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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

SEGUNDO PERÍODO DA FILOSOFIA ANTIGA: DOUTRINAS DE ARISTÓTELES.

Lógica formal.

Ainda que os sofistas e Platão já houvessem tratado temas lógicos, foi Aristóteles que deu à lógica sua estrutura sistêmica definitiva, ocorrendo depois apenas novos desenvolvimentos.
Os estóicos, que deram bastante atenção à lógica, cunharam seu nome.
Distinguiu Aristóteles claramente as três operações mentais:
- idéia,
- juízo,
- raciocínio este subdividido em dedução (ou silogismo) e indução.
A idéia apenas oferece a noção do objeto, sem afirmar e nem negar. Admite classificações, de que se fez muito conhecida a das dez categorias: substância, quantidade, qualidade, relação, tempo, lugar, posição, ação, paixão, hábito (ou posse). Mais tarde Porfírio, o Fenício, dará particular atenção `esta classificação, em libreto famoso Intodução (Eisagogué) às categorias de Aristóteles.
O juízo é a operação mental que afirma ou nega um termo de outro; o primeiro se denomina sujeito e o outro predicado, ligados pela cópula. Aristóteles deu especial atenção à análise do juízo, estabelecendo os primeiros princípios, os quais são afirmativas implicitas em afirmativas explícitas.
O raciocínio é produtor de uma conclusão. Aristóteles distingui entre raciocínio indutivo e dedutivo ou silogismo, mas estudou exaustivamente apenas este último. Foi o primeiro a apresentar uma explicação sistemática do mesmo, mostrando suas premissas, bem como figuras e modos, a partir dos quais se produz a conclusão, virtualmente contida no precedente.
"O silogismo é um discurso no qual, postas certas coisas, resulta algo outro que estes dados, pelo fato mesmo destes dados" (Analíticos, 24b 18).

Silogismo é perfeito
"quando três termos estão entre si com relações tais que o menor esteja contido na totalidade do médio e o médio contido ou não contido na totalidade do maior, então haverá entre os extremos silogismo perfeito" (I Anal. 25 b, 35).
Aristóteles mostrou no silogismo o antecedente, como composto de premissas, das quais se extrai a conclusão. Nas premissas se entrelaçam termos, que se distinguem como extremos, entre um termo médio (isto é, instrumental).
Não reaparece o termo médio na conclusão. Mas, o sujeito da conclusão se diz termo menor e o predicado da conclusão termo maior. Respectivamente, a premissa que contém o termo menor (da conclusão), se denomina premissa menor. E a premissa que contém o termo maior (da conclusão) se chama premissa maior.

Veja um exemplo, para atender ao que Aristóteles explica:
(Premissa menor): se Alfa é afirmado de todo Beta
(Premissa maior): e se Beta é afirmado de todo Gama,
(Conclusão): Alfa é afirmado de todo Gama (I Anal. 25b, 38).

Observe-se que "Beta" é termo médio, porque aparece duas vezes no antecedente; que "Alfa" é termo menor, porque é sujeito na conclusão; que "Gama " é termo maior, porque é predicado na conclusão.
Consequentemente a premissa a ser denominada "menor" é "Alfa é Beta". A premissa a ser chamada "maior" é "Beta é Gama".
Quanto ao raciocínio indutivo, peculiar da ciiência experimental, ele foi vastamente estudado apenas modernamente, a partir de Francisco Bacon, que neste sentido publicou um tratado sugestivamente denominado Novum Organum (1620). Mas Aristóteles já lhe deu a definição e o distinguiu da dedução silogistica.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

FOTOGRAFIA: VIDA LEVE.

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SEGUNDO PERÍODO DA FILOSOFIA ANTIGA: OBRAS DE ARISTÓTELES.

Obras de Aristóteles.
Os escritos de Aristóteles são mais sistemáticos e didáticos que os de Platão, ainda que não tenham a mesma preocupação literária. Assim acontecia até porque havia criado a lógica que trata dos métodos e da classificação das ciências.
Alguns escritos têm aspecto de lições e poderão ter sido notas dos ouvintes.
Outros ter-se-ão perdido, dos quais louvaram Dionísio de Halicarnasso e Cícero a eloquência.

