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domingo, 26 de setembro de 2010

CRISTIANISMO E FILOSOFIA PATRÍSTICA.

Início da patrística, - grega e latina.

O pensamento cristão apresenta uma primeira fase, conhecida como Patrística - referência aos padres da Igreja - situada em grande parte ainda dentro da época Helênico-Romana e nos tempos imediatamente após a queda, em 476, de Roma.
Depois de 700 divide-se o mundo civilizado em três áreas culturais, mais ou menos estanques e hostis entre si:
a Europa Ocidental, em que se desenvolveu a filosofia escolástica;
o Império Bizantino, continuador direto do Império Romano Cristão, em que subsiste a língua grega, com uma chamada filosofia bizantina, de diretriz cristã;
o Mundo Árabe, seguidor de Maomé, porém com uma filosofia dominantemente aristotélica.
Antes de Agostinho de Hipona (354-430), a filosofia patrística é apenas incidental, exposta em meio aos assuntos teológicos, aos quais servia como esclarecimento. Depois cresce e alcança um relativo desenvolvimento. Todos os patrísticos estão na linha do platonismo e neoplatonismo.
Os primeiros patrísticos são na maioria escritores de língua grega:
- Aristides, autor de uma Apologia (c. 140);
- São Justino (+166), autor de duas Apologias e do Diálogo com o judeu Trifão; e assim outros, como
-Taciano, Atenágoras, Santo Irineu, São Hipólito, este autor de Philosophoumena.
Ainda gregos, da Escola de Alexandria:
-Panteno (fundador da escola);
-Clemente Alexandrino (150-216), já representativo;
-Orígenes (185-254), notável pela sua exegese alegorista.
Clemente de Alexandria (c. 150-216).
Filósofo cristão, patrístico, de expressão grega, nascido em Atenas. Estabeleceu-se em Alexandria, cerca do ano 180. Dirigiu a escola cristã, desde a morte de Panteno, até seu fechamento em 202. Seguiu depois para a Ásia Menor.
O pensamento de Clemente de Alexandria, se desenvolveu em clima neoplatônico peculiar aos cristãos da época. Tratou sobre a certeza, a existência de Deus, principalmente a moral e o direito natural.
Obras:
Discurso de persuasão aos gregos (Protreptikós), persuadindo a deixar o paganismo; Pedagogo (Paidagogôn), de instrução ao cristão, principalmente moral; Tapetes (Strômata), miscelânea erudita, dos assuntos mais diversos sobre do saber antigo, citando inclusive no original textos pré-socráticos; e escritos menores.

Origenes (c.185 -c. 255).
Escritor cristão de vasta erudição, de expressão grega, inicialmente com ação em Alexandria, onde provavelmente nasceu. Estudou letras e aprendeu de cor textos bíblicos, com seu pai. Morto este por ocasião da repressão de Septímio Severo às novas religiões, o bispo de Alexandria passou à Orígenes a direção da Escola Catequética . Estudou na escola neoplatônica de Ammonios. Viajou a Roma, em 212, onde ouviu ao sábio cristão Hipólito. Em 215 organizou Origenes em Alexandria uma escola superior de Exegese Bíblica. Sacerdote em 230. Viajou muito e falava ao público nas igrejas.
O fato de se haver castrado por devoção, lhe criou dificuldades com alguns bispos, que contrariavam o sacerdócio dos eunucos. Em 232 se transferiu para Cesaréia, Palestina, onde se dedicou exaustivamente aos seus escritos. Sobreviveu aos tormentos de que foi vítima sob o Imperador Décio (250-252). Posteriormente a esta data morreu em Tiro, não se sabendo exatamente quando.
Foi mais um exegeta, que um teólogo. Também não centralizou sua atenção na filosofia. Mas é representante do pensamento eclético dos cristãos de sua época.
O contexto filosófico é claramente neoplatônico. Deus é tratado como totalmente transcendente. O Logos é Deus por participação. Esta participação é descrita de maneira bastante subordinada e que irá favorecer aos arianos (vd 216). O mundo é criado do nada, não sendo por conseguinte apenas uma reelaboração demiúrgica da matéria eterna.
A alma preexiste, e está subordinada à metempsicose; eis uma tese tipicamente pitagórica e platônica. Abandonada depois pelo cristianismo oficial, é todavia relembrada por aqueles que ainda hoje, - espíritas, - a defendem como cristã.
A moral visa a purificação, que se processa nos sucessivos retornos da alma à vida neste mundo. Não há condenação em Inferno eterno. Todas as criaturas, mesmo os anjos decaídos, chegarão à purificação final, ou seja à apocatastase, por que assim é mais digno de Deus.
A exegese de Orígenes buscou a interpretação meramente alegórica, e não literal, de muitos dos episódios fantásticos da Bíblia. Tomou, pois, como método o que já desde tempos vinham fazendo escritores pagãos a respeito dos seus mitos, bem como também já faziam judeus eruditos de Alexandria. Não obstante, no Ocidente prevaleceu a exegese literal de Santo Agostinho.

