao mal, julgando achar neste dualismo maniqueu a solução do problema do mal e, por conseqüência, uma justificação da sua vida. Tendo terminado os estudos, abriu uma escola em Cartago, donde partiu para Roma e, em seguida, para Milão. Afastou-se definitivamente do ensino em 386, aos trinta e dois anos, por razões de saúde e, mais ainda, por razões de ordem espiritual.

Entrementes - depois de maduro exame crítico - abandonara o maniqueísmo, abraçando a filosofia neoplatônica que lhe ensinou a espiritualidade de Deus e a negatividade do mal. Destarte chegara a uma concepção cristã da vida - no começo do ano 386. Entretanto a conversão moral demorou ainda, por razões de luxúria. Finalmente, como por uma fulguração do céu, sobreveio a conversão moral e absoluta, no mês de setembro do ano 386. Agostinho renuncia inteiramente ao mundo, à carreira, ao matrimônio; retira-se, durante alguns meses, para a solidão e o recolhimento, em companhia da mãe, do filho e dalguns discípulos, perto de Milão. Aí escreveu seus diálogos filosóficos, e, na Páscoa do ano 387, juntamente com o filho Adeodato e o amigo Alípio, recebeu o batismo em Milão das mãos de Santo Ambrósio, cuja doutrina e eloqüência muito contribuíram para a sua conversão. Tinha trinta e três anos de idade.

Depois da conversão, Agostinho abandona Milão, e, falecida a mãe em Óstia, volta para Tagasta. Aí vendeu todos os haveres e, distribuído o dinheiro entre os pobres, funda um mosteiro numa das suas propriedades alienadas. Ordenado padre em 391, e consagrado bispo em 395, governou a igreja de Hipona até à morte, que se deu durante o assédio da cidade pelos vândalos, a 28 de agosto do ano 430. Tinha setenta e cinco anos de idade.

Após a sua conversão, Agostinho dedicou-se inteiramente ao estudo da Sagrada Escritura, da teologia revelada, e à redação de suas obras, entre as quais têm lugar de destaque as filosóficas. As obras de Agostinho que apresentam interesse filosófico são, sobretudo, os diálogos filosóficos: Contra os acadêmicos, Da vida beata, Os solilóquios, Sobre a imortalidade da alma, Sobre a quantidade da alma, Sobre o mestre, Sobre a música. Interessam também à filosofia os escritos contra os maniqueus: Sobre os costumes, Do livre arbítrio, Sobre as duas almas, Da natureza do bem.

Dada, porém, a mentalidade agostiniana, em que a filosofia e a teologia andam juntas, compreende-se que interessam à filosofia também as obras teológicas e religiosas, especialmente: Da Verdadeira Religião, As Confissões, A Cidade de Deus, Da Trindade, Da Mentira.
http://www.beatrix.pro.br/educacao/agostinho.htm
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