São mais notáveis os seguintes tratados, de títulos óbvios:
- Categorias,
- Primeiros e Segundos Analíticos,
- Física, Metafísica,
- Sobre a alma,
- Ética à Nicômaco,
- Política,
- Retórica,
- Poética..
Além disso, escreveu tratados científicos como Do céu e outros.
Órganon é o nome coletivo dos 6 livros de lógica, assim denominados coletivamente pelos bizantinos, por palavra que significa instrumento, sugerindo que a lógica é instrumento de todo o saber. Escritos em datas diferentes, foram colocados em ordem mais ou menos sistemática:

- Categorias (Kategoríai);
- Da interpretação (Perí hermeneías);
- Primeiros Analíticos (Ta prótera analytiká);
- Analíticos posteriores (Ta ystera analytiká);
- Tópicos (Tà topiká);
- Dos argumentos sofísticos (Perí ton sofistikon).

Dentre eles, Tópicos apresenta ser o mais antigo.

Os livros de metafísica, em número de 14, foram reunidos sob um só título alguns séculos depois: Metafísica (Metafysiká), termo resultante de metá tá Fysiká (depois da Física), como referência aos livros da Física após aos quais aparecem na edição de Proclo.
Quanto ao mesmo livro denominado Física (Fysikà akróasis), trata da filosofia natural e mesmo de assuntos da física experimental e das ciências naturais.

Sobre a natureza: Física (Fysiká), - importante e de fundo filosófico; Sobre o céu (Perí ouranoö); Geração e corrupção (Genéseos kai fthorás); Tratado dos meteoros (Metereologiká).

Textos de psicologia, da qual Aristóteles é um dos fundadores, se destaca:
Sobre a alma (Perí psichês); a eles se juntam os opúsculos assim chamados Parva naturalia:
-Sobre a memória e a reminiscência;
-Sobre o sonho e a vigília;
-Sobre o sonho e a adivinhação pelo sonho;
-Sobre a longevidade e abrevidade da vida;
-Sobre a vida e a morte; sobre a respiração;
-Sobre o sopro, este não de Aristóteles, mas texto de sua escola.
Grupo de escritos sobre os animais e plantas:
Da história dos animais (Perí ta zoa historía), em 10 livros:
-Sobre as partes dos animais (Perí zoon moríon);
-Sobre a marcha dos animais (Perí zoon poreías);
-Da geração dos animais (Perí zoon genéseos);
-Sobre as plantas (Perí fyton).
Escritos éticos:
-Ética a Nicômaco (Ethiká nikomákheia);
-Ética a Eudemo (Éthiká Eudémia), notas de Eudemo, do círculo aristotélico;
-Grande Ética (Ethiká megála), resumo da precedente.
Obras políticas:
-Política (Politiká), paralela à Politéia (República) de Platão;
- A república ateniense (Athenaion politeia), único texto restante do estudo das 156 constituições das cidades gregas estudadas por Aristóteles;
- Economia (Oikonomiká) Costumes dos bárbaros (?) (Nómina barbariká), perdeu-se.
Sobre arte:
-A retórica (He retoriké);
-A poética (Perí poietikés), fragmentária.
Os escritos não didáticos de Aristóteles se perderam, conhecendo-se elogios a sua qualidade literária.
Fonte:
Enciclopédia Simpozio

domingo, 8 de agosto de 2010

FOTOGRAFIA.


FREUD - O NOVO MEMBRO DA FAMILIA.
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SEGUNDO PERÍODO DA FILOSOFIA ANTIGA: ARISTÓTELES.

Biografia.