Obras
Muitas se perderam, em decorrência de haver sido o autor combatido pelos mais ortodoxos. Dentre a que se conservaram, destacam-se:
Bíblia sextupla (Eksapla Biblia), distribuindo em 6 colunas, para os textos na versão grega e hebrea;
Sobre os princípios (Perì archôn), tratado teológico e filosófico, sobre Deus, matéria, moral, exegese, contendo os fundamentos do que veio a ser denominado origenismo;
Contra Celso (Katà Kelsou), resposta à críticas deste o filósofo neopitagórico aos cristãos;
São ainda de sua autoria; Strômata; A ressurreição; Exortação ao martírio; Comentário sobre o Gênesis; Comentário sobre São João. E assim também comentários a outros livros bíblicos, bem como ainda notas, homilias, tratados de espiritualidade, cartas.

FOTOGRAFIA


HORA DO RECREIO

CRISTIANISMO E FILOSOFIA PATRÍSTICA: Gênese do Cristianismo.


O imperador Constantino, no poder de 306 a 337, consolidou definitivamente o sucesso do cristianismo. Rompendo as regras da sucessão do trono, então organizado na forma de uma tetrarquia, por Diocleciano (285-305), em que sucederiam pela ordem os dois Augustus e os dois Césares, venceu sucessivamente seus contendores, até alcançar a posição de imperador único.
Nesta longa luta apoiara-se nos cristãos, apesar de ele mesmo não ser um deles. Constantino era filho de Constâncio Cloro, que de César passara a Augusto, governando as Gálias e a Grã Bretanha, com capital em Tréveris, nas fronteiras da Gêrmania.
Constantino sucedeu a Constância que morreu cedo, em 306. Tentando unificar o império, em 307 vencia Maximino, que governava em Milão, e conquistava, a seguir, Roma a Maxêncio.
Emite, então, o importante Edito de Milão (313), introduzindo a liberdade de culto, integrando desta forma os cristão ao mesmo nível da religião tradicional. Em 324 completava a unidade do poder, cuidando logo de transferir a capital para Bizâncio, que tomou o nome de Constantinopla.
Constantino trata da religião como se fosse ele o chefe da igreja, como antes fora grande pontífice do paganismo. Convocando o Concílio ecumênico em Nicéia (325), deu à Igreja cristã a estrutura hierarquizada e territorializada, que hoje ainda conserva, principalmente as Igrejas Católica e Ortodoxa. Adepto de uma religião solar monoteísta, deixa-se batizar apenas no final de sua vida, no leito de morte, ainda assim na fé de Arriano (+ 336). Pelas dificuldades que criou ao judaísmo e ao paganismo em geral, foi o imperador que traçou a sorte definitiva do cristianismo.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

VIDEO: A CIDADE MEDIEVAL.

CRISTIANISMO E FILOSOFIA PATRÍSTICA

Gênese do Cristianismo:
Jesus de Nazaré


Nascido cerca do ano 6 antes de nossa era, morto no ano 30 da era atual, foi a personalidade central na formação do cristianismo, ainda que depois dele houvesse inovações e atitudes que foram decisivas para o seu sucesso.
A crença dos discípulos de Jesus, em um messias espiritual foi uma destas atitudes decisivas para a separação crescente do grupo cristão em relação ao judaísmo oficial.
Uma vez morto, já não poderia haver dúvida aos olhos de seus discípulos, de que Jesus não era um Messias temporal, restando ser um Messias espiritual. Firma-se o conceito desta modalidade messianista.
Crêem ainda os discípulos de Jesus, de que ele tenha ressuscitado, devendo mui proximamente voltar sobre as nuvens, para julgar os povos e estabelecer o reino dos céus com a seleção dos bons.

O contato com os judeus helenistas, no dia de Pentecostes, foi (se a narrativa for exata), o principal impulso para a transformação da comunidade cristã. Até ali, os discípulos de Jesus têm a feição tradicionalista dos essênios e do mesmo Jesus. Mas, os judeus helênicos, vindos de outras regiões do mundo e agora fixados em Jerusalém, tinham melhores condições de organização e falavam inclusive idiomas estrangeiros.
O fenômeno das línguas (que eles interpretaram sobrenaturalisticamente, apesar de poder haver sido uma situação parapsicológica, conforme aqueles que não crêem) atraiu a atenção dos judeus helênicos para o movimento dos cristãos. Aderindo, acomodaram-se por pouco tempo aos usos essênios de economia coletiva.
Em decorrência das transformações motivadas pelas novas adesões, não tardaram os cristãos a abandonar o coletivismo, estabelecendo novas maneiras de estruturar a comunidade, todavia sempre insistindo na caridade. Este aspecto tornou os cristãos simpáticos.
Os sete diáconos, - dentre os quais mais se destacou Estevão, eram eminentemente ativos. A reação judaica se faz sentir.
A adesão do fariseu Paulo de Tarso foi mais uma grande conquista helenística, dos primeiros cristãos. Ela resultou até na eliminação da desagradável prática do corte do prepúcio masculino (a circuncisão), uma prática, que dificultava a adesão dos gentios aos fariseus. O novo dispositivo facilitou o proselitismo cristão.

