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quinta-feira, 14 de março de 2013

Os Médicos só Sabem o Que tem nos Livros...

Suely Monteiro

A autora com seus pais.
Minha mãe ao ser surpreendida por mim, levando mingauzinho na bolsa para a irmã que estava hospitalizada se justificou:

“Minha filha aprendi com seu avô que os médicos só sabem o quem tem nos livros, e nos livros não tem amor, explicou-me ela, pacientemente.”

Veja bem - continuou- quando sua irmã era criança, lá na roça, ela ficou muito doente. Um dia o médico foi lá. Antes de ir embora me chamou num canto e me disse baixinho: “olha aqui, dona, sua filha quase não tem água no corpo, a senhora vai fazer um chá preto e dar a ela de cinco em cinco minutos, senão ela vai morrer, porque está muito fraca. Ela tem que beber bastante água ou chá preto. Mas tem que ser de pouquinho em pouquinho, entendeu? ”.

- Sim, respondi. Na mesma hora eu fui pra cozinha, fiz o chá e levei pra ela. Mas cadê que ela bebia? Cuspia tudo e chorava fraquinha, pois não tinha mais força nem para abrir a boca. Comecei a ficar mais angustiada.


Eu rezava e pedia a Nossa Senhora - que é a mãe dos pobres - que cuidasse de minha filha e não levasse ela embora, porque eu tinha muitas filhas, gostava demais de todas, mas gostava mais daquela porque estava doentinha. Que ela me perdoasse a preferência, mas quando ela curasse a minha filha eu voltaria a gostar de todas do mesmo jeito.

Eu acabei de rezar, peguei sua irmã no colo e ficamos bem abraçadinhas. Eu queria cantar uma musiquinha pra ela, mas não conseguia, só tinha vontade de chorar, chorar, chorar e chorar...

Seu pai, meio desesperado tinha saído pra refrescar a cabeça. Vocês eram muito pequenas. Naquela hora, era eu, o menino Jesus e Nossa Senhora. Só que eu estava tão desesperada que nem lembrava que eles estavam comigo.

Nessa hora, minha filha, seu avó chegou lá em casa e me viu naquele desespero. Não pensou duas vezes. Foi pra cozinha, pegou um pouco de fubá, molhou, fez uma bola, enrolou num pano e botou esta bola de fubá enrolado no pano, na água fervendo com um pouquinho de sal e açúcar e deixou no fogo por meia hora. Depois tirou a bola da panela, esfriou aquela aguinha de fubá, levou até o quarto onde eu estava chorando agarrada à sua irmã e me disse:

- “ Sua filha não vai morrer. Os médicos só sabem o que tem nos livros e nos livros não tem amor. Não sabem nada de vida. Chá preto é pra velho. Criança gosta de coisa boa, docinha. Dê esta água de fubá a ela de cinco em cinco minutos. Fique forte e cante uma canção de ninar pra ela dormir e não gastar as forças. Procure os brinquedos que ela gosta e coloque perto do bercinho. Mostre a ela o passarinho na janela. Amanhã ela vai estar melhor. Eu vou agora, mas amanhã sua mãe vem pra ficar com você, ajudando a cuidar das crianças. Sossegue o coração e confie em Deus.”

Olhe minha filha, você pode nem acreditar em mim, mas aconteceu exatamente como meu pai falou. Sua irmã, aos poucos, foi ficando fortezinha, e, com uma semana já estava brincando com vocês, bem alegre. Foi aí que entendi que os livros não ensinam todas as coisas. Agora, você  quer saber mais ?!!  Eu vou levar, sim, o mingau para a sua tia. Se você quiser, pegue o carro e vá ao hospital me denunciar, mas a culpa não será minha se ela morrer – ameaçou-me a poderosa e maravilhosa mãezinha, analfabeta de pai e mãe, não no sentido figurado, mas na dura realidade.

Não. Eu não a denunciei se querem saber. Embora na qualidade de profissional da saúde eu reconheça a necessidade de se estabelecer certos parâmetros na conduta hospitalar, não tive coragem de tomar-lhe a garrafinha com o milagroso mingau e muito menos falar com ela sobre a medicina e suas competências.

No entanto, confesso que fiquei muito feliz quando o telefone, dias depois, tocou avisando que minha tia estava, novamente, em casa.

É, mãezinha, o amor de fato precede o saber e, juntos, fazem milagres!

Tilly

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