Notável filósofo grego, Aristóteles (384 - 322 a.C.), nasceu em Estágira, colônia de origem jônica encravada no reino da Macedônia. Filho de Nicômaco, médico do rei Amintas, gozou de circunstâncias favoráveis para seus estudos.
Em 367 a.C., aos seus 17 anos, foi enviado para a Academia de Platão em Atenas, na qual permanecerá por 20 anos, inicialmente como discípulo, depois como professor, até a morte do mestre em 347 a.C.
O fato mesmo de ser filho de médico poderá ter dado a Aristóteles o gosto pelos conhecimentos experimentais e da natureza, ao mesmo tempo que teve sucesso como metafísico.
Depois da primeira estadia em Atenas, ausentou-se por 12 anos, com uma permanência inicial na Ásia menor, onde se dirigiu, ainda solteiro, para uma comunidade de platônicos estabelecida em Assos (Trôade). Ali reinava então sobre Assos e Atarneo, o tirano Hérmias, um eunuco, em cuja corte passou três anos. Casou então Aristóteles com Pítias, irmã de Hérmias. Morto este pelos persas, retirou-se Aristóteles para Mitilene. Depois do falecimento de Pítias, se casará com Hérpilis, da qual nascerá Nicômaco, a quem dedicará posteriormente o livro Ética a Nicômaco.
Entrementes, importantes transformações estavam a ocorrer no mundo helênica, que então se unificou.
Felipe II (rei da Macedônia de 356 a 336 a.C.) desenvolveu o país e criou um exército poderoso. Sucessivamente foi anexando as cidades gregas, aproveitando as velhas discórdias, derrotando finalmente Atenas e Tebas, em Queronéia (338 a.C.). Reuniu as cidades gregas em uma liga, sob sua direção, no Congresso de Corinto (337 a.C.), pregando sempre a guerra contra o então grande Império Persa, que já há mais de um século ocupava as cidades gregas da Ásia Menor.
Ofereceu-se também uma nova oportunidade a Aristóteles, que foi chamado em 343 ou 342 para a corte do rei Felipe II, em Pela, como educador de seu filho Alexandre (356-323 a.C.). Mas ficou nesta função somente dois anos, depois dos quais aconteceu o totalmente inesperado, - o assassinato do rei Felipe II.
Foi assim que já cedo o jovem Alexandre deveu assumir o trono, em 336 a.C., com apenas 20 anos. Atravessando o Bósforo, partiu em 334 a.C. para a conquista do império persa. Foi de um sucesso espetacular, vencendo a Dario, na Batalha de Granico. Completou sua façanha, indo até a Índia. Estabeleceu sua capital em Babilônia. No Egito fundou a Alexandria, que logo passou à ser um grande centro de cultura. Estava mudada a estrutura política do então mundo conhecido, o que não demoraria a ter repercussão na filosofia.
Sem função na Macedônia, voltou Aristóteles para Atenas, pelo ano 335 a. C., com Teofrasto, outro homem notável pelo saber.
Auxiliado sempre por Alexandre que o prestigiava, Aristóteles fundou o Liceu (cerca de 334 a.C.) no ginásio do templo de Apolo Liceu (Liceu é referência ao local do templo). Onde criou escola própria no ginásio Apolo Liceu.
Em pouco mais de dez anos de atividade, fez Aristóteles de sua escola um centro de adiantados estudos, em que os mestres se distribuiam por especialidades, inclusive em ciências positivas.
Falecido Alexandre prematuramete em 323 a.C., com apenas 13 anos de reinado, recrudeceu o sentimento antimacedônico em Atenas, com Demóstenes ativando o partido nacionalista, a situação se tornou difícil para Aristóteles.
Além disto, sua filosofia de idéias objetivas não poderia escapar à reação do sacerdote Eurimedote, que o acusava de impiedade. Teve, então, Aristóteles de optar por retirar-se de Atenas, deixando o Liceu sob a direção de Teofrasto.
Oculto em uma sua propriedade em Cálcis, de Eubea, ali morreu já no ano seguinte aos 62 anos. Mas o Liceu teve continuidade, como também a Academia de Platão
Uma notícia diz que Aristóteles, o mais ilustre dos discípulos de Platão, "tinha a voz débil, pernas delgadas e olhos pequenos; que vestia sempre com esmero, levava anéis e cortava a barba".
A estátua, que dele se conserva, o apresenta com a testa e a cabeça menor, que a de Platão; cabelo aparado, sem ser calvo como Sócrates; barba não alongada; boca pequena, entre lábios finos. Tal foi o maior dos mestres. O nome Escola Peripatética derivou do uso de Aristóteles haver dado lições em amena palestra, ao mesmo tempo que passeava pelos caminhos do ginásio.

Fonte: Enciclopédia Simpoziohttp://www.cfh.ufsc.br

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

MÚSICA: DJAVAN GRAVADO EM BARCELONA.

POESIA.

BEM QUERER
Charles Fonseca.
No quintal de um sobrado
Tinha um pé de fruta-pão
Que a chorar manava leite
Se ferido por facão.
Só que a cada golpe sentido,
Decorrente do desgosto,
Do âmago da cicatriz
Surgia mais novo broto.
Novo broto hei de ser
Do golpe que me atingiu!
Hei de novo esgalhar,
Reflorir, frutificar!
Nova sombra ha de ter
Quem vive pra o bem querer.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Vale a Pena Ler: Arte, Neurociência e Transcendência.