Por último, o contato com o mundo dos mesmos pagãos, trouxe para dentro do cristianismo hábitos de outras religiões. Influíram certamente os mistérios (ou sacramentos) da religião de Mitra sobre os rituais equivalentes do cristianismo.
Na comunidade cristã, o ritualismo judaico, de transformação em transformação, desapareceu paulatinamente, inclusive os paramentos.
Os bispos e o Pontífice romano dos cristãos passaram a ter, com o tempo, algo de similar aos chefes das religiões pagãs. Até mesmo o Natal de Jesus em 25 de dezembro é a substituição, por imitação da festa do nascimento de Mitra.
Finalmente a Filosofia é aproveitada para formular mais adequadamente as doutrinas religiosas cristãs. Surge, pois agora, a maravilha de uma teologia cristã, precedida por uma filosofia também cristã.
Hoje se dividem as opiniões sobre a verdade do cristianismo. Para os que têm fé em sua sobrenaturalidade, ele resultou de uma obra intencionada por Deus, de tal maneira que Jesus seria um Deus encarnado em natureza humana e autor sobrenatural da Igreja, como ainda fiador de todas as promessas de uma vida futura espetacular de felicidade celestial.
Para outros, - defensores de uma interpretação histórico-crítica, - o cristianismo seria apenas uma transformação cultural progressiva e selecionante, todavia substancialmente falso no que diz respeito às convicções sobrenaturais.
Fonte:
Enciclopédia Simpozio
http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y098.htm#TopOfPage

MÚSICA MEDIEVAL.

CRISTIANISMO E FILOSOFIA PATRÍSTICA.

A Gênese do cristianismo

O cristianismo é um movimento de formação paulatina, resultante do contato judeu semita com o mundo indo-europeu.
Primeiramente ocorreu o processo pelo qual dentro do judaísmo se desdobraram as seitas conhecidas pelos nomes de saduceus, fariseus, zelotas, essênios; no curso deste processo deriva finalmente um grupo chamado cristão.
A seguir, também este desenvolveu no mesmo cristianismo um processo interno de transformação, influenciado pelo mundo helênico, tomando dele inclusive a língua grega para escrita de seus novos livros sagrados, os Evangelhos, Atos, Epístolas e Apocalipse.
As seitas judaicas contribuíram em diferentes dimensões para a formação do cristianismo.
Os saduceus eram tradicionais, do ponto de vista doutrinário, restringindo-se à Lei (ou Torá), de Moisés, sem os livros dos profetas e por conseguinte sem os acréscimos doutrinários recentes, em que figuravam, por exemplo, os anjos.
Os fariseus, que acresciam à Lei, os livros dos profetas, tinham mais viva a idéia de um Messias. Já se vê, que Jesus se ligava mais aos fariseus que aos saduceus. Ainda os fariseus admitiam a conversão dos gentios para o judaísmo; era mais um precedente de importância, que haveria de ser adotado pelo cristianismo.
Os zelotas acresciam à doutrina dos fariseus uma visão mais agressiva do Messias, como restaurador do Reino de Israel. Promoviam guerrilhas contra os romanos. É possível que muitos, como Judas, acreditassem que Jesus fosse um zelota oculto, abandonando-o quando viram nele um pacifista.
Finalmente, os essênios são os mais representativos das idéias de que eram também portadores os primeiros cristãos.
João Batista é um essênio típico. E Jesus apresenta aspectos similares.
Os essênios viviam no celibato. Organizavam-se em comunidades de doze e tinham a chefia geralmente de três, dos quais um era o tesoureiro. Comiam a Páscoa sob a presidência de um deles e em calendário que não era o oficial (o helênico, este já em vigor entre os saduceus).
Ora, tudo isto se mostra claro no grupo de Jesus. Os essênios ainda se acreditavam inspirados e receptadores de revelações. Curavam e perdoavam os pecados, além de batizar. Outra vez, tais são as maneiras de ver de Jesus e de seus discípulos. O conceito de Messias dos essênios é espiritual. Outra coincidência com os cristãos.

Fonte:
Enciclopédia Simpozio
http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y098.htm#TopOfPage

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

ARTE: PINTURA.

A MADONA DOS CRAVOS - RAFAEL - SEC. XVI - ÓLEO SOBRE TELA.

sábado, 18 de setembro de 2010

DOUTRINA SOCIAL E DO DIREITO, DO PERÍODO HELÊNICO-ROMANO

Como tema de especulação, foi o social uma peculiaridade do período helênico-romano, e que foi patrocinado sobretudo pelo estoicismo e epicurismo, platonismo e cristianismo. Ainda que houvesse tido tratamento em Platão e Aristóteles, o social passa agora a ser um objetivo claramente proposto como transformação a ser efetivada.