Posted by PicasaEm uma linguagem agradável, este livro traz o histórico da Arteterapia, passa pela Psicologia, sobretudo junguiana e transpessoal. Relata as comparações da Física moderna relacionadas às mudanças paradigmáticas, evidenciando aspectos neurocientíficos entrelaçados às técnicas expressivas.

A Arte tem sido um campo vastíssimo de investigação, em toda sua amplitude, desde os tempos mais remotos. Mais recentemente, ela vem sendo utilizada como um recurso a mais para o tratamento dos mais diversos problemas que infelicitam a humanidade. De forma lúdica, algumas vezes, em outros momentos com uma profundidade maior, ela expressa por meio de símbolos as dores que a voz não consegue falar.

A Neurociência, com os avanços tecnológicos, desvenda os mistérios do Homem, avança para um futuro promissor, abrindo campo para pesquisas nas mais diversas áreas do conhecimento.

A
Transcendência nos mostra o Ser Integral, englobando as múltiplas dimensões, com respeito e consideração a fim de que a saúde seja plena e o equilíbrio duradouro.

Entremeado por poemas, pinturas, mandalas, incluindo a visão artística da ressonância magnética, este livro mostra a experiência da autora como Arteterapeuta, narrando alguns casos que ilustram sua pesquisa independente, em especial com pessoas com depressão e epilepsia.

LANÇAMENTO DA WAK EDITORA

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SEGUNDO PERÍODO DA FILOSOFIA ANTIGA: AS DOUTRINAS DE PLATÃO.


Política.
Politicamente, Platão foi inovador, numa época em que de fato as reformas se faziam necessárias, em vista do declínio do poder de Atenas, debilitada pela longa Guerra do Peloponeso, quando acabou vencida por Esparta.
Admite Platão a desigualdade dos homens segundo a natureza e não segundo o nascimento. Em sua república todos deverão ter oportunidade de acordo com as qualidades pessoais. As mulheres têm iguais direitos que os homens, inclusive para serem guerreiras e praticarem a ginástica nuas, conforme o uso do tempo. Elas têm também o direito de comparecer à Academia vestidas como os homens, os quais então usavam vestes mais curtas.
O Estado em Platão é de direito natural. Os homens necessitam da vida em comum, para que as tarefas sejam executadas especializadamente e se complementa entre si.
"O que dá nascimento a uma cidade é, creio, a impotência de cada indivíduo de bastar-se a si próprio e a sua necessidade de uma multidão de coisas. Assim, pois, um homem traz consigo outro homem para determinado emprego e outro ainda para um outro emprego e a multiplicidade das necessidades reúne numa mesma residência grande número de associados e auxiliares; a esse estabelecimento comum damos o nome de cidade" (República, 369 b).

A forma de governo é concebida por Platão à maneira de Estado absolutista e socializante. Não resulta o poder da união jurídica das vontades. O poder político é extrínseco e une como que de fora. O governante é como o médico, o qual decide em virtude de seu saber e não representa o saber dos indivíduos aos quais medica. Este modo de ver não confere com o princípio de que o Estado tenha nascimento em um contrato social.
Distinguindo entre três formas de governo, - monarquia, aristocracia, democracia, - preferiu Platão a aristocracia (República, 415). Mas não afastou as outras formas de governo. Em épocas diferentes oscilou em sua opinião.
No Político foi partidário de um absolutismo moderado, tendo os olhos em Dion, de Siracusa:
"A conclusão, pois, ao que me parece, é que a forma correta de governo é de apenas um, de dois ou quando muito alguns, se é que esta forma correta possa realizar-se "(Político 293).
Em Leis, escrito na velhice e com mais realismo, passou a aceitar um regime misto de monarquia e democracia, ainda que não chegue a ser perfeito

Classes sociais.
Os cidadãos, que constituem a cidade, estão naturalmente separados em classes. Platão, por exemplo, era da nobreza.
Explicou em forma de mito e com analogias as diferenças sociais:
"Sois todos irmãos os que fazeis parte do Estado; mas o Deus que vos criou fez entrar o ouro na composição de vós outros que sois aptos para governar. Por isso mesmo os tais são mais preciosos. Misturou prata na constituição dos guerreiros; o ferro e o cobre na dos lavradores e artífices" (República 415 a).
Aptos para governar são os filósofos (os sábios), como outros são aptos para a guerra e para ser artífices.
A distribuição por classes não é todavia um privilégio social e sim vocacional, podendo variar de pai para filho. Devem, pois, ser todos aproveitados conforme as aptidões:
"Tendo todos uma origem comum, tereis ordinariamente filhos que se vos assemelhem. Poderá, porém, acontecer que o cidadão de raça de ouro tenha um filho de raça de prata; e, por outro lado, que o de prata produza o de ouro e, que o mesmo suceda a respeito das outras raças. Por isso ordena Deus, principalmente aos magistrados, que se ocupem acima de tudo em conhecer de que metal é feita a alma de cada criança e, que, se em seus próprios filhos encontrem alguma mescla de ferro ou cobre, os tratem sem mercê e os releguem à categoria dos artesãos ou lavradores. Também requer Deus que, se estes últimos tiverem filhos que venham ao mundo com mescla de ouro ou prata, elevem aqueles à categoria de magistrados, estes à de guerreiros. Porque há um oráculo que diz que a república perecerá no dia em que for governada por ferro ou bronze" (República 415 b-d).

Quanto às mulheres, garantiu Platão sua participação nas três classes. Poderiam ser magistradas, guerreiras e artífices desde que tivessem as respectivas qualidades.
Como já foi referido, Platão também admitia as mulheres na academia, o que lhes permitia os exercícios ginásticos.
Atento aos usos ginásticos de então e à fragilidade, esclareceu:
"As mulheres de nossos guerreiros não hesitarão em se despir, uma vez que a virtude lhes faça as vezes de vestes. Tomarão parte com seus esposos nos trabalhos da guerra e nas funções que lhe são inerentes como custódios da república. Somente em atenção da fragilidade do sexo, se lhes atribuirão tarefas menos árduas" (República 457 a).

Ainda para contornar uma situação de seu tempo, Platão defendeu a estranha instituição da mulher comum para todos os guerreiros. A educação dos respectivos filhos seria também coletiva, pelo Estado.
Aristóteles, contestando a esta maneira de ver, dizia que era preferível ser o último dos primos, que o filho da república de Platão. (Política, I, 2).
São ainda teses significativas de Platão: a propriedade coletiva das terras (bens de produção), a educação pelo Estado (Educação pública, Estado educador).
A filosofia da arte de Platão é idealista classicista, porquanto o objetivo era sempre o objeto ideal e não o singular.
Recomendou as artes de conteúdo mais espiritual, como a poesia literária, música e dança. Quanto à arte da escultura, advertia que era preferível apresentar um homem real, do que uma imitação de homem. Mesmo o homem real não passava de sombra do homem arquétipo.


Apreciação.
De Platão tudo se pode dizer. Ainda que houvesse defendido um governo absolutista, nos seus diálogos foi, entretanto, democrático. Havendo introduzido a diversidade dos personagens, permitiu que tudo fosse dito e discutido: como que num vasto simpósio.
Seu método foi apriorístico, havendo sido um aficcionado da análise dos conceitos eminentemente racionais. Não analisou suficientemente os dados empíricos; o método da indução, melhor conduzido, o teriam levado mais cedo à moderação; esta, aliás, ele a passou a ter nos seus últimos textos.
Platão foi o elo entre o racionalismo pitagórico e o racionalismo moderado de seu maior discípulo, Aristóteles.

Fonte: Enciclopédia Simpozio
http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y098.htm#TopOfPage

ARQUITETURA ANTIGA

Resquício da co-regência na antiga cidade de Tebas:
Entrada para o templo de Hatchepsut no sítio arqueológico
de Deir El-Bahar.
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SEGUNDO PERÍODO DA FILOSOFIA ANTIGA: AS DOUTRINAS DE PLATÃO.

A trindade platônica.
Platão concebe a existência de três elementos eternos, os quais caracterizam sua ontologia:
- idéias arquétipas,
- Demiurgo,
- matéria eterna.
De futuro o neoplatonismo, sobretudo o de Plotino, dará aos três elementos uma sequência dinâmica, com três processões, que serão adotadas pelos teólogos cristãos para racionalizar sua crença na multiplicidade trina das Pessoas divinas.
As idéias arquétipas, segundo Platão, são eternas, reais, universais; elas correspondem aos números arquétipos de que falam os pitagóricos, a partir dos quais Platão formulou sua doutrina.
Deus, enquanto organizador do mundo, é um demiurgo ( = artista, produtor). Atuando sobre a matéria eterna, imprime na mesma os arquétipos. Nascem desta maneira os indivíduos, os mais variados, como sombra das idéias eternas. Deus é conceituado com um artista, que se orienta por uma idéia preexistente. Repete-se aqui algo da mitologia, em que Deus surge como oleiro que faz, manejando com sabedoria, o barro, de onde sai o homem.