Desde Alexandre até ao final do Império Romano, progrediu paulatinamente e sempre o espírito da lei natural, dos direitos da pessoa humana, vindo finalmente tudo configurar-se no código de Direito Romano, publicado em 529 d.C., sob o imperador Justiniano. Filósofos e juristas são os transformadores de seus princípios, mas também muitos dos seus lances foram representados por sangrentas lutas e habilidades dos políticos. Também as religiões, como o cristianismo, influíram.

Com a supressão do Estado-Cidade (após Aristóteles), o homem animal político perdeu esta vinculação com o seu grupo. Desde então o homem se sentiu mais como indivíduo. Teve que viver junto, com outros homens, de maneira mais impessoal e ampla, juntamente com todos os homens da humanidade e que circulavam por toda a parte.

Especial importância adquiriram as organizações particulares e religiosas, as quais substituíram a preocupação anterior com o Estado-Cidade.

Cresceu assim a preocupação Ética e Religiosa. Inquiria-se que fazer, para ser feliz, - e a resposta vem da filosofia, agora predominantemente ética. E como tratar os seres transcendentes, - e cada vez mais assumiram importância as religiões orientais, que prometiam algo para o futuro, seja em forma de fatalidade e fortuna, seja na modalidade de vitória sobre o mal, como na religião de Mitra ou de ressurreição, como na igreja cristã. Os deuses gregos e romanos (Zeus e Júpiter e Cia.) perdem simpatia sobre as massas, porque não tinham, mensagem para as novas situações criadas pelos tempos; eram antes Deuses com interesses sobre os homens do que soluções para os seus problemas.

As escolas socráticas menores, de que as pós-socráticas dos epicuristas e estóicos são as continuadoras, deram o sinal de abertura para os tempos novos.

Os cínicos, chefiados por Antístenes (444 - 370), são os anarquistas da antiguidade, porque condenam a distinção baseada no nascimento, no sexo, nas classes. Diógenes, o cínico, perguntado de onde era, respondeu, - sou cidadão do mundo!

O epicurismo, com sua Ética associada à natureza, favoreceu o individualismo e a descrença nas formas sociais, sobretudo daquelas cultivadas anteriormente pela sociedade do Estado-Cidade.

Mas foi sobretudo no estoicismo, herdeiro do cinismo, que se formaram os filósofos e juristas que plasmaram a filosofia social do mundo helênico e do direito romano. Zenão de Citium é fenício, embora atuasse em Atenas; mas só isto bastava para que sua filosofia não adotasse a diferença entre nações, como entre gregos e bárbaros. Rompendo com o cinismo, por causa de seu espírito anarquista, manteve o seu moralismo rijo e fundado na natureza universal do homem. A atenuação se deu só ao tempo dos estóicos, do segundo pórtico, que admitiram as honras da pátria e a glória; esta peculiaridade era uma concessão ao espírito romano.

Ainda que as religiões pregassem o bom tratamento aos servos, foram os estóicos os primeiros a conceberem uma sociedade sem servidão.

As lutas políticas conduzem paulatinamente o desenrolar das melhorias sociais.

No que se refere aos diferentes níveis de direito do Estado político, não foi possível de início mais que distinguir entre o direito local e o direito da cidade universal.

A República neste plano geral era difícil, porque deveria resultar de um Estado Jurídico. As circunstâncias favoreceram o regime de Império, à base de uma aristocracia militar. O Monarca seria pois uma figura imposta pelas circunstâncias, em vista da dificuldade de coordenar de outro modo populações muito distintas. Se em Roma ocorreram inicialmente tentativas de República, elas foram definitivamente abandonadas ao tempo dos primeiros Césares.

Conquistas sociais dos romanos:

Lex canuleia (do tribuno do povo romano Caio Canuleio), de 445 a.C. que votou pela validade dos casamentos entre patrícios e plebeus, as duas classes que dividiam a cidade. É a lei da igualdade civil.

Lei das Doze Tábuas (450 a.C.), em doze tábuas de bronze, as primeiras leis escritas de Roma; ainda que primitivas e rudes, serviram como ponto de partida do Direito Romano.

Declara:

"Aquilo que o povo mandar, por último será a lei".

Lei agrária (487a.C.) de proteção aos trabalhadores agrícolas.

As leis licínias estabeleceram a igualdade de patrícios e plebeus no plano militar, para ocupar o cargo de tribuno militar (366 a.C.), e no plano religioso, para exercer o sacerdócio (302 a.C.), antes privilégio dos patrícios.

Lei semprônia (133 a.C.) (dos Gracchos Tibério e Caio), -

"Ninguém poderá possuir mais de quinhentas geiras de fazenda. Quem tiver filhos poderá conservar 500 para si e 250 para cada um dos filhos; o que sobrar será devolvido à República".

Ainda ao tempo da era pré-cristã se conhecem as lutas liberticidas dos escravos, sob a chefia de Espartaco (+ 71 a.C.) e as reformas de César favorecendo a Plebe. Seguiu-se o tempo feliz de César Augusto (30 a.C. - 14 d.C.).

O imperador Caracala (211 - 217) estendeu o direito de cidadania a todos os habitantes das Províncias (212); de outra parte isto trouxe melhorias para o tesouro.