Difícil é dizer até aonde Platão se deixou levar por antropomorfismos. No futuro, o neoplatonismo de Plotino, juntará numa só entidade o Logos divino e as idéias exemplares. O exemplarismo divino será retomado por Santo Agostinho e Tomás de Aquino. No pensamento platônico Deus surge como primeiro motor (alma do universo) e como organizador do mundo (demiurgo).
A preocupação de explicar as causas das transformações do mundo já vem dos jônicos novos (a concórdia e a discórdia, em Heráclito, o amor e o ódio, em empédocles, o nous, em Anaxágoras. Neste último, a causa começa a ser concebida como princípio separado da matéria sobre a que atua, mas já sem os conceitos antropomórficos da velha mitologia.
Progride esta tendência filosófica de um Deus pessoal, com Sócrates e Platão.
"Tudo o que está em mutação, o está por ação daquele que o causa... Nada pode, separado daquele que o causa, assumir o devir" (Timeo 28 a).

Imagina-se Platão que deva haver um primeiro motor, ao qual denomina Alma do Mundo. Este primeiro motor, ainda não é examinado com subtilidade. Aristóteles, dirá, depois, que o primeiro motor deve ser motor imóvel e capaz de mover; se ele fosse móvel, precisaria de novo outro para movê-lo. Platão se contenta em indicar um motor com peculiaridade especial, que é a de ser alma, como se a alma não tivesse o mesmo problema...
Em vista de haver necessidade de haver um primeiro motor, este poderia ser uma alma que é;
- "motor e tem em si o princípio do movimento; esta alma pode, portanto, comunicar movimento sem o receber antes" (Leis, X).
- "Alma real, dirigida por uma inteligência real, que organizou tudo e governa todas as coisas" diz Platão no Timeu.

Entre todas as idéias reais, de Platão, a suprema é a do Bem. Há uma tendência do platonismo em identificar este bem supremo com a divindade; nesta condição, o bem, o demiurgo, a alma do mundo se reduziriam entre si. A separação seria apenas uma abstração, que o aspecto literário dos escritos de Platão mantémaparentemente, e que em Plotino é denominado o Uno .
O exemplarismo pitagórico e platônico foi assimilado pela filosofia cristã, mesmo pelo aristotelismo de Tomás de Aquino, que faz Deus ser o modelo exemplar de todas as criaturas. Platão não apresentou um Deus claramente como um Ser personificado, porque oferece os três elementos eternos separadamente (idéias reais, Demiurgo, matéria eterna). O platonismo futuro tenderá a fundir as idéias e o demiurgo.
A transcendência divina é outro aspecto típico do platonismo e que no futuro será radicalizada em Plotino, de tal maneira que o supremo ser é o Uno, do qual emana o Logos, no qual estão as idéias, ocorrendo o contato com a matéria através da Alma do Mundo.
Com referência à alma, diz Platão, que ela mora no corpo, como piloto no navio, isto é, sem se compor substancialmente com ela, conforme quererá Aristóteles.
Fonte: Enciclopédia Simpozio
http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y098.htm#TopOfPage

127. Física. A filosofia natural de Platão e a sua concepção geral do mundo é inspirada nos pitagóricos.
Os corpos se compõem de matéria e forma. A matéria é um princípio indeterminado e eterno, que recebe suas determinações da forma.
Em Platão a matéria indeterminada possui uma quase determinação, ainda que sua determinação principal venha das formas.
O mesmo não acontecerá em Aristóteles, que estabelecerá uma noção de matéria, totalmente indeterminada e complementar. Estes dois pontos de vista continuarão através dos tempos dividindo as correntes filosóficas; de um lado o platonismo, que prossegue no neoplatonismo de Plotino e Agostinho e ainda no agostinianismo medieval e no escotismo; de outro, o aristotelismo, continuado, neste particular, pelo tomismo, medieval e moderno e em parte pelo suarezianismo.
As diferenças da forma darão aos corpos suas diferentes espécies substanciais. Acreditavam Platão e Aristóteles, que os quatro elementos água, ar, fogo, terra (assim classificados por Empédocles) eram especificamente distintos, o mesmo acontecendo com a carne, os ossos, as plantas, o pão, etc...
O mundo tem um eixo central, girando sobre si mesmo, tendo a terra no centro. É rodeado de esferas, como firmamentos sucessivos, como já ensinavam os pitagóricos.
Fonte: Enciclopédia Simpozio
http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y098.htm#TopOfPage

128. Psicologia. A alma é espiritual, diz Platão, repetindo a Sócrates e Pitágoras. Convive com o corpo material, sem se associar como um composto de partes que se completam. Diferem como o piloto e o navio, - conforme comparação usada, - e em que a alma tem o comando do corpo.
Não sendo componente com o corpo, a alma vem de fora do mundo material. A encarnação se justifica, por necessidade de purificação de culpa anterior. A reminiscência de outras vidas é prova disto. Tais doutrinas as recebeu Platão da tradição órfica e pitagórica vigente no seu tempo e se conservam em parte até hoje.
Divide-se a alma em três partes, a racional, situada na cabeça, a passional, no peito, a apetitiva, no abdômen. Talvez se trate apenas de faculdades da mesma alma, conforme permitem entrever alguns textos, apesar de outros mais favoráveis à divisão real. Na hipótese da divisão, a alma racional seria a espiritual e imortal.
De acordo com o predomínio de uma das partes, os cidadão diferem entre si. Dali a divisão paralela em classes sociais: os políticos, os militares, os trabalhadores.

Fonte: Enciclopédia Simpozio
http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y098.htm#TopOfPage

129. Filosofia moral. A ética de Platão é a do direito natural (contra os sofistas) e marcada pelo orfismo. Continua diretamente a ética socrática, dali prosseguindopara novos desenvolvimentos na área política e educacional.
O objetivo geral da vida é a felicidade, com uma hierarquia, na qual prevalecem as partes superiores da alma. Situam-se por via ascendente os prazeres inferiores, próprios à manutenção da vida e da espécie; os prazeres do coração, já menos fugazes; os prazeres buscados pela inteligência.
De outra parte, a união meramente extrínseca da alma com o corpo, dá à ética de Platão (como já a de Sócrates e antes ainda a dos órficos e pitagóricos) um feitio anti-naturalista e pouco grego. Para ela o filósofo é um "forasteiro" (Teeteto 174), que passa por esta vida sem se interessar pelo que se lhe apresenta.
Este ideal forasteiro se transferirá ao neoplatonismo de Plotino e confere em muitos aspectos com o cristianismo.
Fonte: Enciclopédia Simpozio

http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y098.htm#TopOfPage

terça-feira, 27 de julho de 2010

ARTE CONTEMPORANEA.

Jacek Yerka* Varsóvia, Polônia – 1952 d.C.

Estudou artes gráfica e ilustração. Quando estava na universidade os professores pressionavam para que ele não fosse tão detalhista e não optar por uma pintura realística pois iria de encontro a tendência da arte contemporânea.Somente em 1980 tornou-se profissional.
Foi premiado nos salões de Varsóvia, Dusseldorf, Los Angeles, Paris e Londres.

Fonte: http://mesquita.blog.br/arte-pintura-jacek-yerka

SEGUNDO PERÍODO DA FILOSOFIA ANTIGA: AS DOUTRINAS DE PLATÃO.

Exemplarismo.
A doutrina das idéias universais reais de Platão consiste em admitir modelos arquétipos (ou universais metafísicos), os quais não seriam apenas essências ideais, mas reais. As essências absolutas repetir-se-iam nas coisas singulares, as quais teriam nelas o seu exemplar arquétipo.
O Demiurgo é o artista do universo, porque organiza a matéria informe, aplicando a ela as formas das idéias eternas. Por isso, as coisas são como que a sombra das referidas ideias arquétipas.
Os pitagóricos se referiam à números e figuras geométricas eternas; agora Platão apenas substitui estes números por conceitos mais amplos.
Importa advertir para o exemplarismo das idéias, que servem de modelo às coisas que se fazem. Suposto que nada é possível fazer sem um prévio modelo (tese a ser provada!), resulta que tudo o que se faz incorre em ser racional. Parmênides e Aristóteles, apesar de não falarem em idéias reais arquétipas, estabelecem a racionalidade do ser, com a impossibilidade do não ser; este pensar incorre em um exemplarismo, porque o que existe deverá estar conforme com a razão.
O exemplarismo platônico é basicamente a doutrina dos universais dos pitagóricos, pela qual se regem todas as metafísicas, que ultrapassam o ser das coisas singulares. Em conjunto se opõem estes filósofos a aqueles que só admitem a ontologia particular ou se reduzem a uma filosofia simplesmente empirista. Platão foi o que mais enfaticamente valorizou o universal; não só o admitiu como um arquétipo das coisas, mas elevou este modelo exemplar à algo real.