Paralelamente desenvolveram-se os direitos da mulher.

Depois da publicação do Código Justiniano (530-534), adquiriu a Igreja vários privilégios e ainda outros, quando finalmente na Idade Média se desviou para o Direito Feudal.

São conhecidos juristas romanos:

Gaio ou Caio (c. 100 - 180); Paulo; Papiniano; Ulpiano; Modestino; Triboniano (codificador chamado pelo Imperador Justiniano).

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HARMONIA, SINTONIA, AMOR.
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TERCEIRO PERÍODO DA FILOSOFIA ANTIGA: O ESTOICISMO

Introdução
Como escola, o estoicismo tomou seu nome, de um pórtico (no grego stoá), onde seu fundador, Zenão de Citio, ensinava, ao estabelecer-se em Atenas.
Exerceu o estoicismo notória influência em todo o período helênico-romano, pela profundidade de suas doutrinas, como ainda por ter sido o sistema da elite romana. Influenciou também o rigorismo da moral cristã.
Perderam-se os livros dos primeiros estóicos, dos quais restam apenas fragmentos. Toda a doutrina ainda se encontra nos livros dos autores latinos. Em decorrência, o estoicismo é tratado como um corpus doutrinário. Entretanto se conhecem fases, com diferenças apreciáveis. E que se fizeram conhecer pelas denominações pórtico antigo, pórtico médio e pórtico moderno.

O pórtico antigo, do 3-o século a.C. representado por Zenão de Citio (c. 336-264 a.C.). Como comerciante naufragou no Pireu, vindo depois estabelecer-se em Atenas, onde passou a estudar. Por volta de 300 a.C. criou sua escola.
O pórtico antigo segue a rigidez moral de Sócrates e da escola socrática menor dos cínicos. E ainda o monismo materialista dos jônicos, num sentido mais panteístico. O logos, como forma das coisas, seria a expressão da inteligência ou alma do mundo. A forma das coisas é denominada também fogo racional (pyr noeron). A conformidade com a necessidade geral que tudo comanda (em decorrência do monismo) traz a impertubabilidade (= ataraxia). Esta é a virtude e a felicidade.

O pórtico médio, do 2-o e 1-o século a.C., representado por Panécio de Rodes (c.180-1110 a.C.) e Possidônio de Apaméia (+51 a.C.), foi mais eclético, com aproximações à Platão e Aristóteles.
Abandonou a doutrina monista da identidade de Deus e do mundo.
Amenizou a moral cínica, de sorte a converter o estoicismo mais adequado ao espírito romano, eminentemente dedicado ao sentimento coletivo do Estado.
No curso do pórtico médio ocorreu a expansão de estoicismo nos meios romanos.
Panécio de Rodes (c. 180-110 a.C.), de origem nobre, ligara-se a Scipião Emílio na época em que se iniciava a expansão do Império Romano, acompanhando-o em 143 à Alexandria e à costa ocidental da África, até estabelecer-se em Roma; aqui teve amizades com o sumo sacerdote Múcio Scevola e outros. Por algum tempo retornado ao oriente grego, para estabelecer-se na Escola de Atenas, de 129 a 110 a.C., onde faleceu.
Acontecia então a fase estóica eclética, de aproximação do estoicismo ao platonismo e aristotelismo denominada pórtico médio. Substituiu Panécio a doutrina da conflagração períodica do mundo pela da eternidade do mesmo conforme Aristóteles. Abandonou as posições rígidas do anterior estoicismo por um modelo de vida mais suave. Em vez da física e da dialética, preferiu os temas morais e religiosos.
Dos seus livros restam apenas fragmentos e informações. Um deles, o Tratado do dever, serviu de modelo ao Sobre os ofícios (De Officiis), de Cícero. Destacam-se ainda os títulos: Da Providência; Comentário ao Timeu.
Possidônio de Apaméia (c.135-c.51 a.C.), Síria. Filósofo de expressão grega estudou em Atenas com Panécio. Estabeleceu-se em Rodes, onde abriu escola e onde Cícero o ouviu e Pompeu o conheceu. Viajou em torno de todo o Mediterrâneo, havendo estado também em Roma, o que o tornou muito conhecido.
Como filósofo estóico pertenceu ao pórtico médio. Nesta condição abandonou algumas doutrinas do estoicismo anterior, aproximando-se do ceticismo da Academia, e mesmo do aristotelismo. Acentuou o lado mítico, ao contrário do estóico Panécio, mais racional.
Escreveu muito mas restam apenas menções do seu pensamento nos escritores contemporâneos, como Cícero, Sêneca, Plotino e outros.
O pórtico moderno se desenvolveu na época imperial romana. Dos seus representantes uns escreveram em grego, como Arius Didimus (último sec. A. C.), Epicteto (50-130 d.C.), Marco Aurélio, imperador (+180 d.C.). Outros em latim, como Sêneca (3 - 65 d.C.), Mussônio Rufo (1-o séc. d.C.).
Uns e outros influenciaram os ideais sociais e a formação do Direito Romano, que mais adiante será codificado.
Arius Didimus (último século a.C.)
Filósofo estóico, familiar do imperador Augusto. Era um entre outros tantos estóicos, que então eram frequentes no Império Romano.
Em Alexandria, de onde Arius Didimus era originário, encontravam-se também os estóicos Eudoro e Potamon.
Em Atenas, Cícero contatou ao estóico Antíoco, levando suas idéias para Roma, não demorando a aparecer a geração dos estóicos que escreverá em latim.
Como os estóicos em geral, também Arius Didimus foi um eclético, porquanto combinou elementos tomados a Platão e a Aristóteles. Escreveu uma história da filosofia, de que se conservam fragmentos sobre Platão, Aristóteles, e os estóicos.
Epicteto (50 - 138), nascido na Ásia Menor, foi escravo em Roma. Depois de liberto, foi chefe de escola em Nicópolis (Epiro).
Pregou o amor aos homens e à cidadania universal. Autor de Dissertações (notas tomadas por Arriano); Enquiridion; ou Manual de moral. Escreveu em grego.
Marco Aurélio (121-180), imperador de 161 a 180, do qual se conserva famosa estátua equestre e apreciáveis escritos. Nascido em Roma, filho do prefeito da cidade, que também fora três vezes cônsul. Ao morrer este seu pai, o adotou o Imperador Antonino Pio, ao qual sucedeu aos 40 anos.
Praticou Marco Aurélio a filosofia estóica, que conheceu através de Epicteto. Não é, todavia, tão estóico quanto este, e nem tão teórico. Seu estilo contém um caráter de doçura e agrado, não obstante ser o estoicismo um sistema de normas rijas. O homem é parte da natureza Universal, devendo tomar o governo de si para guiar-se de acordo com esta posição no todo. Proibiu a introdução de novas religiões no Império, de onde haver-se colocado contra o cristianismo. Marco Aurélio e Epicteto são os expoentes mais destacados da moral estóica.
Escreveu suas cartas em latim, e que se conservam, enquanto seu livro em grego, sob o título Para mim mesmo (I  , Æ H © " L J @ < ), e que se fez conhecer nas traduções por Meditações (Meditationes), e também por Soliloquia (Solilóquios). É possível também que o título grego tenha sido aplicado por um edito, presumindo-se que Marco Aurélio tenha usado o de ß B @ <>Estoicismo romano latino.
Depois de vários nomes ilustres, convivendo com os de expressão grega, termina o estoicismo romano absorvido pelo neoplatonismo, que teve em Roma o magistério pessoal de Plotino e Porfírio (escritores de língua grega) e logo também pelo neoplatonismo cristão.
Não é adequado tratar da filosofia romana em separado das escolas da filosofia em língua grega, senão para destacar os nomes daquelas que usaram a língua latina. Esta passará a ser usada sobretudo na Idade Média, porque então já não será tão conhecida no ocidente a língua grega.
Marcus Tullius Cícero (106-43 a.C.).
Político, escritor, filósofo romano, de expressão latina, nascido em Arpino. Atuou em Roma e em diferentes regiões do mundo romano. Havendo ganho no foro uma causa contra Sila, atraiu contra si a perseguição deste.
Para ver-se longe do ditador, foi passar dois anos em Atenas, onde estudou e absorveu a filosofia grega, da qual se tornou um tradutor para a língua latina.
Morto o ditador Sila, em 77 a.C., retornou a Roma. Foi questor em 76, na Sicília. Pretor em 66 e cônsul em 63. Denunciou a conspiração de Catilina contra a república. Ao tempo que é aliado de Pompeu, foi procônsul na Silícia, no Oriente. Reconciliado com César, mas assassinado este, e subindo Marco Antônio, quando foram sistematicamente sacrificados os oponentes deste, foi morto também Cícero, que teve as mãos e a cabeça decepadas.
Exerceu Cícero excepcional influência através de todos os tempos, dada a sua boa maneira de escrever e enunciar pensamentos. Não obstante, se ocupou da filosofia quase apenas adicionalmente, enquanto esta lhe prestava apoio nos seus debates e ideais de homem público. Ideologicamente, foi um eclético, com a característica principal de filósofo neo-acadêmico; isto significava um platônico com elementos céticos e estóicos.
Defendeu a existência de uma lei natural, interpretada como a razão divina a governar o mundo, este de acordo com a concepção estóica, isto é, de um monismo constituído de um logos a reger a matéria, como um todo monístico.
Obras:
sobraram cerca de 900 cartas; 58 discursos políticos ou orationes, sem contar 48 perdidos; diversos discursos forenses, mais de 10 obras filosóficas.
Escritos morais redigidos mais ou menos na seguinte sequência:
Da república (De republica, ano 54);
Sobre as leis (De legibus,52)
Sobre a consolação (De consolatione, 45);
Sobre os fins das boas e más ações (De finibus bonorum et malorum, 45);
Assuntos acadêmicos Academica (Academica, 45);
Disputas tusculanas (Tusculanae disputationes, 45-44),
Sobre a dor, a morte e a virtude;
Sobre a natureza dos deuses (De natura deorum, 44);
Catão o Velho, ou sobre a velhice (Cato maior, sive de senectute, 44);
Sobre a adivinhação (De divinatione, 44);
Da amizade (De amititia, 44);
Dos deveres (De officiis, 44)
Lucius Annaeus Sêneca (2-65 d.C.) é expressivo representante da filosofia romana de expressão latina. Nasceu em Córdoba, na então Espanha Romana, onde temporariamente estivera sua família de procedência itálica. Advogado e questor sob Calígula, a cuja tirania veio a se opor. Exilado por Cláudio para a Córsega, 41-49. Retornou sob influência de Agripina, para a função de preceptor de seu filho Domício, depois feito Imperador Nero.
Em 62 retirou-se da vida pública, quando se dedicou mais a escrever. Envolvido na conspiração de Piso, foi compelido a se dar o suicídio pela abertura das veias.
Filósofo estóico, dos mais representativos em língua latina, com uma sabedoria e independência de pensamento superior a de Cícero do século anterior. Pertenceu a um período em que sua escola já não se concentrava nos estudos da lógica e da física, mas nas questões morais, com um certo ecletismo e tendência humanizante.
Cuidou menos de uma visão global do mundo, e sim de uma atitude de vida, em que os termos derivam da ética, psicologia, educação, política. Influenciou a moral cristã.
A correspondência entre Sêneca e Paulo Apóstolo, apesar da aproximação entre o pensamento moral de um e outro, é contudo uma falsificação cristã do 4-o século.