Uns discordam de Platão apenas por haver estabelecido a realidade dos universais, e não o universal simplesmente. Aristóteles, discordando de Platão, continuou a admitir ao universal, interpretando-o de outro modo; atribuiu ao universal apenas uma validade ôntica inerente só ao ser singular a ele obediente; em concreto se identificavam com a realidade das coisas singulares, interferindo sobre estas como lei; neste sentido aristotélico as coisas singulares contêm algo mais que a mera contingência da singularidade, e que é o universal; então o universal não ultrapassa ao singular, senão nesta sua necessidade complementar. Depois que se tem de dizer que um fato, apesar de ser singular, é sempre um fato que necessariamente está acontecido, não parece possível deixar de admitir o universal, ao menos como Aristóteles o concebeu.
Outros divergem de Platão em vista de não admitirem qualquer universal, nem o de Platão (universal-real) e nem o de Aristóteles (universal com fundamento ôntico nos seres singulares).
Os adversários contemporâneos ao mesmo Platão, por causa de sua doutrina das idéias reais, eram os sofistas e os cínicos com eles relacionados. Opunham-se, portanto, à universalidade em qualquer hipótese. Conhece-se a notícia irônica:
"Falando um dia Platão sobre as idéias, de mesa e de vaso, Diógenes (o Cínico) o interrompeu ;
- querido Platão, vejo a mesa e o vaso, porém não vejo suas idéias.
- E eu me explico, replicou Platão, porque tens olhos que fazem ver a mesa e o vaso; porém não tens o que nos descobre as idéias, a inteligência... " (D. Laércio, VI).
O caráter real atribuído por Platão às idéias universais, estimulou exaltações à propósito da visão daqueles arquétipos. Os encantos de intuir o ser, o bem, o belo, a harmonia são enfaticamente narrados pelo admirável mestre da Academia. A viagem das almas ao céu das idéias, o mito da caverna, o delírio poético, o amor que surge após a visão do belo carnal feminino capaz de conduzir à reminiscência espetacular do belo como tal, - são páginas típicas da doutrina platônica, e de tal maneira narradas, que se tornaram eternas na literatura filosófica

Fonte: Enciclopédia Simpozio
http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y098.htm#TopOfPage

CINEMA: AMOR COREANO.

domingo, 25 de julho de 2010

SEGUNDO PERÍODO DA FILOSOFIA ANTIGA: AS DOUTRINAS DE PLATÃO.

Os universais reais, o ser, o belo e outros. A consistência dos universais é real.

Este realismo dos universais a primeira vista surpreende, mas foi amplamente defendido na idade média pelos assim chamados realistas,tanto desta como os da escola de Chartres. Importa atender, que não há grande diferença entre admitir um conjunto de idéias reais e estabelecer a existência de um Deus infinito.
A partir de sua gnosiologia, criou Platão uma ontologia, que começa por admitir realidades transcendentes universais. Conduz em frente doutrinas que tomou aos pitagóricos e aos eleatas.
Platão descreveu maravilhosamente o ser e sobretudo o belo, quando o homem subitamente se eleva ao estado de filósofo e o atinge como arquétipo do que há nos seres singulares e nas coisas belas multiplicadas:
"...este homem verá bruscamente certa beleza, de uma natureza maravilhosa. Verá um ser que, em primeiro lugar, é eterno, que não nasce, nem morre, que não aumenta e nem diminui, que além disso não é em parte belo, que não aumenta e nem diminui, que além disso não é em parte belo e em parte feio, agora belo e depois feio, belo em comparação com isto e feio em comparação com aquiilo, belo e feio acolá, belo para alguns e feio para outros. Conhecerá a beleza que não se apresenta como rosto ou como mãos ou qualquer outra coisa corporal. Beleza ao contrário, que existe em si mesma e por si mesma, sempre idêntica, e da qual participam todas as demais coisas belas. Estas coisas belas individuais, que participam da beleza suprema, ora nascem, ora morrem; mas essa beleza jamais aumenta ou diminui, nem sofre alteração de qualquer espécie" (Simpósio, 210 2 - 211a).



Fonte: Enciclopédia Simpozio
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OBRA DE ARTE

OBRA DE ARTE
Amores na bela Capital Catarinense.