Obras:
Citadas as vezes em grupos, outras vezes pelos títulos individuais dos opúsculos, destacam-se como filosóficas:
Livros de diálogos (Dialogorum libri), que reúne Da Providência (De providentia);
Da constância do sábio (De constantia sapientis);
Da ira (De ira);
Consolo à Márcia (Consolatio ad Martiam);
Da vida feliz (De vita beata);
Da brevidade da vida (De brevitate vitae);
Consolo a Políbio (Consolatio ad Polybium);
Consolação à mãe Hélvia (Consolatio ad Helviam matrem).
Seguem, com o mesmo caráter filosófico:
Da clemência (De clementia);
Dos favores (De benefitia);
Questões naturais (Naturales, quaestiones), em que o tema deriva também para a geografia, astronomia e meteorologia;
Cartas morais a Lucílio (Epistolae morales ad Lucilium).

Entre as obras perdidas se mencionam principalmente títulos filosóficos e científicos, e que de qualquer modo revelam a atividade de Sêneca:
Da forma do mundo (De forma mundi); Da geografia da Índia (De situs Indiae); Da geografia e coisas sagradas dos egípcios (De situ et sacris Aegyptiorum); de que restam fragmentos, quando citadas: Do movimento das terras (De motu terrarum); Da natureza das pedras (De lapidum natura); Da natureza dos peixes (De piscium natura); Moralis philosophiae libri (Livros de filosofia moral); De officiis (Dos deveres); Da morte prematura (De immatura morte); Exortações (Exhortationes); Da superstição (De superstitione); Do casamento (De matrimonio); Da amizade (De amicitia); Dos ... (De remediis fortuitorum ad Gallionem).
No campo da literatura, várias tragédias, algumas para leitura, contendo lições morais: Hércules furioso (Hercules furens); Troades, ou Hecuba; Phoenissae, ou Thebais; Medea; Phaedra, ou Hyppolytus; Oedipus; Agamemnon; Thyestes; Hercules Octaeus, e outros escritos.

Ainda é filósofo latino o poeta Lucrécio Caro (96 - 55 a.C.), nascido provavelmente la Luîania itálica. É o apreciado autor dos versos de Sobre a natureza das coisas (De rerum natura). Nele se propôs a tudo descrever na base da visão do atomismo e da moral naturalista de Epicuro, combinado com um pouco de estoicismo em moda, ao mesmo tempo que é típico do ecletismo da fase final do período helênico-romano.
A obra de Lucrécio Caro revela também a tendência romana de assimilar o pensamento grego.

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EQUIPE NOTA MIL

TERCEIRO PERÍODO DA FILOSOFIA ANTIGA: O EPICURISMO HELÊNICO-ROMANO

Introdução

Resultou o epicurismo da junção, com algumas modificações, da lógica de Aristóteles, da física atomista de Demócrito, da moral do prazer de Aristipo de Cirene. Combatido embora pelos moralistas mais rigoristas, foi o epicurismo da antiguidade uma filosofia de equilíbrio, e ainda hoje continua sendo um ideal de vida.
Particularmente é o epicurismo a continuação da escola socrática menor de Aristipo de Cirene (vd 114), caracterizada pela moral hedonista. Em tal condição está em conflito com a escola socrática menor dos cínicos e seus sucessores, os estóicos; estes outros acentuam a presença do Logos e a rigidez moral.

Epicuro de Samos (341-270 a.C.) é fundador da escola, que tomou seu nome, e estava situada num jardim. Escreveu muito, restando fragmentos e algumas páginas, a que se acrescentam alguns livros reencontrados modernamente. De sua obra Sobre a natureza conservam-se dois livros, qual Diógenes Laércio informa conter ao todo 37 (encontrados na biblioteca de Herculano, editados pela primeira vez em 1818, em Leipzig).
Temos ainda, graças a Diógenes Laércio, os Axiomas principais e três Epistolas didáticas.
O fim da atividade humana é o prazer:
"Consideramos o prazer como o princípio e o fim da felicidade; este é o primeiro bem que nós conhecemos, inerente à nossa natureza; é o princípio de todas as nossas determinações, de nossos desejos e de nossas aversões; é este para o qual aspiramos sem cessar e em todas as coisas o sentimento é a regra que nos serve para medir o bem" (III Carta).
Logo adiante diz:
"Todo o prazer, portanto, considerado em si mesmo e em sua natureza é um bem" (Ibidem I).
"O que prova (diz Epicuro citado por D. Laércio), que o prazer é o fim da vida e que os animais, desde que nascem, são atraídos pelo prazer e repelem a dor, por puro instinto e sem nenhum raciocínio. Nós fugimos naturalmente do sofrimento, com Hércules, que, consumido pela túnica fatal, estremece..." (D. Laércio, X).

Hierarquizou Epicuro as diferentes espécies de prazer, criando assim um conceito para a honestidade.
"Pela mesma razão que faz o prazer de todos os bens, o bem inato, não nos sujeitamos indiferentemente a toda a classe de prazeres; deixamos o prazer de um lado, quando se lhe segue um mal. Muitos sofrimentos nos parecem preferíveis à voluptuosidade, quando estes sofrimentos, por muito tempo suportados, são recompensados com vantagens pelo prazer resultante.
Todo o prazer, portanto, considerado em si mesmo e em sua natureza íntima, é um bem; nem todos, porém, devem ser igualmente buscados. Do mesmo modo também, todo o sofrimento é um mal, nem todos porém devem por sua natureza ser evitados.
Em uma palavra, é preciso examinar, pesar as vantagens e os inconvenientes, antes de pronunciar-se sobre o valor dos prazeres e das penas; porque um bem pode resultar-nos num mal, em certas circunstâncias e reciprocamente um mal pode chegar a ser um bem" (III Carta).

No plano social e político, o epicurismo apresenta apenas a amizade, como o comportamento aconselhado. Prega o individualismo e o cosmopolitismo. Não existe sociedade política natural.
"O poder e a realeza não são bens absolutos, pertencentes à ordem natural; bens enquanto nos põem ao abrigo dos malvados desígnios dos homens" (Epicuro, em Axiomas fundamentais).
"De todas as fontes de felicidade que devemos à sabedoria, nenhuma tão abundante como a amizade: o que preferentemente deve confirmar-nos na esperança de que nenhum mal é eterno, nem tão pouco de grande duração, é o pensamento de que a amizade nos oferece recursos inexgotáveis, ainda durante o curto espaço da vida" (Ibidem).
Quanto à morte:
"Adquira o hábito de pensar que a morte para nós é coisa indiferente...
O mais agudo de todos os males, a morte, nada é para nós, porque, quando existimos, não existe a morte; quando a morte chegar, não existiremos mais.
A morte não interessa, pois, nem aos vivos, nem aos que deixaram a vida;
para os primeiros não existe a morte; os outros já não existem mais" (III Carta).

O modelo da vida feliz é, como no ceticismo pirrônico, a calma (ou atarraxia).
O epicurismo se mantém no decurso de todo o período helênico-romano. Representa naquela época o positivismo e o sensismo dos modernos.

Entre os romanos se tornou conhecido Lucrécio Caro (98-55 a.C.), poeta e filósofo, autor do poema De rerum natura (= Da natureza das coisas). Nele expõe uma filosofia atomista, gnosiologia sensista, uma ética natural positiva e uma sociedade resultante da amizade.
"Então também os vizinhos começaram a unir-se em amizade, desejosos de não sofrer, nem fazer-se mutuamente violências; e entre si recomendaram a seus filhos e mulheres, indicando com suas vozes e gestos ser de justiça que todos se apiadem dos débeis. Não poderia ser geral este acordo; porém uma grande parte observava os pactos com escrúpulo; se não, já então o gênero humano teria percebido por inteiro e sua descendência não haveria podido propagar-se até nós" (De rerum natura, 1019-1027).
Do desenvolvimento deste pacto inicial, resulta finalmente a sociedade organizada por meio de governantes:
"E assim, graças ao fogo e a novos inventos, mostravam como podia melhorar-se uma vida anterior. Os que sobressaíam em engenho e prudência, começaram a fundar cidades e, como reis delas, a estabelecer cidadelas que asseguravam refúgio" .

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

FOTOGRAFIA


FACULDADE SÃO BENTO DA BAHIA
LUGAR ONDE VIVI MUITOS BONS MOMENTOS.
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OBRA DE ARTE

OBRA DE ARTE
Amores na bela Capital Catarinense.